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terça-feira, 12 de abril de 2011

O psicopata perto de nós

É difícil escrever sobre um assunto que está em evidência e que todo mundo comenta, principalmente quando o assunto é uma tragédia sem precedentes nesse país, como o infeliz Massacre no Realengo, fica sempre a sensação de que o que a gente disser já foi dito anteriormente, considerando que a grande mídia brasileira, sedenta por sangue e coberturas “jornalísticas” sanguinolentas, cobriu, cobre e com certeza cobrirá por vários meses à frente, todos os ângulos possíveis e imagináveis desta página lamentável da crônica brasileira.

Por outro lado, esta é a realidade que nos cerca, além do que uma desgraça dessas deve ser o principiador de análises racionais e, porque não dizer, frias, para evitar que se repita novamente gerando mais vítimas inocentes.

Faz um tempo que ando lendo um livro bem interessante chamado “Mentes perigosas, O Psicopata Mora ao Lado” de autoria da psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva. Neste livro, de linguagem rápida, direta e agradável e voltada ao público leigo, a autora expõe os diversos tipos de psicopatas e sua relação com o próximo. Fica patente, ainda de acordo com o contido na referida obra, que há uma gradação, um escala de psicopatia, além de existir os mais diversos tipos. Em outras palavras, um sujeito que nem o que invadiu a escola de Realengo e causou essa tragédia toda, seria só mais um dentro de uma vasta gama de tipos de psicopatas, seria o do tipo recluso, introspectivo, provavelmente vítima de bullying quando menor, que durante toda a vida nunca fez mal a ninguém só a si mesmo, mas que é capaz de “explodir” de um instante para outro, ou planejar uma “vingança” meticulosamente. Mas isto não o exime de culpa, pois ainda de acordo com o livro, o que difere um psicopata de um louco de verdade é que o psicopata sabe distinguir o bem do mal, sabe que o mal agride e ofende os outros e mesmo assim deliberadamente escolhe fazê-lo.

O livro de Ana Beatriz Barbosa Silva também deixa transparecer que o tipo de psicopatas que nem o assassino de Realengo é minoria, a grande maioria dos psicopatas são pessoas comunicativas, envolventes, extrovertidas, contudo não menos más, e que para se ter um quadro de psicopatia não é necessário matar, pode também perseguir, caluniar, roubar agredir física ou moralmente, matar seria apenas o último degrau numa escada aonde pode alcançar o psicopata.

A única coisa que liga todos os tipos de psicopatas, além da escolha deliberada de fazer o mal e da ausência de pena pelo que faz às suas vítimas, é total falta de motivos, ou pelo menos motivos plausíveis, para fazer o que faz. Um ou uma psicopata pode chegar para você e simplesmente dizer que não gosta de você, que não vai com tua cara, que o “santo não bate” e simplesmente acabar com a tua vida, não necessariamente matando, mas ofendendo, denegrindo, roubando, enfim praticando qualquer ato delitivo ou amoral, e todo isso sem motivo aparente algum, e pior de tudo, sem pena ou remorso. Não importa o que a vítima faça, ou seja, se é boa ou má, se tenha hábitos louváveis ou não, a vítima será a vítima simplesmente por existir.

Esta evidência é aterradora, pois só mostra que qualquer um pode ser vítima da psicopatia e que os psicopatas podem estar mais perto do pensamos, e qualquer um deles podem subir os degraus da maldade.

domingo, 20 de março de 2011

Apocalipse nosso Apocalipse

Há um tempo escrevi um texto sobre a derrubada de algarobas na entrada da cidade de Acari. Usei isto como um “starter” para mostrar minha indignação de anos com o descaso geral do ser humano ante o meio ambiente. Falei de florestas derrubadas, mares poluídos, findando com o lixo espacial produzido pelas grandes potências que findará por cair em nossas cabeças tais quais meteoritos.

Pois é, anos se passaram e nade de fato parece mudar. E como diria o escritor bengalês Chandrok Barauoang “não há nada mais triste a um escritor do que a certeza de não poder mudar a realidade”, e mais uma vez venho com a velha cantilena que devemos proteger o meio ambiente e parar imediatamente de agredi-lo.

Desta vez não vou tão longe não, pois algarobeiras que foram estupidamente derribadas estavam (digo estavam, pois não estão mais lá) na entrada da Mina Brejui. Não sei quem foi o “gênio” iluminado que teve a idéia “brilhante” de amputar aquelas árvores, nem sei e nem quero saber o motivo (se é que tem ou teve algum), só lamento perder a vista daquele verde logo na entrada da cidade, que trazia consigo a tênue paisagem de esperança e beleza para o se poderia encontrar em Currais Novos.

Não me conformo com essa estúpida sanha seridoense de não gostar de ver nada verde, qualquer coisinha já logo abatendo, cortando, mutilando, e depois reclamar que a chuva não vem ou que o clima está quente, ora só chove se houver umidade no ar, para haver umidade é necessária a transformação do carbono em oxigênio produzido pela reação da fotossíntese. A ‘aritmética’ é simples sem árvores não há melhoria do clima.

Dois exemplos mostrados a exaustão pela mídia A desgraceira que aconteceu no Japão, com seus terremotos, maremotos e tsunamis, muito além de “previsíveis” movimentos de placas tectônicas, ou as catástrofes no interior do Estado do Rio de Janeiro e no Estado do Paraná, com terríveis enchentes, só mostram o quão pequeno somos ante a fúria da natureza, e se continuarmos agredindo desta forma destemperada, sonsa, ambiciosa, raivosa e contínua, mais cedo ou mais tarde ela, natureza, dá o seu troco pela agressão que nós humanos a levamos, pois ela (a natureza) se deixa agredir placidamente por muito tempo, mas quando estoura, não tem pra ninguém, absolutamente ninguém.

Poderia muito bem fazer um “copiar-colar” naquele texto sobre as alfarrobeiras de Acari, afinal de contas as coisas pouco mudaram desde então, mas temo sofrer do mesmo ressentimento de Chandrok Barauoang.

Temo também que o vaticínio preconizado pelos Astecas e popularizado no filme “2012” de Roland Emmerich, e que prevê o fim do mundo com tanta precisão , seja enfim verdade, e principalmente que o mundo possa mesmo se acabar não necessariamente em 2012, mas em 2013, ou mesmo, quem sabe, amanhã de manhã, e o pior de tudo, o grande causador desse fim trágico do nosso mundo seja nós, seres humanos.

Nós, e somente nós, auto-proclamados racionais Homo Sapiens estamos causando o apocalipse pelo nosso uso predatório e irresponsável dos recursos naturais e, de fato o fim do mundo seja mais um fruto indigesto da raça humana. Os desastres naturais acontecem por nossa causa ... por nossa causa.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O VENTO ÁRABE DA MUDANÇA E NÓS

Tal qual rastilho de pólvora, ventos libertários sopraram no mundo árabe. Uma após outra ditaduras sedentárias caem sob o clamor da população que foi ( e ainda está indo) às ruas pedir a saída de tiranos ou partidos que se amojaram no poderes e de lá parecia que não sairiam mais.
O parágrafo acima, repleto de clichês, é a tônica de como a imprensa mundial está fazendo a cobertura dos protestos que estão acontecendo em vários países árabes. Tudo começou na Tunísia, país pequeno, mais ou menos do tamanho do Estado de Alagoas, ex-colônia francesa, o povo foi às ruas para protestar contra a truculência policial que havia vitimado um feirante em Tunis (a capital) daí aos protestos se encaminharem às condições de vida e a corrupção generalizada, foi um pulo.
Dali foi para o Egito, cujo partido Pan-Arabe estava no poder desde os anos 1950, e dos quais os últimos 20 estavam com ditador Mubarak, que foi destituído do poder de forma quase vexatória.
Na Líbia é que a coisa pode ser um pouco diferente, Muammar Khadafi antes de ser um déspota sanguinário, é um político habilidoso. Nos anos 1970-1980, ele apoiou fortemente e declaradamente vários movimentos terroristas, dentro da ideologia do movimento Pan-Arabe, que culminou no atentado ao avião da Pam-Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, os terroristas exploram esta avião em pleno vôo, matando todos os duzentos passageiros, o avião em chamas caiu sobre a cidade,matando mais um tanto número de pessoas, em suma, algo tão terrível quanto um “11 de Setembro”. Os EUA e as demais potências ocidentais impuseram um severo embargo comercial a Líbia. Nos anos 1990 Khadafi se distanciou do movimento Pan-Arabe e decidiu se aproximar do Ocidente, para isto assumiu a culpa sobre o atentado de Lockerbie, entregou à justiça americana-europeia os seus agentes que arquitetaram a explosão do avião (que estão presos até hoje), indenizou as famílias das vítimas com verdadeiras fortunas. Resultado, até bem pouco tempo Barack Obama fazia pose para fotos junto com Khadafi, e Hilary Clinton cumprimentava seus filhos. Em outras palavras, se Khadafi fez o que fez ainda conseguiu se reaproximar do ocidente, ele pode muito bem se safar dessa crise do momento. Aguardemos os próximos capítulos dessa novela líbia.
Essa história toda só nos faz lembrar que não devemos tomar partido neste conflito. Ditaduras nunca são defensáveis, mas nem todas as oposições são louváveis. Neste caldeirão onde estão os protestos no mundo árabe, tem gente de do tipo, de fundamentalistas teocráticos a grupos pró-americanos. A estabilidade frágil, porém previsível de certos governos despóticos dará lugar a incógnitas democráticas.
A impressão que se tem é que o Ocidente está meio perdido nisso tudo, não sabe se louva ou se teme esta mudança toda.
Então vamos esperar pra ver se o vento árabe da mudança é bom ou ruim pra todos nós e ao conceito ocidental de democracia.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

1972

Vira e mexe, meia volta, volta e meia, falo sobre música, e não qualquer música, mas sim o bom e já velho rock ‘n ‘ roll.
Se os últimos tempos desde os anos 1960, no século passado até os dias cibernéticos de hoje tem uma trilha sonora, esta é em ritmo de rock.
O rock é um mundo, tem de tudo e cabe de tudo. Quer romantismo? Que tal Coldplay. Quer catarse? Que tal Van Halen. Quer classicismo? Que tal Yes (dos anos 70). Quer maracatu? Que tal Nação Zumbi; e para aqueles que acreditam que rock é música americana e para alienados, eu digo que ela é muito mais que isso, pois se hoje posso me dizer de esquerda, muito contribuiu as letras politizadas das canções do The Clash.
Em nasci em 1972, presenciei ao longo desses quase 40 últimos anos a ‘evolução’ do rock de música contestadora e de minoria para sua total popularização. Hoje com rock se faz de propaganda de iogurte à hino evangélico ou católico, cantado e berrado por padres e pastores, em nome da evangelização.
Curioso é que não existem grandes roqueiros nascidos em 1972, a maioria dos caras que fazem essa música vigorosa e pulsante ou nasceram antes ou depois deste ano. E olha que 1972 não foi um ano qualquer, os Rolling Stones Lançaram “Exile on Main Street”, o Moody Blues lançavam “A Question of Balance”, Bowie lançava Ziggy Stardust, ou seja álbuns históricos que ajudaram a definir os rumos da música e influenciaram as gerações seguintes.

Aqui no Brasil não ficava atrás não, enquanto Médici governava e desmandava com mão de ferro, as pessoas usavam calças boca de sino e as ruas estavam cheias de Puma GTE, Rita Lee e Raul Seixas lançavam seus primeiros discos solo, Ney Matogrosso rebolava à frente dos Secos & Molhados e os Pholhas cantavam num inglês impecável hits que não deixavam a desejar qualquer banda estrangeira.
Mas se 1972 foi um ano tão icônico para história do rock, por que então não há roqueiros de nome nascidos neste ano? De que eu me lembre só os caras do Green Day e Liam Gallegher nasceram nesse período. Será que todo mundo que veio ao mundo em 1972 optou por profissões prosaicas tais como médico, advogado, engenheiro, funcionário público ou arquiteto entre outras e deixaram o puro som do rock para os vieram antes ou depois? E por que isso me incomoda tanto?
Quem nasceu em 1972 teve sua adolescência nos apáticos anos 1980 quando se deu a já mencionada ‘evolução’ do rock de música contestadora e “proibida” em somente mais um ritmo, ou pior mais um instrumento de marketing que se vende de quase tudo de alimentos aos credos cristãos
Como se pode ser jovem e contestador hoje em dia, se a música jovem e contestadora por excelência já está velha e Pete Townshend e Roger Daltrey tem 65 e 66 anos respectivamente?
Não sei se quando escuto coisas novas (e frescas) como o Restart, por exemplo, se encaro como uma renovação ou uma coisa completamente nova que não o bom e velho rock ‘ n’ roll ao qual me acostumei a gostar. Não sei se fico feliz ou triste.
Só espero que a música da minha adolescência nunca morra, vire o clássico que merece ser e se perpetue... Eternamente.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ano Novo, desgraça velha

Chegou Janeiro. É pleno verão, o calor intenso dos nossos trópicos incide sobre a terra, em princípio é tudo alegria, para alguns a melhor época do ano. Mas o calor também evapora água, muita água, estas se elevam, se condensam e depois com a umidade se precipitam nas monções, e mais uma vez se tem a crônica de uma tragédia anunciada.
Ano após ano os noticiários explodem em más notícias, ano passado, Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) foram arrasadas pelas cheias e deslizamentos. E nem adianta os catastrofistas de plantão atribuir tais eventos a uma eventual proximidade do fim do mundo, se voltar, mais e mais no tempo veremos que região após região, este flagelo de início de ano vem irremediavelmente se repetindo. Em São Paulo (a capital) isto nem é mais novidade, é quase rotina.
Ano retrasado foi a vez de Santa Catarina ser atingida pelas monções. Sem falar nas enchentes em Pernambuco e Alagoas, no mesmo período.
Em 2006, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (eleito novamente ano passado) anunciou o final das enchentes no Rio Tietê. Semana passada, o Tietê - e seus afluentes Pinheiros, Aricanduva, Tamanduateí e Pirajussara - transbordaram.
Desde que me entendo por gente e que acompanho os noticiários, percebo que o início do ano é tempo de falar de enchente em algum lugar desse país. Ficou tão indecentemente comum este tipo de notícia, que a gente chega a ficar indiferente com a desgraça alheia que é noticiada, e por vezes os apresentadores dos telejornais mal mudam o tom de voz quando sai do noticiário das enchentes e passa para a seção de esportes e fala da contratação de Ronaldinho Gaucho pelo Flamengo.
Mas devemos lutar contra o demônio da indiferença com mais vontade do que contra qualquer outro demônio, e um cataclismo deste não pode passar em branco.
Este ano as torrentes atingiram o interior do Estado do Rio de Janeiro, castigando a sua bela região serrana. Uma das maiores catástrofes da história recente, mais de 500 mortos, inúmeros desaparecidos e enormes prejuízos materiais.
Mas afinal, de quem é a culpa? Do governo? Do povo que constrói em áreas de risco? Falta de planejamento? Não é só de um, mas de todos, guardadas as devidas proporções. Dos governos sim, pois permitem seguidamente a construção em áreas declaradamente de risco, seja por motivos politiqueiros, pra ganhar votos de uns, seja por inoperância e incompetência para fiscalizar. O povo também tem culpa uma vez que constrói mesmo sabendo dos riscos. Os mais pobres teriam a sua culpa meio abrandada, pois às vezes constrói em áreas de risco por pura falta de opção melhor. A falta de planejamento também tem sua parcela de culpa. Hoje a meteorologia consegue prognosticar a possibilidade de fortes moções com até 4 dias de antecedência e 90% de acerto, e se tava previsto que haveria chuva forte naquela região o que custava evacuar as pessoas, ficaria o dano material, mas pelo menos se salvaria as vidas.
Além do mais todo mundo sabe, e até eu que não sei de nada, sei que janeiro-fevereiro é o tempo das moções de verão, o que custa prevenir?
A gente tem que aprender com a desgraça, não se comover com ela.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Triste cidade

No último dia 07 de novembro de 2010, aconteceu um incêndio numa casa no bairro Santa Maria Gorete, aqui em Currais Novos. Foi numa casa simples em que seu proprietário complementava sua renda fazendo consertos em estofados. O fogo começou por volta das 18:30, chamaram a Polícia Militar, mas esta pouco pode fazer além de acionar a Secretaria de Obras do município por um carro pipa. Meia hora depois se consegue o carro-pipa, mas “surpresa”, este não tinha água. Então lá vai o carro pipa lá para o Açude Dourado para enchê-lo d’água. Do açude ao local do incêndio, se somado o tempo para encher o reservatório do caminhão, tome-se mais uma hora e pouco. Resultado, quando o caminhão chegou pronto para debelar o foco de incêndio, quase nada havia sobrado, as chamas tinham consumido tudo. Por sorte não houve vítimas fatais, eu disse por sorte, por que na área tinha muitas crianças e o bairro é quase todo residencial. Só restou o prejuízo pra o coitado do morador, que além de perder as coisas que estavam em seu imóvel, também perdeu uma fonte de renda.
Sempre achei um absurdo, uma cidade do porte de Currais Novos, que polariza uma área geográfica relativamente grande, do Seridó oriental às margens do Trairi, não ter sequer uma “mísera” guarnição do Corpo de Bombeiros. Além dos incêndios, afogamentos em açude e emergências das mais diversas, estou cansado de ter notícias de acidentes automobilísticos gravíssimos ocorridos nesta região em que suas vítimas morrem a míngua entre as ferragens ou no chão áspero das estradas, enquanto se espera o socorro vindo da distante Caicó, cerca de 100 km.
E eu, enquanto forasteiro paraibano, quando pergunto aos nativos o porquê dessa situação, na maioria das vezes escuto como resposta algo como um evasivo “... é por que não se tem político forte pra trazer as coisas pra cá...”
Ora, mas o que diabos é um político forte? Por um acaso um deputado halterofilista? Claro que não! Talvez seja um mito criado, tal qual um duende, um unicórnio ou qualquer outro ser mitológico cuja existência é difícil de confirmar, ou é uma mera inoperância dos próprios cidadãos locais em exigir, organizadamente, os mais basilares serviços que uma cidade que almeja ser desenvolvida (e toda cidade sonha em ser grande e desenvolvida) deveria ter.
Este ano teve eleição, e muito embora não se tenha havido uma renovação substanciosa nos mandatários locais, principalmente no legislativo, não me lembro de ter concorrido nenhum “halterofilista” que tenha prometido ou se comprometido a trazer o quer que seja. O que ouvi foi só uma disputa para ver quem fazia o maior “pancadão”, ou quem tinha o “jingle” mais nauseante.
Triste da cidade que dependa de um político super-homem ou “halterofilista” para ter ambulância, saúde, segurança pública ou educação. Aliás, esperar de braços cruzados passivamente que as coisas venham graciosamente que as coisas venham é de uma passividade interiorana que chega a beirar as margens do irritante!
Enquanto isso, outras casas podem pegar fogo com danos materiais e possíveis perdas de vidas, mais gente vai continuar morrendo nas curvas da Sussuarana e da Maniçoba e nada do Corpo de Bombeiros chegar!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Boa Sorte, Presidente

Não é a primeira vez que digo aqui que nós, homens, temos uma dívida impagável com as mulheres. Os séculos de opressão e repressão às mulheres são tantos e tamanhos, que nem os mais cândidos cavalheirismos não são suficientes para sanar.
Os homens roubaram, e ainda roubam a dignidade e a capacidade feminina. Só nos últimos 60 anos, através dos movimentos feministas, a mulher teve a chance de se impor, pois antes eram consideradas meras rês, sem voz e sem voto, sem, nem mesmo direito a propriedade, ao estudo a gerir o próprio nariz.
As mulheres, não obstante terem prazos diferenciados para se aposentar, geralmente trabalha igual ou até mais que os homens e muitas vezes até recebem menos, pelas mesmas funções exercidas pelos homens. Além de todos os inerentes prejuízos impingidos pelo ainda presente chauvinismo machista, também sempre foram sub-representadas politicamente, e especialmente num país como o Brasil, em que estatisticamente existem duas mulheres pra cada homem, o Congresso Nacional apenas 6% é composto por mulheres, e esta distorção fica ainda mais dramática se compararmos com a vizinha Argentina, onde 40% do parlamento nacional deles é formado por mulheres. E se considerarmos a democracia como a forma política governativa em que a maioria deve mandar, enquanto a minoria deve se submeter ao que aquela determinar, isto pelo menos em tese, percebe-se que esta balança, aqui no Brasil, está bem desigual.
Contudo, no último dia 31 de Outubro de 2010, o Brasil deu uma mostra de maturidade política, engoliu um bocado de preconceitos e elegeu a primeira mulher presidente do Brasil, a Sra. Dilma Vana Rousseff. É lógico que eu não sou cego para ver a vitória de Dilma foi muito menos uma vitória pessoal dela e muito mais um forte aval do Presidente Lula de que ela continuará com as mesmas medidas da avanço social que ajudou a mudar a cara deste país nos últimos 8 anos. Mesmo com esse “porém”, a sua eleição não deixa de ser uma guinada de 180 graus na mentalidade política do brasileiro comum, tão afeito aos “masculinismos” na política, e em especial no Nordeste em que o coronelismo patriarcal com ecos ditatoriais é tão presente.
O que me chamou a atenção também foi a grande rejeição de Dilma junto ao próprio eleitorado feminino. Cansei de ouvir de muitas mulheres coisas do tipo: “não confio nesta mulher não” ou “mulher não nasceu pra mandar, nem pra ser presidente, ela ta pensando que é o que...”. Certamente, ainda existem mulheres mais machistas que muito macho, que acham que lugar de fêmea é em casa, esquentando a barriga no fogão e cuidando de criança. Com certeza elas perderão o bonde da história que está por passar.
Tudo isso mostra que se quisermos mudar radicalmente a mentalidade machista do povo brasileiro e corrigir democraticamente anos de injustiça política e social para com as mulheres, deveremos torcer desesperadamente por sucessos no governo da Presidente Dilma, pois só isso mostrará que uma mulher é tão ou mais capaz de gerir os destinos de um país inteiro. O sucesso de Dilma será o golpe mortal no que ainda resta de mentalidade machista ainda reinante, além do que elevará o Brasil à vanguarda dos seletos países que tiveram a sua frente mulheres, mudando estereótipos, revertendo paradigmas, construindo a plena democracia.
Por isso e por muito mais e que devemos todos, num imenso coro, dizer: Boa sorte, Presidente!

sábado, 9 de outubro de 2010

A Celeuma do Momento

A celeuma do momento, sem sobra de dúvida foi a eleição de Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca. Com 1.353.820 votos o palhaço cearense elegeu-se deputado federal no maior colégio eleitoral do país, o Estado de São Paulo. Porém até o momento em que escrevo ‘estas mal traçadas linhas’ (dia 09/10/2010 às 20;00 horas) ainda não um houve um posicionamento da Justiça Eleitoral sobre se o humorista sentará ou não num cadeira na Câmara em Brasília, visto que foi aceito uma representação pondo em dúvida sua alfabetização.
Mas este não é exatamente o “x” da questão, o que levou à debates inflamados e editoriais mais inflamados ainda nos principais meios de comunicação do país é; como um cidadão sem proposta alguma, sem postura, sem ideologia, que aparecia na propaganda eleitoral dizendo piadinha sem graça debochando do eleitoral e dele mesmo, consegue se eleger com mais de um milhão de votos?
O que seria isto? Voto de protesto? Ignorância política? A quantidade assombrosa de 1.353.820 pessoas apertando a tecla verde da urna para ver a foto de Tiririca parece não indicar nem uma coisa, nem outra. É praticamente impossível uma quantidade tão grande de gente que opte pelo voto de protesto, geralmente restrito a meros guetos eleitorais. Também não creio que devemos atribuir essa votação tão expressiva a uma “ignorância política”, pois vários candidatos igualmente caricatos tais como a Mulher Pêra, o pugilista Maguila e o humorista Batoré, não conseguiram se eleger.
Seria o que então? Carisma pessoal? Mas que tipo de carisma teria uma pessoa que usa uma peruca loira de náilon, roupas coloridas e conta piada sem graça? Vou deixar tais questionamentos aos cientistas políticos e ao leitor, caso queria entrar nas brenhas escuras da vontade do eleitorado brasileiro.
Mas uma verdade é maior e irrefutável: o que aconteceu foi fruto da democracia, pois a democracia consiste na vontade da minoria se submeter a vontade da maioria, e se a maioria se identificou com um palhaço semi-alfabetizado sem graça, quem somos nós para dizer que não, deixa então o Tiririca assumir o seu lugar na Câmara sendo sustentado por todos nós com um salário de R$ 16.000,00, mais verbas de gabinete somadas no valor de até R$ 60.000,00, mais auxílio moradia no valor de R$ 3.000,00, mais auxílio ‘passagem aérea’ na bagatela de R$ 4.000,00, mais 13º e (pasmem!) 14 º salário, além de duas férias anuais remuneradas. Tudo isso para ver “Seu” Francisco Everardo Oliveira Silva, brincar de ser deputado, pois não consigo imaginá-lo na tribuna cantando “Florentina”, nem tampouco consigo imaginar que tipo de projeto de lei ele apresentaria.

domingo, 26 de setembro de 2010

A Ciganada e a Micareta

O Brasil tem a maior população de ciganos da América latina. O Estado do RN tem a maior população de ciganos no Brasil. Povo nômade perseguido ao longo da história, incompreendido e geralmente não aceito por onde passa, massacrado desde a inquisição medieval até as purgações eugenísticas da Alemanha nazista.
Pouco se sabe sobe sua origem, se do norte da Índia, pois se percebe palavras e léxicas semelhantes entre o romani (a língua cigana) e o antigo sânscrito, ou do Egito Antigo, isto devido a transliteração do termo “Egipcianos”, transformado ao longo do tempo dando origem ao termo “Ciganos”.
No período colonial foram deportados aos milhares da intolerante Península Ibérica para o selvagem Novo Mundo, e aqui sentando raízes (raízes frágeis, porquanto nômades), misturando-se aos nativos, traficando escravos negros, enganando portugueses patéticos, influenciando a vida, e de certo modo construindo os novos costumes numa nova terra. Há quem diga que quem introduziu o acordeom (típico instrumento musical de origem indo-europeia) no forró, foram os ciganos. Há quem diga, também, que o gingado malevolente típico do samba, também é influência dos ciganos.
É inegável que por estar tão intimamente ligado, desde os tempos do Brasil colonial, o espírito cigano tenha contagiado a formação da brasilidade, não que isso nos faça um povo nômade, e pouco adaptável, mas sim, pela inquietude, pela coragem de ir de um canto para outro para garantir a sua sobrevivência, abrindo mão até mesmo dos confortos da sedentariedade.
Quem teve a oportunidade de passar pela Rua Lula Gomes durante o Carnaxelita, certamente viram várias redes puídas e encardidas estendidas ao longo das árvores do canteiro central ao lado de velhas e enferrujadas D-20’s e Mercedinhas, de carroceria de madeira, repletas de carrinhos de mão e caixas de isopor cheias de bebidas. Era gente que havia trabalhado, vendendo cerveja e refrigerantes, durante a noite inteira na festa do dia anterior, e que agora descansava ao céu aberto, debaixo do sol quente, para depois voltar a fazer tudo de novo enquanto durasse a micareta curraisnovense.
A imagem das redes velhas e das pessoas sujas e cansadas nelas deitadas, irremediavelmente me remeteu a lembrança dos pobres e miseráveis acampamentos ciganos que já vi na vida, principalmente em se sabendo que tão logo terminasse a festa do Carnaxelita, eles levantarão “suas tentas” e irão acompanhar os trios no percorrer do circuito dos carnavais fora de época em todo o Brasil.
Atentem bem, não estou dizendo que aquelas pessoas são ciganas não, são pessoas como nós, como eu e você, que na luta pelo pão de cada dia se sujeita às intempéries da estrada, pulando de cidade em cidade, em busca da sobrevivência. Seria o espírito cigano, contaminando a brasilidade, imposta pela necessidade de se vislumbrar pelo trabalho árduo e desapegado a terra, na procura de um amanhã melhor.
Por outro lado, para os que não encaram a estrada, ou seja, para os ficam só restam às perguntas que não querem calar. Será realmente que cidade lucra alguma coisa em estar no calendário dos carnavais fora de época? Há algum lucro, em algum setor que não seja o hoteleiro, em ter um carnaval fora de época? Será que as únicas coisas que sobram de uma micareta são ruas com o lixo batendo na canela e fedendo a urina, além de abuso de droga, álcool, e trabalho extra para Polícia?
Cidades grandes e médias, como Recife, João Pessoa e Campina Grande aboliram suas micaretas, porque perceberam que na medição do custo benefício perceberam não ser tão vantajoso assim. Será que ainda vale a pena ter uma micareta hoje em dia?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Brasil no Tabuleiro do Jogo do Mundo

Certo dia, o meu grande amigo Zandro chegou lá no meu local de trabalho e me jogou uma cópia Xerox de uma reportagem da revista de Veja de 14 de julho de 2010, acrescentando provocativamente: “... quero ver você defender o seu governo depois de ler isto...”.
Então comecei a ler a tal reportagem, muito embora soubesse que essa revista não tem mais a credibilidade de outrora, se é que algum dia já teve qualquer credibilidade, pois a postura editorial da Veja e do Grupo Abril é tão parcial e tendenciosa que chega a ser cômica. Mas por curiosidade e também por consideração ao amigo, li a tal matéria.
Nela, certa jornalista, Ana Cláudia Feitosa, com a ferocidade de um cão raivoso latindo avidamente enquanto escorre babas de ira critica a posição política do Itamaraty em se aproximar de pequenos países africanos, alegando em síntese que estes não são democráticos, expelindo rancor em prol de uma liberdade e democracia que pouco consegue definir.
O argumento simplório da revista não mostra que no jogo diplomático internacional existem mais mistérios e entrelinhas do que pode imaginar a nossa vã filosofia.
Não vejo os que criticam o posicionamento do Itamaraty no tabuleiro do jogo político mundial, criticar com a mesma veemência a política americana, nem o “American Way of Life” quando este também ataca, apóia ou financia sanguinárias guerrilhas de direita na África e na Colômbia.
Quando vi a foto de Guillermo Fariñas, que ilustra a dita reportagem, só me lembrei das fotos mais tristes e chocantes das crianças famintas na Etiópia dos anos 1980. Lembrei-me que os rebeldes do Deserto de Ogaden (apoiados exclusivamente pelos EUA) ‘gostavam’ de roubar cargas com ajuda humanitária só para ter o “prazer” de ver o povo passar fome e desestabilizar o governo etíope de então, ligado ao grupo dos não-alinhados.
E nem precisa ir muito longe, no tempo e no espaço, para detectar incongruências na política externa do Tio Sam, pois todos, eu disse todos, os “ridículos tiranos da América católica” (parafraseando Caetano Veloso), inclusive do nosso Brasil 1964-1985, foram bancados e lastreados pelo “maior defensor do mundo livre”, os EUA .
Então embarcar nessa “viagem” de atitude moral, no campo das relações diplomáticas, se não for ridículo, é no mínimo risível.
O Brasil faz bem em ocupar os espaços em branco no mundo, nisso concordo com o ex-ministro do desenvolvimento, Luis Fernando Furlan, Essa é a estrada dos tijolos dourados que temos que percorrer para nos tornarmos uma potência. Se não o fizermos, outros o farão. A China está fazendo isso agora, as potências decadentes do velho mundo (França, GB, Alemanha) já o fizeram, os EUA ainda o fazem. Então, por que não nós?
Mas aí, alguém pode argumentar: “esses países africanos são insignificantes”. Não importa. Espaços vazios existem para ser preenchidos, seja a Guiné Equatorial, ou a Jamaica, ou Santa Lúcia, ou a Suíça ou a França. Temos que tirar dividendos políticos, os dividendos econômicos vêm no rastro, temos que ser pragmaticamente frios como disse o chanceler Celso Amorim (que não é do PT).
O “isolacionismo” pregado pelos conservadores brasileiros mais parece com viralatismo com complexo de inferioridade.
Além do mais, não vou atacar, nem “cuspir no prato” de um modelo de Estado que acho mais justo e equânime, se o modelo de estado que NÃO acho considero justo nem equânime faz igual ou pior.