Rádio CN Agitos - A rádio sem fronteiras!!!

sábado, 10 de maio de 2014

Vai ter copa sim...uma vergonha e um “mea culpa”

Pois é, estamos em maio de 2014 e, apesar de todos os pesares, para fúria dos reaças de plantão que detestam a brasilidade e esperam sempre o pior de tudo em detrimento do nosso país, VAI TER COPA SIM!
A escolha do Brasil como sede dos jogos foi saudada com enorme entusiasmo há quatro anos, e com toda justeza, o “pinçamento” do país como sede de um evento como este era, como não poderia deixar de ser, uma lufada de otimismo. Finalmente o Brasil chegava ao átrio do panteão do 1º mundo.
Já os protestos do ano passado, malevolamente arquitetados por uma oposição vesga, míope, estúpida e infantil, que não sabia, nem sabe, distinguir governo de situação e o país como um todo, ofendendo o segundo pensando atingir o primeiro, os trouxe, ou melhor, nos puxou para o chão da triste e seca constatação que nós ainda estamos longe da entrada primeiro-mundista.
Mas mesmo assim, vai ter copa SIM!
E não me confundam, nem me levem a mal, apesar de eu ser um brasuca-nacionalista-doente-e-inflexível, e apoiar, enquanto cidadão, tanto a copa como a escolha do Rio como sede das olimpíadas de 2016, eu vejo que nós não tivemos e não temos a capacidade, ou melhor digo, a “frieza” organizacional pra ser sede de absolutamente NADA!
A copa está aí, menos de um mês pro início e ainda tem obras inacabadas, estádios não estão prontos, infraestrutura, aeroportos, etc., vixe, nem de longe...
...fomos deixando e deixando...”não, dá tempo...”e fomos deixando.
Pronto! Chegou o ano, chegou o mês, chegou o dia e nada, tudo ainda pra fazer.
Resultado: aditamentos milionários à empreiteiras, operários morrendo a toa nas construções cuja pressa faz esquecer regras básicas de segurança do trabalho e, com certeza, uma saraivada de injustas vaias na cerimônia de abertura.
Injustas vaias? Sim, injustas. A culpa dessa situação não é só do governo. A culpa é minha, é sua, e todo esse país grande, pobre e mestiço, cujo super-herói nacional é Macunaíma.
O que nos destingue enquanto povo, o amor na languidez, por vezes nos destrói, além disto, todo mundo aqui quer vantagem em tudo, o povo do governo, o empresariado do erário, todos querem lucro, todos querem tirar vantagem, e para isso, atrasos propositais não estão fora de cogitação e quem se lasca é a imagem do Brasil ante as demais nações.
Para se ter uma ideia, a Africa do Sul, país que era tido como o mais atrasado em matéria de obas antes da Copa, quando foi sua vez de sediar o evento, o entregou em perfeitas condições bem antes de nós.
Na mesma passada, Atenas, quando hospedou os Jogos Olímpicos, era a cidade-sede mais atrasada, no Rio de Janeiro até hoje, nenhuma obra das para as Olimpíadas de 2016 sequer começo. O COI (Comitê Olímpico Internacional) já decretou até uma intervenção branca, temendo não ter tempo pra fazer o mínimo possível.
Isso é uma vergonha! E não depende de governo, ou política de governo, suponhamos, que saia o PT e entre qualquer outro dos já governou esse país, a situação seria rigorosamente a mesma.
Ser sede de um evento esportivo de grande magnitude como Copa ou Olimpíadas, é a chance de um país de mostrar ao mundo que subiu de nível. Foi assim que com Barcelona (Olimpíadas de 1992) quis se mostrar como grande cidade europeia, foi assim com a China (Olimpíadas de 2008) mostrou ao mundo que que é de fato um país desenvolvido, foi assim com Sochi (Olimpíadas de Inverno de 2014) onde a Rússia mostrou ao mundo que voltou a ser a potência como o era nos tempos em que era a União Soviética. Isso são só alguns exemplos, se olharmos atentamente em toda e qualquer escolha de país ou cidade-sede se tem uma intenção qualquer da nação hospedeira em mostrar, ou dar alguma mensagem sobre si ao mundo.
E nós? Vamos mostrar o que ao mundo?
Poderíamos até ganhar a Copa, mas, o que os nossos visitantes vão pensar quando verem a falta de infraestrutura, e as “gambiarras” que fizemos pra recebê-los?
O nosso jeitinho de brasilidade de curtir a vida sem compromisso e despojado é a nossa bênção, mas na maior parte, uma maldição.
Mas somos assim e eis no nosso 'mea culpa' enquanto povo e nação que aceita essa situação e ainda assim vai pra frente da TV torcer pela seleção canarinho.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma (quase) Ode para o Planeta Kepler 186-f



Exoplanetas. Mundos fora do nosso sistema solar. Quando olhamos para os céus na busca frenética por OVNIs buscamos algo além do mero encantamento de ver um ET. Buscamos a possibilidade de quebrarmos essa nossa solidão cósmica, tocar em objetos e seres que venham de um ambiente totalmente novo, algo que não seja dessa nossa Terra e mostre que a vida pule em todos os recantos do cosmos, ampliando nossas perspectivas ante o infinito da Criação.
Mas OVNIs não existem, pelo menos comprovadamente alienígenas, não. E o negrume do espaço sideral parece negar peremptoriamente que exista vida em outros lugares que não nesse nosso “mundinho azul”. Pelo menos no nosso sistema solar, Mercúrio e Venus são quentes demais; Marte, frio e com atmosfera rarefeita demais, Saturno e Júpiter, gigantes gasosos, nada pode ter lá justamente por serem gasosos; Netuno e Urano, idem. Nada absolutamente nada indica que possa haver vida nas nossas redondezas, pelo menos vida, na forma em que conhecemos.
Eis que aparece Kepler 186-f, um exoplaneta sólido, localizado na zona habitável, aquela que permite a existência de água em forma líquida, imprescindível para propiciar vida (pelo menos vida como a conhecemos, faço questão de frisar mais uma vez), num sistema solar a 500 anos luz do nosso Planeta Terra.
Óbvio que é impossível qualquer forma de contato. E muito menos a confirmação da existência de água líquida na sua superfície e consequentemente confirmação de vida. Mas é absolutamente fascinante, empolgante,  até mesmo excitante a possibilidade que haja um outro lugar nesse espaço infinito em que possa brotar e florescer vida.
E se esta vida evoluir para uma racionalidade? Para uma espiritualidade? Ai sim a empolgação seria ainda maior. E em se supondo que tivéssemos a oportunidade manter contato com essa provável racionalidade alienígena, se por alguma magia tecnológica esses 500 anos luz fossem reduzidos?
Que “humanidade” encontraríamos em Kepler 186-f? Uma com que humilhe e oprima seus semelhantes por causa de posse de bens materiais, classes, castas, nacionalidades? Uma que destrua seu meio-ambiente e leve a extinção outras espécies? Uma que se julgue superior aos demais e as aniquile? Uma que, enfim, não se mostre digna de usufruir de um oásis cósmico, preferindo se consumir de forma irracional e insana?
Se for assim, nada teríamos a perder, pois isto somos nós, pequeninos e patéticos Homo Sapiens que não cuida do nosso “pálido ponto azul” como deveríamos cuidar. Prefiro crer que lá habitem seres excelsos, superiores, melhores moralmente e racionalmente do que nós. Seres que respeitem o meio ambiente e não o destrua em benefício próprio, seres que não oprimam seus semelhantes nem os escravizem, seres que não desmatem, não cacem nem levem a extinção dezenas de espécies a seu bel-prazer.
Prefiro crer que a sanha da racionalidade não seja o suicídio ou a autodestruição, mas sim a evolução em todas as suas formas. Prefiro sonhar que em outros mundos possa haver o paraíso, pois o que há nesse nosso mundo nada mais é do que pequenas amostras do que pode ser um pequenino inferno.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um País de Bananas (podres)



Não! O Brasil não é o país da impunidade! Muito pelo contrário, o Brasil pune, e pune com severidade, aqueles que transgridem a lei. Não! As leis no Brasil  não são frouxas! Esse sujeito que escreveu isto só pode ser louco ou desinformado, com certeza deve pensar o leitor. Como pode dizer que o Brasil não é o país da impunidade, se a comissão de constituição e justiça do Senado vetou a diminuição da maioridade penal. Como dizer que há severidade, se a edição da Veja ( revista sempre “prestimosa” e “imparcial”) trouxe a absolvição dos ditos mensaleiros no crime de formação de quadrilha? Pois eu afirmo que, não obstante os dois casos pontuais acima relatados, em regra, o direito brasileiro é duro.

Por outro lado, existe um país que abraça a impunidade com um vigor intenso, e esse país não é o nosso Brasil. Esse país é o verdadeiro paraíso da impunidade, é uma terra onde os garantismos exacerbados dos pseudo-direitos humanos atinge níveis insuportáveis, e se engana quem pensa que é qualquer republiqueta africana ou latino-americana católica, é um reino, e europeu, cuja população é branca nórdica, e que se diz instruída, altos índices de IDH! O Reino da Noruega. A Noruega é o verdadeiro país da impunidade!

Julho de 2011,  o militante da extrema-direita norueguesa, Anders Breivik, tinha algo nefasto na sua podre e fétida mente. Ele explodiu uma bomba perto da sede do governo na capital Oslo, matando 8 pessoas. Naquele instante, alguns já se precipitaram em dizer: “foram terroristas árabes”. Mas não foram terroristas árabes, foi o branquelo Anders Breivik quem fez, mas muito mais do que explodir uma bomba e por culpa nos islamitas, ele tinha coisa muito pior na sua mente doentia e depravada, pois enquanto as forças de segurança norueguesas corriam em peso ao local das explosões, o doente demônio Anders Breivik se dirigiu até a ilha de Utoya, não muito longe de Oslo, onde lá havia uma colônia de férias para crianças, filhas de membros do Partido Trabalhista norueguês. Chegando nesta ilha, Anders Breivik, armado de uma metralhadora, assassinou nada menos que 69 crianças, entre 10 a 15 anos. Existem relatos que muitas morreram abraçadas, amedrontadas, chorando, nos seus rostos sem vida jaziam uma expressão de medo, dor e pavor. Anders Breivik foi cruel e impiedoso, metralhava seguidamente, tinha vários cartuchos que trocava da sua arma a medida que um se esgotava, as que tentava fugir a nado, as que se escondia por trás das cortinas ou debaixo das mesas, todas, absolutamente todas perversamente dilaceradas. Algumas tentaram ligar para a polícia, mas as autoridades estavam  concentrados no atendimento das vítimas das bombas no centro de Oslo. Na verdade Anders Breivik tinha este objetivo quando colocou as bombas no centro administrativo de Oslo, era justamente para desviar a polícia enquanto matava as crianças  em Utoya.

Anders Breivik não foi capturado, ele se entregou por livre vontade, queria ser visto como um herói da direita escandinava.  Alegou que matou as crianças, filhos dos membros do partido trabalhista justamente para “evitar que elas crescessem e se tornassem eleitores da esquerda”. E 69 inocentes pagaram com a vida, 69 sonhos deixaram de ser realizados, 69 vidas ceifadas por  conta de uma besteira de um louco.

Anders Breivik foi julgado e condenado (não podia ser diferente) pegou a pena máxima que pode ser aplicada na Noruega, 21 anos, se consideramos que ele matou 77 pessoas (8 no atentado a bomba, mais as 69 crianças), a pena daria 0,272 ano pra cada vítima, mais ou menos 200 dias, ou seja, menos de um ano. Isso é muito pouco. Se fosse no Brasil não pegaria menos do que 30 anos, sem levar em consideração todas as agravantes previstas na nossa lei.

Mas isso não ainda tudo, Anders Breivik exigiu que na sua cela um Playstation 3 à sua disposição  “com acesso a jogos para adultos” que possa escolher, bem como a troca da sua cadeira de escritório “dolorosa” por um sofá. Exigiu ainda o fim das revistas diárias, o acesso a um computador pessoal mais recente, que seu café fosse sempre bem quente, além um aumento do salário semanal, que todo detento norueguês recebe, de 300 coroas (36 euros). Não é preciso dizer que TODAS as exigências de Anders Breivik foram prontamente atendidas, em nome dos direitos humanos.

Eu particularmente adoraria ver  Anders Breivik detido em Alcaçuz...

Mesmo com tudo isso, esperava-se que houvesse algo como uma comoção nacional na Noruega, e que a terra civilizada, berço de Grieg e Ibsen, mostrasse certa superioridade moral, mas não, nas eleições que houve pouco depois dos atentados, o Partido Conservador (de Direita) ganhou as eleições com uma larga margem de votos. A maioria naquela nação dita avançada subscreveu, foi cúmplices na morte daquelas crianças.

Toda vez que eu ver um norueguês, vou ver antes de tudo um pulha, um abestalhado, patético, banana e ridículo, para não dizer também biltre, mau caráter, um monstro estúpido que se esconde na pseudo-urbanidade de uma pele branca.

Falando nisso, o próprio  Anders Breivik publicou vários textos na Internet, antes dos atentados, fazendo menção do Brasil. Dizia ele que o nosso país está fadado ao fracasso devido ao nosso “alto grau de mestiçagem”.

Certamente  Anders Breivik não comparou o PIB do Brasil, ou da China, ou da Índia (outras “sub-raças” como ele mesmo diz) com o PIB da sua patética e pálida Noruega.

Diante disso, convido os leitores a pensar duas vezes, antes de encherem a boca e dizer que o Brasil é o país da impunidade.

Como disse antes, adoraria ver  Anders Breivik detido em Alcaçuz.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O chilique da pseudo estrela




Currais Novos não tinha carnaval. A cidade ficava ‘morta’ literalmente sem vida durante os festejos de Momo. Quem tinha dinheiro ia pra o litoral ou pra destinos tradicionais da folia, Recife, Olinda, até Salvador. E quem não tinha dinheiro também ia, se endividava, fazia o que fosse, mas ia embora, ninguém ficava aqui. E assim, involuntariamente, Currais Novos ia se tornando uma cidade-retiro. Enquanto isso, Caicó a eterna rival pela hegemonia seridoense, consolidava ( e ainda consolida) seu carnaval. Até que um dia, um punhado de artistas locais, mais a mídia e com o apoio do povo e suporte (mesmo que relutante) do comércio e entes governamentais,  decidiram dar um ‘basta’ e criar um carnaval diferenciado, sem os “apelos grafiteiros”, nem as batidas monótonas das swingueiras (quer queria, quer não, é quase um imã pra violências de rua), e deram-lhe um nome: “Arrastão do Boi”, e um objetivo: “ser um carnaval cultural”, com resgate das nostálgicas marchinhas e coisas novas, de bom gosto, com a coadjuvância   do boi do Trangola.
Eu vi como foi difícil, digo de cátedra, pois minha esposa protagonizou e acompanhou o projeto desde o seu gênesis. Percebi o quão difícil foi e é, principalmente numa terra como Currais Novos, naturalmente relutante ao novo e ao intrépido, mas no fim das contas foi um sucesso, as pessoas aderiram, houve festa e alegria, e principalmente nenhuma ocorrência policial grave, e somente uma nota triste, o chilique da pseudo-proto estrela que se autodenomina Khystal (não sei pra que tanta consoante pra dizer “Cristal”, deve ser coisa de gentalha  americanalhada).
Eu não estive lá (ainda bem) mas fontes fidedignas disseram que ela saiu esculhambando meio-mundo, e o adjetivo mais leve que ela usou pra se referir a festa foi “merda”. O palco não prestava, o som ruim, e outras coisas que não vale a pena reproduzir.
Falta de consciência da cantora que aprendi a admirar pelo teor engajado e postura combativa, a quem passei a repudiar (e agora desprezar) pois sua atitude aqui, não correspondia ao que dizia a letra de suas canções. “ Minha bandeira é a da força de vontade...pois to pra fugir das amarras da padronização”, mas pelo que vi, as tais amarras já a prenderam. Será que algumas meras apresentações num reality show da Globo foram suficientes pra enchê-la de ego? Ou será fraqueza de caráter? Falta de personalidade? Desequilíbrio psicológico? Quem sabe?
Não sei, só sei que foi feio, muito feio. Como é feio cuspir num prato que já comeu, destratar quem pagou prontamente um cachê combinado, feio para com os fãs, feio para os organizadores que fizeram das tripas coração para que o evento fosse concretizado. Acima de tudo, feio para o povo, feio para a cidade que a acolheu de braços abertos. A arrogância é uma coisa feia.
O artista deve ter a sensibilidade de perceber que o público que vai a um Carnegie Hall é o mesmo que vai a casa-show de Pirapora do Bom Jesus e que ambos merecem respeito e que ambos gostam e querem ver o mesmo artista que se apresenta. “...todo artista tem que ir aonde o povo estar...” sábias palavras, Milton Nascimento!
A cantora Cristal deveria se tocar que ela não tem a beleza nem o apelo para lotar uma “Du Rei”. O seu público é aquele, e se ela o ofende, ela tira de si própria o seu ganha-pão, se é que ela tem a ilusão de viver dos ganhos do seu canto.
Só sei que, definitivamente deixei de ser fã de Cristal, percebi que sua garra potiguar, sua personalidade, humildade e suas letras bem feitas, eram todas da boca pra fora, mentiras vazias, traduzindo uma verdade que não corresponde a ela própria.
“De que lado mora seu preconceito”, Cristal, “De que lado mora seu preconceito”?

domingo, 5 de janeiro de 2014

o fracasso ronda o Brasil

Há uns dois ou três anos, mais ou menos na época do Natal chegou na cidade um enorme caminhão, como que querendo se fazer como um presente. Na sua lateral estava escrito: “Cinema Mágico, levando cinema para as comunidades remotas do país” (sic). Era patrocinado por uma gigantesca multinacional de produtos de higiene ( e seu indefectível sabonete Antibacteriano).

Até ai, tudo bem, apesar dos pesares, a empresa deve ter 'pensado': “uma cidade com o nome de Currais Novos deve ser um rincão atrasado do país e seus pobres habitantes nunca viram cinema antes”. Mesmo isso sendo extremamente ofensivo aos briosos e orgulhosos habitantes locais, essa se deixa passar, afinal, neste particular tenha uma certa boa intenção por partes deles (muito embora o inferno esteja cheio de boas intenções).

Mas o que me deixou irado, possesso de raiva, naquele momento, foi ver escrito na lateral do caminhão a frase “projeto apoiado pelo Ministério da Cultura”, com certeza tinha verba federal ali, cofinanciado uma propaganda subliminar de uma grande multinacional, sob o pretexto de ajudar a cultura (como todos sabem, cinema é cultura, óbvio), isso seria até justificável, também, se não fosse o filme que eles iam passar: Cinema Mágico DISNEY! Era dinheiro meu, seu, dado de mãos beijadas a uma multinacional de produtos de higiene para comprar filme de outra multinacional do entretenimento, e nem uma, nem a outra, precisavam desse dinheiro, era lucro líquido e certo pra eles. O que revolta, ainda mais, é saber que no Brasil existem excelentes produções de desenhos animados que precisam de apoio e verba em dinheiro para progredir, e ESTAS VERBAS estavam sendo dadas de graça ao estrangeiro.

O que me fez remoer esse mágoa in-apercebido do passado? A súbita constatação de que o Brasil e nós brasileiros fomos e somos fadados a ser um país periférico pelo resto da existência. Jamais seremos um grande “player” nos tabuleiros internacionais. E particularmente me doí constatar isso, principalmente sabendo-se do imenso amor que tenho por esta nação. E nem se empolguem os reaças e neo-reaças de plantão, não mudei minha opinião política, continuo de esquerda (perigoso dizer isto quando fantasmas de golpe de estado rondam por ai), e continuo apoiando o governo e ainda considerando-o o melhor que essa terra já teve. Mas mesmo com tudo isso, parece que a senda do fracasso pavimenta o caminho que trilha o Brasil.

Para ser potência, tem que pensar alto, ser calculista, frio, direto, ambicioso custe o que custar, o Brasil não é assim, aqui é tudo mole, frouxo, prefere soltar grama pra coisas reconhecidas, do que avaliar, até possíveis riscos em empreendimentos mais ousados e porque não até inéditos, mas essencialmente nacionais.

Outro exemplo claro, foi a recente escolha do novo avião de caça da FAB, optou-se pelo modelo mais barato, o Gripen NG (sueco) ao invés de ter pego o modelo mais avançado tecnologicamente o Rafale (francês). Os militares tem visão curta, ou querem ter visão curta, pois quem tem o Pré-Sal e a Floresta Amazônica, deve ser saber que enche de olho gordo por parte dos Estados Unidos da América, e botar, num eventual e hipotético conflito entre as nações, os avançadíssimos F-35 americanos dão uma surra de cambão nos “pé-de-burro” Gripen NG (aviõeszinhos mais baratos).

O empresariado brasileiro não tem ambição, qualquer empresa brasileira que chega a crescer um pouquinho, logo é vendida para corporações internacionais. Vários países do mesmo porte e PIB do Brasil tem inúmeras empresas multinacionais, basta o exemplo da Coreia do Sul, país menor, com riquezas menores tem a Samsung, LG, Daewoo, Hyundai, até a Indonésia e a África do Sul tem empresas multinacionais, já a única empresa multinacional brasileira com êxito no exterior é a Igreja Universal do Reino de Deus...

A Petrobras era a maior petroleira na Bolívia e em Angola, foi destituída desses países, nacionalizada no primeiro e absorvida no segundo, sem a menor cerimônia e não se fez nada para evitar ou mesmo minimizar o prejuízo.

A elite brasileira é preguiçosa, colonizada e corrupta; a classe média é manipulada e perdida; e o povo já sofre demais para se querer lhe colocar qualquer responsabilidade a mais pela falta de êxito do país.

Como eu disse antes, os fantasmas de um golpe de estado já rondam por ai, vários protestos e manifestações “espontâneas” já foram marcados para meados do ano, durante a Copa, com objeto único e precípuo de destabilizar a ordem democrática. E quem está louco para tomar o Planalto de assalto é justamente essa gente pequena, fraca, que prefere babar os ovos dos europeus (mesmo em crise) e dos americanos e que detesta a terra brasileira tal qual Carlota Joaquina. Gente (se é que se pode chamar isso de Gente) que não hesita em queimar, literalmente e de público, a bandeira nacional, e pichar e destruir um Monumento a Zumbi dos Palmares em nome de uma “diarréica” liberdade que não existe. Esse gente criou e cria o caminho que leva o país ao fracasso.

sábado, 4 de janeiro de 2014

QUATRO GAROTOS DE LIVRAMENTO (primeira parte/ ou “um resumo do que virá”)


Há muito tempo, na cidade de Livramento, interior do estado da Paraíba, quatro cabras jovens se reuniram pra fazer música. Eles tinham acabado de concluir o científico (atual ensino médio), estavam desempregados, não tinham o que fazer, não queriam, nem podiam viver ainda sob os auspícios de suas empobrecidas famílias, não tinham habilidade específica pra nenhum trabalho, a não ser ses dons naturais para a música. Em casa ouviam muito Luiz Gonzaga, o rei do baião, além de grupos como Os Três do Nordeste e um pouco de Jackson do Pandeiros.

Como eu disse, eles eram quatro: João Lemos, no triângulo, Paulo Macário no acordeon, Jorge Henrique no violão, e Ricardo Siqueira no zabumba. João era o mais inteligente de todos, politizado, culto, dono de um humor mordaz, não deixava de puxar um briga se considerasse que algo estava errado; Paulo fazia o tipo romântico, a maioria das músicas do grupo era de autoria dele, e as letras eram extremamente “açucaradas” cheias de metáforas de amor; Jorge era um músico excepcional, mas era metido a místico, dizem que de vez em quando ele tinha umas visagens da Jurema Sagrada; Ricardo era o tipico cara gente boa, o amigo de todo mundo, se dava ( e ainda se dar) bem com qualquer pessoa, ele era descendente de ciganos e adorava usar aneis em todos os dedos e um pesado colar com uma grande estrela de Davi dependurada, por isso deram a ele o apelido de Anelo Estrela.

Todos os finais de semana eles tocavam à no sítio Taverna, até que um dia um locutor de uma FM de Recife os viu tocar e os convidou para ir à capital pernambucana para se apresentar.

Vixe. Eles toparam na hora, e fizeram bem, foi sucesso imediato, todo mundo gostava do forrozinho pé-de-serra que eles apresentaram e mais com as letras românticas de Paulo caíram bem nos gostos de todos, do universitário ao analfabeto, do brega ao clássico, da elite ao povão. Todos, absolutamente todos, gostavam do som dos Bisouros ( sim, esse era o nome do grupo) isso porque eles costumavam ensaiar no pátio da quadra poliesportiva lá de Livramento, até que um dia um enxame os atacou e assim eles ficaram conhecidos como os “menino que levaro uma carreira dos bisouro” e assim ficou.

Em Recife eles gravaram um CD que, que mesmo com toda pirataria e 'downloads' ilegais pela net, vendeu feito água. Mal a bolacha prateada de plástico chegava às lojas, esgotava. E a agenda de shows estava mais que lotada. Tinha apresentação em todo o Nordeste, chegou ao ponto de ser marcado duas apresentações no mesmo horário mas em cidades diferentes (e como se resolvia isto?), numa das cidades se montava um telão e nele passava as imagens do DVD dos Bisouros do Forró, e a galera nem se importava e ia do mesmo jeito.

Eles foram pra São Paulo, fizeram aparições em todos os programas de TV, audiência GARANTIDA. E finalmente os Bisouros conquistaram o Sul e o Sudeste com o forró. Paulistas, gaúchos e sulistas em geral esqueceram suas tradições, seus fandangos e vanerões e aderiram com tudo ao velho e bom pé de serra.
Mas a verdade é que o bom, nem sempre dura e se dura, exige muito de quem o cria, e com os Bisouros não suportaram o peso do sucesso e os egos inflados dos competentes, tudo, enfim, contribuiu para aumentar a tensão entre os componentes. Eles disseram que não iam mais fazer shows, iam só gravar Cds. Os fãs ficaram decepcionados, mas mesmo assim a legião só aumentava.

Até que num belo dia, as pressões sobre os meninos, a demanda por mais e mais coisas novas, o cansaço das relações interpessoais e artísticas desgastadas entre os componentes do grupo foi forte demais e eles acabaram o grupo.

João se mudou para São Paulo, casou com uma nissei do Bairro da Liberdade, e acabou assassinado em circunstâncias estranhíssimas. Paulo continuou com carreira solo, cantando as músicas consagradas dos Bisouros e alguns canções novas, era a melhor maneira dos fãs que não tiveram o previlégio de ver os quatro reunidos, ouvir pelo menos na voz de ao menos um dos integrantes. Jorge continuou com suas vezes de místico, tocava violão durante cultos do Santo Daime, até que foi acometido de um linfoma e faleceu numa cidadezinha do interior de Minas Gerais próximo ao Céu (como é assim chamadas as 'Igrejas' do Santo Daime) que ele frequentava, e acabou indo pra o Céu (paraíso) de verdade. Anelo voltou pra Livramento, abriu um Lan House e está feliz da vida até hoje continuando sendo amigo de todo mundo.

A história dos Bisouros do Forró só mostra duas coisas. Primeira: se você quiser ser eternizado, largue o que você está fazendo, quando estiver no auge (Pelé fez isso muito bem, já Ronaldo, não). Segunda: não adianta cobrar novos clássicos de quem já fez coisas boas demais.




Campina Grande / PB

MINHA ROMA ANTIGA
MINHA LONDRES VITORIANA
MINHA METRÓPOLE SONHADA
MINHA SÃO PAULO IDEALIZADA


MINHA CIDADE QUERIDA
MINHAS RUAS ANTIGAS
AMOR NÃO CORRESPONDIDO
MEUS DESEJOS PERDIDOS

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O ONTEM E O HOJE (PRÓLOGO E EPÍLOGO DE UMA REBELDIA)



O ano era 1989. O último do governo Sarney. Outra era, outro século, outros tempos, o Brasil era outro, olhando sob o prisma atual, parecia até outro país. Aliás, o mundo era outro também, havia ainda a polaridade entre a Rússia Soviética e os Estados Unidos da América (muito embora estivesse nos seus estertores, pois o presidente americano George Bush já anunciava e cantava a vitória na Guerra fria).
Nas ruas Monzas, Escorts e Chevettes ganhavam a companhia do BR-800, da Gurgel, o primeiro carro 100% brasileiro que era uma promessa de uma carro popular absolutamente nacional. Na televisão os programas abusavam do nu frontal, saudando o fim da censura; nas rádios imperava o “fricote” de Luis Caldas; e ainda se viajava pela Vasp e Transbrasil; havia Embrafilme, estatais; inflação com três dígitos e uma recessão severa. Chegou até a ter saques e depredação nas ruas e nas frentes de emergência, o povo sofrido se revoltava e ainda era “suavemente” reprimido.
Como disse, o Brasil era outro, e já se vão mais de 20 anos, mas eu me lembro bem daquele ano de inverno bom e de boas chuvas, pelo menos na minha Paraíba natal. Eu ainda estava extasiado ouvindo o ótimo LP (CD era coisa rara naquele tempo) de estreia de Marisa Monte, enquanto se respirava esperança: o país ia votar para presidente!
Me lembro de um programa do Fausto Silva, que também estreara naquele ano, um certo cantor de rock brasileiro, Lobão, falar no intervalo de uma música e outra em sua apresentação: “vamo’ votar na esquerda, em Roberto Freire, em Lula, temo’ que mudar isso tudo aí...” (sic). Me lembro de um constrangido Faustão correr e chamar os comerciais imediatamente, afinal, e emissora Globo apoiava um candidato, o Collor; além disto era proibida a propaganda fora do horário específico, pelo menos naquele momento.
Lula não ganhou aquele ano e as consequências desta história todos sabem. Coincidência ou não de 1989 pra cá, a carreira de Lobão desceu ladeira abaixo, lançou mais alguns discos, sem muito sucesso, abriu uma gravadora que durou pouco tempo, enveredou pelo samba (nem ele gostou da experiência), acabou apresentando programa na falecida MTV.
Melhor do que ninguém, Lobão sentiu na pele o peso de contrariar os interesses da grande mídia e o que ela representa, dentro do seu quintal. Hoje Lobão vocifera contra o governo, incorpora a opinião e a posição do que a elite brasileira pensa, e como prêmio ganha uma coluna na Veja (que prêmio! Principalmente para um artista desempregado...).
Lobão, e outros de sua geração incorpora bem o que se convencionou chamar de neo-reaças, gente que antes juravam ser progressista, “pra-frente”, avançada e hoje pensa exatamente como os pais (parafraseando aquela música de Belchior). Das duas uma, ou a geração do rock brasileiro envelheceu e suas mentes envelheceram, ou o “modernismo” dela era só moda, e hoje, a moda é ser reacionário, e querer de volta uma velha ordem a que eles mesmo se rebelaram antes.
Mas o que mais incomoda não é exatamente isso, é a falta de proposta. Se você diz que o que está ai estar errado, espera-se, no mínimo que você tenha uma ideia melhor para implementar e que esteja bem guardada dentro da manga; não é isto? Mas pior é que nem isso se tem. Semana passada vi na TV um repórter perguntar a Lobão, se o PT não presta, qual é a sua posição pra uma renovação? Resposta de Lobão: “...minha proposta é vão tomar no c....” isso é o que pensam os “neo-reaça”, e proposta para um futuro que é bom....nada...