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quarta-feira, 5 de março de 2014

O chilique da pseudo estrela




Currais Novos não tinha carnaval. A cidade ficava ‘morta’ literalmente sem vida durante os festejos de Momo. Quem tinha dinheiro ia pra o litoral ou pra destinos tradicionais da folia, Recife, Olinda, até Salvador. E quem não tinha dinheiro também ia, se endividava, fazia o que fosse, mas ia embora, ninguém ficava aqui. E assim, involuntariamente, Currais Novos ia se tornando uma cidade-retiro. Enquanto isso, Caicó a eterna rival pela hegemonia seridoense, consolidava ( e ainda consolida) seu carnaval. Até que um dia, um punhado de artistas locais, mais a mídia e com o apoio do povo e suporte (mesmo que relutante) do comércio e entes governamentais,  decidiram dar um ‘basta’ e criar um carnaval diferenciado, sem os “apelos grafiteiros”, nem as batidas monótonas das swingueiras (quer queria, quer não, é quase um imã pra violências de rua), e deram-lhe um nome: “Arrastão do Boi”, e um objetivo: “ser um carnaval cultural”, com resgate das nostálgicas marchinhas e coisas novas, de bom gosto, com a coadjuvância   do boi do Trangola.
Eu vi como foi difícil, digo de cátedra, pois minha esposa protagonizou e acompanhou o projeto desde o seu gênesis. Percebi o quão difícil foi e é, principalmente numa terra como Currais Novos, naturalmente relutante ao novo e ao intrépido, mas no fim das contas foi um sucesso, as pessoas aderiram, houve festa e alegria, e principalmente nenhuma ocorrência policial grave, e somente uma nota triste, o chilique da pseudo-proto estrela que se autodenomina Khystal (não sei pra que tanta consoante pra dizer “Cristal”, deve ser coisa de gentalha  americanalhada).
Eu não estive lá (ainda bem) mas fontes fidedignas disseram que ela saiu esculhambando meio-mundo, e o adjetivo mais leve que ela usou pra se referir a festa foi “merda”. O palco não prestava, o som ruim, e outras coisas que não vale a pena reproduzir.
Falta de consciência da cantora que aprendi a admirar pelo teor engajado e postura combativa, a quem passei a repudiar (e agora desprezar) pois sua atitude aqui, não correspondia ao que dizia a letra de suas canções. “ Minha bandeira é a da força de vontade...pois to pra fugir das amarras da padronização”, mas pelo que vi, as tais amarras já a prenderam. Será que algumas meras apresentações num reality show da Globo foram suficientes pra enchê-la de ego? Ou será fraqueza de caráter? Falta de personalidade? Desequilíbrio psicológico? Quem sabe?
Não sei, só sei que foi feio, muito feio. Como é feio cuspir num prato que já comeu, destratar quem pagou prontamente um cachê combinado, feio para com os fãs, feio para os organizadores que fizeram das tripas coração para que o evento fosse concretizado. Acima de tudo, feio para o povo, feio para a cidade que a acolheu de braços abertos. A arrogância é uma coisa feia.
O artista deve ter a sensibilidade de perceber que o público que vai a um Carnegie Hall é o mesmo que vai a casa-show de Pirapora do Bom Jesus e que ambos merecem respeito e que ambos gostam e querem ver o mesmo artista que se apresenta. “...todo artista tem que ir aonde o povo estar...” sábias palavras, Milton Nascimento!
A cantora Cristal deveria se tocar que ela não tem a beleza nem o apelo para lotar uma “Du Rei”. O seu público é aquele, e se ela o ofende, ela tira de si própria o seu ganha-pão, se é que ela tem a ilusão de viver dos ganhos do seu canto.
Só sei que, definitivamente deixei de ser fã de Cristal, percebi que sua garra potiguar, sua personalidade, humildade e suas letras bem feitas, eram todas da boca pra fora, mentiras vazias, traduzindo uma verdade que não corresponde a ela própria.
“De que lado mora seu preconceito”, Cristal, “De que lado mora seu preconceito”?

domingo, 5 de janeiro de 2014

o fracasso ronda o Brasil

Há uns dois ou três anos, mais ou menos na época do Natal chegou na cidade um enorme caminhão, como que querendo se fazer como um presente. Na sua lateral estava escrito: “Cinema Mágico, levando cinema para as comunidades remotas do país” (sic). Era patrocinado por uma gigantesca multinacional de produtos de higiene ( e seu indefectível sabonete Antibacteriano).

Até ai, tudo bem, apesar dos pesares, a empresa deve ter 'pensado': “uma cidade com o nome de Currais Novos deve ser um rincão atrasado do país e seus pobres habitantes nunca viram cinema antes”. Mesmo isso sendo extremamente ofensivo aos briosos e orgulhosos habitantes locais, essa se deixa passar, afinal, neste particular tenha uma certa boa intenção por partes deles (muito embora o inferno esteja cheio de boas intenções).

Mas o que me deixou irado, possesso de raiva, naquele momento, foi ver escrito na lateral do caminhão a frase “projeto apoiado pelo Ministério da Cultura”, com certeza tinha verba federal ali, cofinanciado uma propaganda subliminar de uma grande multinacional, sob o pretexto de ajudar a cultura (como todos sabem, cinema é cultura, óbvio), isso seria até justificável, também, se não fosse o filme que eles iam passar: Cinema Mágico DISNEY! Era dinheiro meu, seu, dado de mãos beijadas a uma multinacional de produtos de higiene para comprar filme de outra multinacional do entretenimento, e nem uma, nem a outra, precisavam desse dinheiro, era lucro líquido e certo pra eles. O que revolta, ainda mais, é saber que no Brasil existem excelentes produções de desenhos animados que precisam de apoio e verba em dinheiro para progredir, e ESTAS VERBAS estavam sendo dadas de graça ao estrangeiro.

O que me fez remoer esse mágoa in-apercebido do passado? A súbita constatação de que o Brasil e nós brasileiros fomos e somos fadados a ser um país periférico pelo resto da existência. Jamais seremos um grande “player” nos tabuleiros internacionais. E particularmente me doí constatar isso, principalmente sabendo-se do imenso amor que tenho por esta nação. E nem se empolguem os reaças e neo-reaças de plantão, não mudei minha opinião política, continuo de esquerda (perigoso dizer isto quando fantasmas de golpe de estado rondam por ai), e continuo apoiando o governo e ainda considerando-o o melhor que essa terra já teve. Mas mesmo com tudo isso, parece que a senda do fracasso pavimenta o caminho que trilha o Brasil.

Para ser potência, tem que pensar alto, ser calculista, frio, direto, ambicioso custe o que custar, o Brasil não é assim, aqui é tudo mole, frouxo, prefere soltar grama pra coisas reconhecidas, do que avaliar, até possíveis riscos em empreendimentos mais ousados e porque não até inéditos, mas essencialmente nacionais.

Outro exemplo claro, foi a recente escolha do novo avião de caça da FAB, optou-se pelo modelo mais barato, o Gripen NG (sueco) ao invés de ter pego o modelo mais avançado tecnologicamente o Rafale (francês). Os militares tem visão curta, ou querem ter visão curta, pois quem tem o Pré-Sal e a Floresta Amazônica, deve ser saber que enche de olho gordo por parte dos Estados Unidos da América, e botar, num eventual e hipotético conflito entre as nações, os avançadíssimos F-35 americanos dão uma surra de cambão nos “pé-de-burro” Gripen NG (aviõeszinhos mais baratos).

O empresariado brasileiro não tem ambição, qualquer empresa brasileira que chega a crescer um pouquinho, logo é vendida para corporações internacionais. Vários países do mesmo porte e PIB do Brasil tem inúmeras empresas multinacionais, basta o exemplo da Coreia do Sul, país menor, com riquezas menores tem a Samsung, LG, Daewoo, Hyundai, até a Indonésia e a África do Sul tem empresas multinacionais, já a única empresa multinacional brasileira com êxito no exterior é a Igreja Universal do Reino de Deus...

A Petrobras era a maior petroleira na Bolívia e em Angola, foi destituída desses países, nacionalizada no primeiro e absorvida no segundo, sem a menor cerimônia e não se fez nada para evitar ou mesmo minimizar o prejuízo.

A elite brasileira é preguiçosa, colonizada e corrupta; a classe média é manipulada e perdida; e o povo já sofre demais para se querer lhe colocar qualquer responsabilidade a mais pela falta de êxito do país.

Como eu disse antes, os fantasmas de um golpe de estado já rondam por ai, vários protestos e manifestações “espontâneas” já foram marcados para meados do ano, durante a Copa, com objeto único e precípuo de destabilizar a ordem democrática. E quem está louco para tomar o Planalto de assalto é justamente essa gente pequena, fraca, que prefere babar os ovos dos europeus (mesmo em crise) e dos americanos e que detesta a terra brasileira tal qual Carlota Joaquina. Gente (se é que se pode chamar isso de Gente) que não hesita em queimar, literalmente e de público, a bandeira nacional, e pichar e destruir um Monumento a Zumbi dos Palmares em nome de uma “diarréica” liberdade que não existe. Esse gente criou e cria o caminho que leva o país ao fracasso.

sábado, 4 de janeiro de 2014

QUATRO GAROTOS DE LIVRAMENTO (primeira parte/ ou “um resumo do que virá”)


Há muito tempo, na cidade de Livramento, interior do estado da Paraíba, quatro cabras jovens se reuniram pra fazer música. Eles tinham acabado de concluir o científico (atual ensino médio), estavam desempregados, não tinham o que fazer, não queriam, nem podiam viver ainda sob os auspícios de suas empobrecidas famílias, não tinham habilidade específica pra nenhum trabalho, a não ser ses dons naturais para a música. Em casa ouviam muito Luiz Gonzaga, o rei do baião, além de grupos como Os Três do Nordeste e um pouco de Jackson do Pandeiros.

Como eu disse, eles eram quatro: João Lemos, no triângulo, Paulo Macário no acordeon, Jorge Henrique no violão, e Ricardo Siqueira no zabumba. João era o mais inteligente de todos, politizado, culto, dono de um humor mordaz, não deixava de puxar um briga se considerasse que algo estava errado; Paulo fazia o tipo romântico, a maioria das músicas do grupo era de autoria dele, e as letras eram extremamente “açucaradas” cheias de metáforas de amor; Jorge era um músico excepcional, mas era metido a místico, dizem que de vez em quando ele tinha umas visagens da Jurema Sagrada; Ricardo era o tipico cara gente boa, o amigo de todo mundo, se dava ( e ainda se dar) bem com qualquer pessoa, ele era descendente de ciganos e adorava usar aneis em todos os dedos e um pesado colar com uma grande estrela de Davi dependurada, por isso deram a ele o apelido de Anelo Estrela.

Todos os finais de semana eles tocavam à no sítio Taverna, até que um dia um locutor de uma FM de Recife os viu tocar e os convidou para ir à capital pernambucana para se apresentar.

Vixe. Eles toparam na hora, e fizeram bem, foi sucesso imediato, todo mundo gostava do forrozinho pé-de-serra que eles apresentaram e mais com as letras românticas de Paulo caíram bem nos gostos de todos, do universitário ao analfabeto, do brega ao clássico, da elite ao povão. Todos, absolutamente todos, gostavam do som dos Bisouros ( sim, esse era o nome do grupo) isso porque eles costumavam ensaiar no pátio da quadra poliesportiva lá de Livramento, até que um dia um enxame os atacou e assim eles ficaram conhecidos como os “menino que levaro uma carreira dos bisouro” e assim ficou.

Em Recife eles gravaram um CD que, que mesmo com toda pirataria e 'downloads' ilegais pela net, vendeu feito água. Mal a bolacha prateada de plástico chegava às lojas, esgotava. E a agenda de shows estava mais que lotada. Tinha apresentação em todo o Nordeste, chegou ao ponto de ser marcado duas apresentações no mesmo horário mas em cidades diferentes (e como se resolvia isto?), numa das cidades se montava um telão e nele passava as imagens do DVD dos Bisouros do Forró, e a galera nem se importava e ia do mesmo jeito.

Eles foram pra São Paulo, fizeram aparições em todos os programas de TV, audiência GARANTIDA. E finalmente os Bisouros conquistaram o Sul e o Sudeste com o forró. Paulistas, gaúchos e sulistas em geral esqueceram suas tradições, seus fandangos e vanerões e aderiram com tudo ao velho e bom pé de serra.
Mas a verdade é que o bom, nem sempre dura e se dura, exige muito de quem o cria, e com os Bisouros não suportaram o peso do sucesso e os egos inflados dos competentes, tudo, enfim, contribuiu para aumentar a tensão entre os componentes. Eles disseram que não iam mais fazer shows, iam só gravar Cds. Os fãs ficaram decepcionados, mas mesmo assim a legião só aumentava.

Até que num belo dia, as pressões sobre os meninos, a demanda por mais e mais coisas novas, o cansaço das relações interpessoais e artísticas desgastadas entre os componentes do grupo foi forte demais e eles acabaram o grupo.

João se mudou para São Paulo, casou com uma nissei do Bairro da Liberdade, e acabou assassinado em circunstâncias estranhíssimas. Paulo continuou com carreira solo, cantando as músicas consagradas dos Bisouros e alguns canções novas, era a melhor maneira dos fãs que não tiveram o previlégio de ver os quatro reunidos, ouvir pelo menos na voz de ao menos um dos integrantes. Jorge continuou com suas vezes de místico, tocava violão durante cultos do Santo Daime, até que foi acometido de um linfoma e faleceu numa cidadezinha do interior de Minas Gerais próximo ao Céu (como é assim chamadas as 'Igrejas' do Santo Daime) que ele frequentava, e acabou indo pra o Céu (paraíso) de verdade. Anelo voltou pra Livramento, abriu um Lan House e está feliz da vida até hoje continuando sendo amigo de todo mundo.

A história dos Bisouros do Forró só mostra duas coisas. Primeira: se você quiser ser eternizado, largue o que você está fazendo, quando estiver no auge (Pelé fez isso muito bem, já Ronaldo, não). Segunda: não adianta cobrar novos clássicos de quem já fez coisas boas demais.




Campina Grande / PB

MINHA ROMA ANTIGA
MINHA LONDRES VITORIANA
MINHA METRÓPOLE SONHADA
MINHA SÃO PAULO IDEALIZADA


MINHA CIDADE QUERIDA
MINHAS RUAS ANTIGAS
AMOR NÃO CORRESPONDIDO
MEUS DESEJOS PERDIDOS

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O ONTEM E O HOJE (PRÓLOGO E EPÍLOGO DE UMA REBELDIA)



O ano era 1989. O último do governo Sarney. Outra era, outro século, outros tempos, o Brasil era outro, olhando sob o prisma atual, parecia até outro país. Aliás, o mundo era outro também, havia ainda a polaridade entre a Rússia Soviética e os Estados Unidos da América (muito embora estivesse nos seus estertores, pois o presidente americano George Bush já anunciava e cantava a vitória na Guerra fria).
Nas ruas Monzas, Escorts e Chevettes ganhavam a companhia do BR-800, da Gurgel, o primeiro carro 100% brasileiro que era uma promessa de uma carro popular absolutamente nacional. Na televisão os programas abusavam do nu frontal, saudando o fim da censura; nas rádios imperava o “fricote” de Luis Caldas; e ainda se viajava pela Vasp e Transbrasil; havia Embrafilme, estatais; inflação com três dígitos e uma recessão severa. Chegou até a ter saques e depredação nas ruas e nas frentes de emergência, o povo sofrido se revoltava e ainda era “suavemente” reprimido.
Como disse, o Brasil era outro, e já se vão mais de 20 anos, mas eu me lembro bem daquele ano de inverno bom e de boas chuvas, pelo menos na minha Paraíba natal. Eu ainda estava extasiado ouvindo o ótimo LP (CD era coisa rara naquele tempo) de estreia de Marisa Monte, enquanto se respirava esperança: o país ia votar para presidente!
Me lembro de um programa do Fausto Silva, que também estreara naquele ano, um certo cantor de rock brasileiro, Lobão, falar no intervalo de uma música e outra em sua apresentação: “vamo’ votar na esquerda, em Roberto Freire, em Lula, temo’ que mudar isso tudo aí...” (sic). Me lembro de um constrangido Faustão correr e chamar os comerciais imediatamente, afinal, e emissora Globo apoiava um candidato, o Collor; além disto era proibida a propaganda fora do horário específico, pelo menos naquele momento.
Lula não ganhou aquele ano e as consequências desta história todos sabem. Coincidência ou não de 1989 pra cá, a carreira de Lobão desceu ladeira abaixo, lançou mais alguns discos, sem muito sucesso, abriu uma gravadora que durou pouco tempo, enveredou pelo samba (nem ele gostou da experiência), acabou apresentando programa na falecida MTV.
Melhor do que ninguém, Lobão sentiu na pele o peso de contrariar os interesses da grande mídia e o que ela representa, dentro do seu quintal. Hoje Lobão vocifera contra o governo, incorpora a opinião e a posição do que a elite brasileira pensa, e como prêmio ganha uma coluna na Veja (que prêmio! Principalmente para um artista desempregado...).
Lobão, e outros de sua geração incorpora bem o que se convencionou chamar de neo-reaças, gente que antes juravam ser progressista, “pra-frente”, avançada e hoje pensa exatamente como os pais (parafraseando aquela música de Belchior). Das duas uma, ou a geração do rock brasileiro envelheceu e suas mentes envelheceram, ou o “modernismo” dela era só moda, e hoje, a moda é ser reacionário, e querer de volta uma velha ordem a que eles mesmo se rebelaram antes.
Mas o que mais incomoda não é exatamente isso, é a falta de proposta. Se você diz que o que está ai estar errado, espera-se, no mínimo que você tenha uma ideia melhor para implementar e que esteja bem guardada dentro da manga; não é isto? Mas pior é que nem isso se tem. Semana passada vi na TV um repórter perguntar a Lobão, se o PT não presta, qual é a sua posição pra uma renovação? Resposta de Lobão: “...minha proposta é vão tomar no c....” isso é o que pensam os “neo-reaça”, e proposta para um futuro que é bom....nada...

domingo, 25 de agosto de 2013

Macunaímico



A crise de 2009 abalou profundamente os princípios da chamada economia de mercado, muita gente boa nos círculos intelectuais e jornalísticos ao redor do mundo chegou mesmo a estatuir um colapso definitivo do capitalismo em proporções semelhantes ao colapso no mundo socialista que ocorreu no final dos anos 1990’s.
Se houve um colapso no capitalismo, ainda não se sabe, mas duas coisas ficaram definitivamente claras: um: o estado não pode se deixar render às mãos livres e invisíveis do mercado, pois quem as comanda esse mercado são pessoas sem  nenhum método, ou pior e mais certo, não tem nenhum caráter. Os grandes operadores do capitalismo são indivíduos que não dispensaria a chance de destruir o próximo e a si próprio. Dois: os velhos paradigmas produtivos, ou melhor, dizendo, as culturas afeitas ao árduo trabalho, perceberam que isto não as faziam melhores ou mais especiais que as demais.
Em outras palavras, o paradigma do ‘quem trabalha mais é mais próspero’ foi seriamente abalado. As duas sociedades ditas MAIS produtivas do mundo: Japão e Estados Unidos da América estão em severa recessão, indo lenta e inexoravelmente pro buraco, condenados a num futuro próximo-distante se transformarem em uma espécie de “Reino Unido da Grã-Bretanha”, ou seja,  país que já foi rico e potência hegemônica virar uma ‘potenciazinha’ de segunda (ou terceira) grandeza, pra não dizer de quinta categoria.
Mais notadamente nos casos japonês e americano, duas sociedades voltadas ao culto ao trabalho, sentiram particularmente forte o impacto da crise. Empresas americanas gigantescas americanas viraram pó e tiveram de recorrer apoio estatal (uma lástima no estilo de vida preponderantemente liberal que impera nos EUA).  Empresas japonesas que mais pareciam feudos, em que os empregados nasciam e morriam nela, fecharam fábricas e se sujeitaram a administração de CEO’s estrangeiros (um verdadeiro pecado na cultura milenarmente hermética japonesa).
Esses dois casos mostram patentemente que a ‘ loucura “workholica” ’,  pode não levar a nada, absolutamente nada,  e nem é garantia vitalícia ao êxito, nem muito menos vacina pra bancarrota.
Por outro  lado emerge o BRICS, conjunto de países que se candidatam a superpotências no futuro próximo-distante, dos quais o único verdadeira mente agraciado com reais chances de êxito, bem como com uma nova filosofia de vida capaz de melhorar o mundo é o nosso BRASIL (quiçá um “Brazilian way of life”, uma coisa tipo, não se estressar muito, levar tudo na calma e no balanço da rede, ou algo como “pra que ser pontual se já estou aqui”...)
 Senão vejamos: vamos analisar, brevemente, cada letra que forma o BRICS, o “R” da Rússia, não vale, herdou todo o parque tecnológico e industrial da União Soviética, isso sem falar nas reservas de petróleo que tem; o “I” da Índia, uma nação gigantesca, com uma população enorme e fechada que pode muito bem prescindir de tudo que vem de fora; o “C” da China, maior população do mundo, faz da necessidade de emprego de sua gente, um propulsor para remunerações baixas o que levou quase toda a indústria do Velho Mundo se transferir para lá; o “S” da África do Sul (South Africa), não tem indústria, nem agricultura, nem nada, mas foi agraciado com descomunais reservas de ouro e diamantes e um bom contingente de mão-de-obra barata.
Então, qual o único que surgiu praticamente do nada, começou aqui tudo do zero, além de oferecer ao mundo um novo estilo de vida, não baseado na loucura pela busca do sucesso como nos States ou nas ilhas japonesas, mas sim no “curtir a vida” no mesmo patamar do “lutar/batalhar pela vida”? Sim! O “B” do nosso Brasil !!!!
E tudo isso sem ser  “‘workholic’“ e sim “Macunaímico”.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Protestos? Que protestos?



Pois bem, a poeira assentou, a turbulência passou, a chuva foi embora e o céu voltou a clarear. Isto, antes de tudo, significa que se pode ser mais claro, ter certezas e distinguir os vultos turvos que se exibiam no horizonte.
Durante a realização da Copa das Confederações o Brasil foi palco das mais brutais, violentas manifestações que já foram vistas na nossa história recente. Patrimônio público destruído, pessoas feridas, e uma noda na imagem do Brasil no exterior (ressaltando que esta imagem nunca foi das melhores antes).
Tudo isso para que? Por quê? E a pergunta que não quer calar: aquilo tudo mudou alguma coisa? Eis a resposta: NADA!
O que se viu foi uma juventude alienada manobrada, despolitizada e pronta para dar uma bodoarda no primeiro conceito civilizatório que aparecesse na frente. Fantasiados com a máscara criada por Alan Moore, não percebiam que eram meros títeres nas mãos de uma elite presunçosa que queria (e ainda quer) desestabilizar uma ordem democraticamente instituída.
É fácil para uma minoria usar de princípios nobres como honestidade e melhoria nos serviços públicos para manobrar uma maioria pouco esclarecida. Isso já foi feito antes, em 1964, uma das motivações do golpe de Estado, foi a falta de prestigio e a reconhecida inaptidão da classe política. Em 1932 a elite paulista levantou a bandeira do constitucionalismo para derrubar Getúlio Vargas e as reformas em prol do povo que findaram a má república café com leite então vigente. 
Nesses “protestos” duas caras se destacaram e lhes deram uma feição (elitista, raivosa, antidemocrática e nada popular, diga-se de passagem): Pierre Ramon, um playboyzinho bombado, estudante de arquitetura que peitou a polícia na tentativa de invasão do prédio da Prefeitura de São Paulo. Ele foi pra cima da segurança como quem vai para uma balada regada a bebidas e anfetaminas, consciência política zero, e ainda queimou a bandeira da cidade e do estado de São Paulo, para depois gritar “queima a do Brasil!”. Carla Dauden, patricinha, estudante de cinema (quantas pessoas você conhece que estuda CINEMA) nos Estados Unidos, ela “bombou” nas redes sociais da internet com vídeo, onde, num inglês perfeito, dizia os motivos para ela não vir à Copa. Claramente  não se ver verdade alguma no que ela dizia, um textozinho decorado, repleto de clichês, pedindo melhorias na saúde pública. Só esclarecendo, nos EUA a saúde não é pública.
Carla e Pierre, jovens, bonitos, bem nutridos, bem instruídos, brancos, ricos. Se se conhecessem formariam um belo casal. Mas com certeza não é a cara do homem e da mulher comum brasileira, não passaram necessidades, não ralam no dia-a-dia para pagar suas contas. Com certeza não nos representa.
Enquanto cartazes de cartolina escritos com caneta Pilot berravam “Moralidade na Administração Pública”, Henrique Alves boçava, viajando num avião da Força Aérea como se fosse um taxi aéreo  (pago pelo contribuinte, eu e você). Enquanto se ouvia o som de gritos de revolta contra os políticos, Joaquim Barbosa assistia aos jogos da seleção no camarote da TV Globo ao lado de Luciano Huck (só lembrando, a família Huck é dona de uma das maiores bancas de advocacia do Sul/Sudeste, não precisa ser inteligente para perceber o resultado dessa troca de favores: lugar privilegiado/julgamentos favoráveis).
Conclusão: o que mudou? Nada! O que vai mudar? Nada! Somente os milhões que serão gastos nas reconstruções do que foi destruído e uma lágrima chorada por uma bandeira brasileira injustamente queimada.