Rádio CN Agitos - A rádio sem fronteiras!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

...inquietação...

Eu também escrevo sobre o que me incomoda, pois o que me irrita, o que me aborrece, também geralmente me inspira. Mesmo que desagrade a muitos e agrade a poucos, mesmo que ninguém leia, mesmo que estas palavras se percam no tempo e sirvam para enrolar o peixe na feira, ou ainda vá para o lixo ou sirva de proteção para o chão nas pinturas de imóveis. Mesmo que me cassem a palavra ou me tirem a tribuna, tão logo encontraria novas palavras ou uma nova tribuna para exorcizar a indignação nossa de cada dia.
Existe algo que me incomoda profundamente, e creio que não só a mim, mas a boa parte da humanidade também: a morte. Não a morte em si, mas tudo que nefastamente gira em torno dela, e, sobretudo suas causas e conseqüências.
Há alguns dias perdemos uma grande pessoa, uma grande mulher, em todos os sentidos, Tânia Maria Dantas Alves, a quem tive a sorte de conhecer. Sim, sorte, pois conhecer uma personalidade forte e ativa como a de Tânia é uma fortuna. Ela era uma mulher íntegra, mas extremamente brincalhona, alegre, contagiava a todos com sua espiritualidade e espontaneidade. Uma mulher linda, por dentro e por fora. Lamento profundamente não só sua partida, mas, sobretudo lamento não ter tido mais tempo para partilhar de sua amizade.
Tânia padeceu de um terrível carcinoma a que ela bravamente lutou por quase três anos, e pasmem, boa parte do seu tratamento foi custeado por ela própria. Isto é absurdo, inquietante e indignante. Como é que se permite que uma pessoa tire do seu bolso ou contraia dívidas para poder cuidar da própria saúde? Já não bastam o terrível desgaste e o impacto emocional de ter uma doença como esta, ainda ter que se preocupar em arcar com os custos do seu tratamento?
Temos que nos indignar e com razão, e mais que isso, por em nossas cabeças de forma definitiva que é obrigação do Estado prover saúde e tratamento médico de qualidade para todos os seus cidadãos de forma indistinta e para/contra toda e qualquer doença, inclusive carcinomas, sem que estes mesmos cidadãos tenham que tirar um único centavo do bolso. Temos que por em mente que o Estado (digo: município, estado-membro, União) existe, dentre outras coisas, e principalmente, para isto, e temos que berrar, gritar e exigir isto, sem concessões.
É absurdo, mas temos que exigir que o Estado cumpra com sua obrigação, nada mais nada menos, enquanto esse mesmo Estado nos enche de obrigações de impostos, essa equação definitivamente não é justa.
O que nos conforta, por assim dizer, é que pessoas queridas, honradas e dignas como Tânia jamais morrem, muito pelo contrário, estão e estarão sempre presentes, seja nos corações daqueles que, mesmo minimamente, tiveram a oportunidade de se encontrar com ela, como também na presença de seu forte espírito zelando pelos destinos do seu amado filhinho Gustavo.
E se a morte em si não é nada, sendo só um breve interregno para uma existência muito maior; não devemos dar adeus à Tânia, e sim um até-logo.
Até mais, Taninha, a gente se vê por aí...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ryoki Inoue, um brasileiro ilustre

O Brasil de fato não conhece o Brasil, e isto nos faz de presa fácil ao interesse imperialista alheio. Temos aqui conosco potencial humano e talentos que nos deixam em pé de igualdade com as nações dita desenvolvidas mundo a fora, e mais, temos um diferencial que só o misto de latinidade, lusitanidade, sangue negro e índio podem dar.
Em suma, temos o que eles têm e, além disto, temos o “algo” mais que a pele morena é capaz de dar.
E mesmo até mesmo o mais “estrangeirófilo” é forçado a crer que nós brasileiro somos, parafraseando aquela música da Pitty, um povo “foda”!
Por exemplo, pouca gente sabe que a pessoa que mais escreveu livros no mundo todo, é um brasileiro.
Escrever um livro, não é uma empreitada fácil, envolve o uso de conhecimento fluente da língua e das formas subjetivas que propiciam a criação de mundos completos para quem ler, envolve uma cultura vasta e, sobretudo, inteligência, perspicácia, sensibilidade e observação da vida e do universo humano. Conheço muita gente de alto gabarito que com muito esforço consegue escrever um, dois ou três livros, e eu que o diga também, pois ainda não consegui sair do primeiro capítulo do meu próprio livro há mais de ano.
Mas José Carlos Ryoki Alpoim Inoue, um brasileiro, escreveu nada mais, nada menos que 1079 livros. Sabe-se lá o que é isso, a dimensão dessa marca. São mil e tantos livros, mil e tantas histórias completas com começo, meio e fim, mil e tantos universos para leitores viajar.
Uma pessoa como Ryoki Inoue, só poderia nascer no Brasil, pois só aqui pode se dar de forma tão harmônica o encontro de dois extremos, o lirismo português com a produtividade japonesa, resultado: o escritor mais prolífero do Planeta Terra.
Os críticos geralmente tentam diminuir esta marca. Alguns dizem que pulp fiction ( o estilo de boa parte deste milhar de livros escrito por Ryoki, com cerca de 39 pseudônimos) é previsível, literatura “inferior”, dentre outras bobagens. Mas daí que se ver que boa parte destes mesmos críticos sequer tem um único livrozinho que seja, nem mesmo um simplório e previsível livro de culinária, só isto já seria suficiente para tirar-lhes a razão.
Outros críticos dizem que quantidade não é qualidade, Marcel Pruost escreveu um único livro em vida, o mesmo se diz de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. Ariano Suassuna , tem uns cinco ou seis, e por aí vai. Mesmo sem retirar o mérito devido a grandeza e intensidade de um Proust, Fernando Pessoa e seus heterônimos, e, sobretudo Ariano Suassuna. A marca de Ryoki não é desprezível de modo algum, além disto, seus livros são ricos de imagens, força literária, e guardada as devidas proporções, nada deixa a dever a qualquer marco literário nem daqui, nem de alhures.
Deveríamos todos nós brasileiros está plenos de orgulho por dividirmos uma nacionalidade com uma pessoa da dimensão de Ryoki Inoue. E que seus livros sejam mais e mais comprados, lidos, estudados e apreciados, e quiçá num futuro dos meus netos, que ainda nem sonham em nascer, seja, enfim o seu trabalho devidamente reconhecido e tenhamos o seu rosto como uma efígie duma cédula ou moeda, tal Câmara Cascudo, Cecília Meireles ou Drummond já tiveram. Não consigo imaginar homenagem melhor

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pot'y'war

Estranho perceber
Que este chão que adotei
Outrora tão rico de vida
Vida própria, não importada de alem mar,
Jaz encharcado de sangue.

Gente caçada feito bicho,
Invasores impiedosos,
Holocausto indígena,
Lusitanos proto-nazistas.

A diferença,
Só que ao invés do “final-feliz” hebreu
Com direito a um estado só deles,
Aqui nada restou, nem a mais longínqua lembrança, nem o respeito,
Somente um ‘nome’ roubado
Potiguar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O fim do mundo

No final do ano passado o filme “2012” foi um dos maiores sucessos de bilheteria, multidões em todo mundo fizeram fila para ver justamente o fim do mundo. Efeitos especiais mirabolantes e uma agressiva campanha de marketing viral contribuíram para o sucesso. Mas o filme em si não é bom não, a história tem mais furo que uma tábua de pirulito e o diretor e roteirista Roland Emmerich seguiu a risca a cartilha hollywoodiana, em outras palavras, é um filme besta, tolo, morno, chato e previsível, e como toda produção americana o herói sempre escapa no fim, mesmo depois de ter “morrido” quase todos os coadjuvantes.
Mas suponhamos, apenas suponhamos, que o filme seja um pressagio, e que os maias e Nostradamus estejam certos. O mundo vai realmente acabar em 21 de dezembro de 2012. Para quem tiver predisposição para crer nisto sinais não vão faltar, os recentes terremotos do Chile e do Haiti, as crises globais, epidemias, gripes suína, bovina, aviária, enchentes e esse calor infernal que a gente sofre todo dia parecem mostrar realmente que chegou o fim dos tempos. É o Armageddon, o apocalipse! Oba!!! Oba!!! Nada mais restaria a não ser viver intensamente os últimos momentos da vida como a gente quer ou acha que deve viver, sem amarras e sem limites, sem se preocupar com as conseqüências nem com o dia depois de amanhã.
Mas calma aí, não deixe de pagar suas contas, nem pense em se declarar àquele amor impossível, nem muito menos dar um murro na cara daquela pessoa que não gosta de você, pois não existe nenhuma evidência clara, patente, efetiva e certa que o planeta vai realmente acabar daqui a dois anos.
Um fim do mundo abrupto e repentino, com data e momento certo, seria muito mais como uma bênção do que com um fardo. Seria como uma eutanásia para um paciente terminal, ou o tiro de misericórdia em animal agonizante, e parece que a humanidade não merece tal alívio. É duro, mas estamos condenados a um lento e doloroso epílogo, nada de dia e hora certo para o fim, e sim, um fim lento, devagar e extremamente sofrido.
Não pensem que o ocaso do homem é fruto da modernidade não. O fim do Homo Sapiens é uma coisa que vem sendo plantado lentamente desde quando nos entendemos por espécie. Mesmo no tempo de Nostradamus, quando ele escreveu suas famosas premonições, no século XV, a Europa vivia a peste negra, que dizimou mais da metade da população, aquilo sim parecia um fim de mundo que foi refletido nas suas centúrias. No México do século XVI, quando os maias fixaram a data final do calendário, viam a chegada dos colonizadores espanhóis com um novo modo de vida que acabou com língua, a cultura e modo de vida típico maia, isto para eles foi um fim do mundo, o mundo Maia. Até mesmo São João quando escreveu o Livro do Apocalipse, vivia-se um momento difícil com os romanos perseguindo os cristãos e destruindo o Segundo Templo de Jerusalém e isto aos olhos de uma pessoa do século I parecia o fim do mundo. E no século XX, com a Guerra Fria entre Rússia e EUA, parecia que o mundo ia acabar a cada 24 horas com um holocausto nuclear. E mesmo diante de tudo isso o mundo não se acabou e sempre houve como vai haver sempre um amanhã, com sol ou chuva, mas sempre repleto de esperanças.
A sorte do mundo, ou do Planeta, é que a cada fim que se anuncia ele renasce cada vez melhor e isto sem precisar das enormes arcas que aparecem no fim do filme “2012” e que salvam o que resta da humanidade para a segurança do continente africano sob a luz do amanhecer.
Esse eterno círculo de renascimento do mundo que vivemos todos os dias só me faz lembrar aquela música de Gilberto Gil: ”...Drão/ o nosso amor é como um grão/ uma semente de ilusão/ tem que MORRER para GERMINAR...”

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma Praga Para os Corruptos

Era uma vez uma cidade brasileira qualquer, de porte médio-grande-pequeno num estado qualquer.

Nesta cidade, numa eleição quaisquer se elegeram prefeito e vereadores, ou deputados e governador, que sem escrúpulo algum metem a mão no dinheiro público, seja diretamente, por desvio ou prevaricação, seja indiretamente, com licitações fajutas, seja por nepotismo, empregando todo tipo de parente e aderente, para não fazer absolutamente nada. E estes gatunos, ratos sujos do dinheiro público acumulam vastos patrimônios em detrimento da pobreza do povo. E isto está acontecendo agora, neste exato momento, não aqui ou alhures, mas em qualquer lugar em que aleatoriamente se apontar o dedo no mapa nacional.

A corrupção, em todas as suas formas e em todos os seus jeitos, é o mais hediondo dos crimes, muito embora não conste por lei na lista dos crimes hediondos. É tirar de quem não tem, é furtar de quem tem, e matar aos poucos, é desmanchar esperanças.

É tirar de quem não tem, pois cada centavo desviado de programas sociais é um sofrimento a mais nas costas de uma população já perenemente sofrida, sem falar que isto pode dar vazão pra certos grupos da Direita detonar e denegrir não só um, mas todo e qualquer programa social, em nome de um questionável superávit primário, deixando no desamparo os mais desvalidos, como sempre.

É furtar de quem tem, pois se eu pago meus impostos em dia, e exijo a nota fiscal nas compras que faço, no mínimo espero que o meu dinheiro vá para pagar um bom médico no pronto-socorro, para me atender se for necessário, que sirva para por um asfalto de qualidade nos buracos das estradas ou que ajude a manter uma escola descente com merenda farta e professores bem remunerados, e NÃO pra um “fulaninho” qualquer metido a besta, e que finge ser agente público, desfile de carro novo, compre mansão ou passei no exterior.

É matar aos poucos crianças que abandonam os estudos e as brincadeiras da infância para poder trabalhar e ajudar a família, e precipitar a morte de idosos que não chegam a ter aposentadorias descentes, após dar uma vida inteira de duro labor, é desmanchar esperanças que o nosso país seja mais próspero e desenvolvido do que ele procura ser.

A nossa sorte, ou redenção, é que o dinheiro amealhado por meio da corrupção é um dinheiro amaldiçoado, pois ele não prospera, não rende frutos nem gera dividendo, não vejo, não reconheço, nem me lembro, nesse momento, de nenhuma grande fortuna construída com base no roubo ao erário, e isto é um castigo para aqueles que crêem que podem enricar pelas custas da desgraça alheia.

Só para citar alguns exemplos, Adhemar de Barros, ex-governador do Estado de São Paulo e autor da célebre frase “... eu roubo, mas faço...”, outrora banqueiro e industrial, hoje sua família ostenta dívidas e sufoco. A Eucatex, empresa da família Maluf (que dispensa comentários), acabou de pedir concordata. As famílias Arruda e Gadelha na Paraíba, os Farias em Alagoas e os Godoy no Ceará antes oligárquicas e todas poderosas, atualmente sumidas numa merecida bruma de esquecimento.

Isto é só para lembrar alguns casos e sem contar as centenas de outros que a gente sabe que existe e nem estão tão distantes.

Àqueles que metem a mão no dinheiro do povo, nosso dinheiro, roga-se uma praga: suas riquezas furtadas e seus status de mentira não são eternos, talvez acabem mais cedo que se imagina, pois foram feitos sobre as lágrimas e o sofrimento de muitos, e não há nada melhor do que um dia após o outro, e o dia, em que vocês serão julgados, se não for pelo voto, vai pela cármica providência divina, chegará.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Então... Natal (o amor, o perdão e a tolerância)

Sempre gostei muito de Rock’n’Roll, e já hoje, estando na casa dos 30 indo pros 40 anos, sempre procuro ficar por dentro das bandas atuais e que estilos e vertentes desta música estão sendo ouvidas mundo a fora. Mas quando eu era adolescente não me contentava só em ouvir Rock, mas sim adotá-lo quase como “estilo” de vida. Mas mesmo na adolescência, a atitude a postura de certas bandas e grupos me causava sempre estranheza e até um pouco de repulsa.

A banda mineira Sepultura sempre teve uma colocação violentamente anticristã, seja nas capas dos seus discos, seja nas letras de suas músicas. Apologias satânicas, e expressões agressivas a imagem de Jesus são uma constante em suas obras. Mas eles não são os únicos, nem os “head-bangers” são os únicos anticristãos que existem e abundam na mídia mundial. Além da música de Metallica, Slayer, Ozzy Osbourne, tem os livros de Gore Vidal, os filmes de David Frondizi, dentre várias outras manifestações artísticas que têm por mote atacar a imagem, memória e legado de Jesus Cristo, isto só dentre os que no momento estou conseguindo lembrar, sem falar nos que não estou me lembrando.

Mas daí vem a questão. Porque a ideologia cristã, que prega o amor, o perdão e a tolerância, suscita tanta rejeição e até ira no seio de alguns? Tirando o aspecto teológico, e o daqueles que declaradamente optam por louvar outras deidades; se tira a questão do porquê de alguns rejeitarem veementemente uma doutrina religiosa que se lastreia no amor, o perdão e a tolerância, se o que todo mundo deseja e quer pra suas vidas é justamente o amor, o perdão e a tolerância?

O que faz com que multidões ao redor do globo se desencantem com o bem e se encaminhem para o outro lado?

Seria a hipocrisia do Vaticano ou o mau-caratismo de certos grupos evangélicos e pentecostais? Seria a pedofilia sodomita de certos padres? Seria a roubalheira descarada de certos pastores?

Seria o cinismo de pregar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Pois se este for o motivo, então eu não os critico, pelo contrário, eu os apoio.

Mas lembremos que a doutrina cristã e os ensinamentos de Jesus de Nazaré são maiores do que a atitude de alguns dos seus sacerdotes. Jesus em momento algum pregou a hipocrisia, suas palavras sempre foram de amor, o perdão e tolerância.

O que se percebe é que o ensinamento de Jesus foi prescindido pelos milagres, ao longo dos séculos. O que Jesus ensinou (o amor, o perdão e a tolerância) é o que nos faz seres humanos melhores. Darwin nos diz que só os mais aptos e fortes é que sobrevivem na escala evolutiva. Jesus diz os fracos é que terão o reino dos céus. E no mundo tem muito mais fracos bancando o forte, do que fortes que têm ciência da própria fraqueza.

A hipocrisia turba a visão da essência cristã. É muito mais fácil se extasiar diante do milagre da transformação da água em vinho do que dar ouvido a simples frase “se alguém bater na tua face oferece a outra”. A pregação de Jesus é muito mais importante para nós do que o relato dos milagres. A pregação é o que pode fazer com que nós, humanidade, baixemos as armas e abandonemos a guerra, ela é que faz com que sejamos seres melhores na escala evolutiva darwiniana, não o fato de sermos mais fortes e mais aptos, e não o relato de “simples” milagres.

O Natal para muitos é uma celebração triste, pois se comemora o nascimento de um homem que sabe que vai morrer, e morrer de uma forma trágica, porém com a mais nobre das intenções, a salvação da humanidade.

Então é Natal, celebremos o amor, o perdão e a tolerância, não só no dia 25 de Dezembro, mas em cada dia do ano novo que vem ai!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um Poder Refem

A realidade atual da informática e o uso constante dos computadores no dia-a-dia nos põem diante de dilemas que seriam inimagináveis há vinte ou trinta anos atrás.
Hoje os computadores, que antes eram peças restritas no âmbito científico e nas universidades, estão presentes nos lares como eletrodomésticos, no comércio, na indústria e, sobretudo nas repartições públicas.
Dentre os poderes constituídos do estado, o que mais se beneficiou com a informática foi o Poder Judiciário, tanto em nível de agilidade como de prestação jurisdicional ao povo. Agora se pode processar uma ação judicial sem que seja necessário imprimir uma única folha sequer, poupando árvores para a feitura de papel. As facilidades do processo eletrônico facilitam o acesso à justiça aproximando o cidadão comum da Justiça.
Mas para funcionar um computador não se precisa só de energia, precisa-se de algo chamado SOFTWARE, um programa de computador, que é justamente o meio com que se interage com os comandos do computador e como o computador responde adequadamente. O software é o que faz o computador “pensar”.
Existe hoje em dia uma indústria relativamente nova, a indústria do software, que não é uma indústria “clássica” com linha de montagem e tudo o mais, é sim uma indústria especializada, geralmente com pouquíssimos funcionários, voltada para desenvolver os programas que se usa para dar comando aos computadores.
A indústria do software não é uma indústria convencional, como o software não é um produto convencional. Não se pode tratar o software como um automóvel, uma cadeira, como uma resma de papel, uma lâmpada ou qualquer outro bem, dado o seu caráter subjetivo e não tangível. Não se pode tocar um software, porém pode-se vê-lo, e nele depositamos todo aquilo que nos é caro e que colocamos nas memórias dos computadores, desde as fotos das pessoas que se ama até o texto que ora se escreve.
A humanidade criou uma dependência epidêmica aos computadores e se acostumou nas facilidades que estas máquinas trazem, mas pouca gente parece está preocupada no COMO estas máquinas agem, e no que ou de que jeito os softwares fazem-nas “pensar”.
Uma determinada empresa privada catarinense desenvolveu um programa de computador para ser usado pela justiça. Não sei por que critérios, ou se houve ou não licitação, ou de que jeito foi, mas este software é usado pelos Tribunais de Justiça de sete estados, incluindo o Estado do RN.
E agora vem a pergunta que não quer calar, em se supondo uma ação judicial em que um cidadão qualquer litigasse contra esta empresa catarinense, que garantias de isenção se teria ante o fato de que TODAS as máquinas da justiça do Estado pensam do jeito que a empresa, agora uma das partes, determinou? Lembrando que esta não é uma indagação simplória, pois nem os juízes, nem os desembargadores têm acesso a certos dados do software e que o servidor (=computador central) e backups (=cópia de segurança) da nossa justiça não estão nem aqui, conosco no Estado, e sim na sede desta empresa lá em Santa Catarina?
Ressaltando, mais uma vez, que o software não é um produto qualquer. Tome-se, por exemplo, um produto ordinário qualquer, o papel higiênico. Nada impede que qualquer um de nós litigue na justiça contra o fornecedor de papel higiênico do Tribunal de Justiça. Em eventualidade de represália, ou insatisfação pela decisão judicial que não lhe seja favorável, o dono da fábrica do papel pode torná-lo mais áspero ou mais caro. Se o papel higiênico ficar mais áspero não se usa mais, se ficar mais caro, se faz uma nova licitação e se troca de fornecedor. Mas com o software isto não é possível, não se pode deixar de usar, pois absolutamente todos os dados de TODOS os processos estão dentro dele, da mais complexa decisão do Juiz ao mais corriqueiro trabalho do Servidor, e trocar de software como se troca de marca de papel higiênico, também não é possível, pois implicaria em perda de tempo, desgaste da memória dos computadores e necessidade de treinamento específico dos usuários, Servidores e Juízes.
Alguém poderia argumentar que os dados estariam inseguros tanto se estivessem guardados pelo próprio estado ou se estivessem com uma empresa particular devido a ação dos Hackers. Mas cabe dizer que os hackers agem em surdina, quebrando códigos e usando da ilegalidade.
E se a “chave do cofre” onde estão as informações está nas mãos de uma das partes e longe dos olhos dos Juízes e Desembargadores, que garantia se tem de “sob o manto de uma aparente legalidade” estas informações não seriam modificadas?
A pergunta permanece: que segurança se tem em se ter informações e dados públicos nas mãos de um ente privado?
O ideal é que software para os entes públicos sejam desenvolvidos pelo próprio ente público e que este também detenha todas as informações pertinentes e não vire refém de uma empresa privada.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Olimpiadas no Rio?

Surpresa! Uma boa surpresa! O Rio de Janeiro foi escolhido para ser a sede das Olimpíadas de 2016! Confesso que, não obstante minha brasilidade radical, estava cético quanto a escolha da capital fluminense, tanto que não fazia nem questão de torcer. Principalmente tendo rivais de peso como Madrid, Tóquio (que já sediou Olimpíada antes) e Chicago (com todo o “marketing” de Barack Obama).

Mas a vitória foi anunciada e a cidade maravilhosa vai ser mesmo a capital dos esportes de verão daqui a sete anos. A primeira cidade na América do Sul (... morra de inveja, Buenos Aires...), a segunda da América Latina, e a quarta no hemisfério sul a ter a graça de ter no seu seio atletas de todo o mundo numa celebração da paz e dos esportes. Esta é uma honraria para pouquíssimos, e uma chance única de mostrar ao Planeta Terra uma nova face do Brasil, como um país estável, desenvolvido, democrático associado a já nossas tradicionais características da tropicalidade, jeito espontâneo de viver.

Mas aí vem o grande desafio. Não devemos cantar vitória constantemente, nem deitar nos “louros” da vitória. Por ser a chance única de mostrar ao globo uma nova e decente face brasileira, não podemos decepcionar.

Por mais que se seja nacionalista intransigente e de gostar de ver o Brasil ter alcançado esta importante vitória, há certos fatos que não se pode negar. O Rio de Janeiro é uma cidade empobrecida, falida, com gravíssimos problemas sociais, e sem importância econômica ou política. As favelas são uma mancha na paisagem aérea da cidade e um problema ancestral de difícil solução, que nem um muro, a descriminação e a indiferença dos “do asfalto” podem solucionar. Alias, a gravidade dos problemas sociais da Cidade Maravilhosa, não pode mais ser ocultada com tanques do Exército nas ruas (como fizeram na Eco’92) nem com a remoção compulsória dos moradores de rua (quando dos Jogos Pan-americanos de 2007). Maquiar a cidade para o evento e depois jogar tudo como era antes não é justo nem correto para com seus habitantes, nem com os turistas que saem com uma visão ilusória.

Existem lugares no Rio de Janeiro, principalmente nos morros, onde o estado simplesmente não consegue entrar. Anos de negligência dos governos anteriores, fizeram com que o tráfico organizado de drogas tomasse conta de comunidades inteiras e, que por meio da intimidação ou de um assistencialismo barato, a atividade criminosa conta com o “apoio” da população destes locais.

Hoje, o Estado busca entrar e retomar estas comunidades, e não só pela força policial, mas com políticas sociais de inclusão efetivas, mas está sendo muito difícil. É quase impossível mudar em pouco tempo o que foi sedimentado em décadas e gerações. Os noticiários não cansam de mostrar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal paralisadas por “determinação” dos traficantes, ao lado de imagens de truculência policial (a ação dos BOPE’s da vida), pobreza generalizada, favelas feitas de papelão com esgoto em céu aberto e pessoas sujeitas às mais terríveis privações em quadros que não nos fazem ver distinção entre o que se tem no Rio e o que se pode ver nos mais pobres países africanos.

Como é que uma cidade dessas quer sediar uma Olimpíada?

Não adianta maquiar o Rio para o evento e deixar seu povo na situação em que se encontra. Não adianta utilizar os milhões que serão investidos em urbanização na área nobre, Tijuca ou Zona Sul, e esquecer os morros e as populações lá esquecidas e reféns (em todos os sentidos) da marginalidade.

Maquiar a cidade e ocultar os seus problemas sociais, sem resolvê-los, já foi feito antes, e quando o evento vai embora, quem sofre são os que ficam, pois as mazelas voltam com a força reprimida do período em que esteve oculta, justamente por não ter opção.

E este é o meu receio. Que tudo isto aconteça novamente em 2016.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Embate Político (I)

A política partidária brasileira tem características muito próprias que a diferem da política partidária de qualquer outro canto do Mundo.
Aqui, os partidos políticos não têm ideologias, nem representam correntes de pensamentos, muito menos carregam bandeiras de minorias, nem tampouco falam por grupos étnicos.
Os partidos políticos no Brasil, salvo honrosas e pontuais exceções, tanto na direita como na esquerda, assemelham-se mais a clubes, em que os filiados podem se filiar e se “desfiliar”, com a mesma facilidade com que se troca de carteirinha de clube de natação ou de futebol (... aliás, se ver mais fidelidade a certos times de futebol do que a ideologias de partido).
Os próprios partidos não se levam a sério, eles mesmos se assumiram mais na condição de agremiação efêmera do que agrupamento de posição política. Eles incorporaram este espírito carnavalescos pouco sério, e se tornaram mera “sopa de letrinhas” para defender este ou aquele interesse INDIVIDUAL e nunca o COLETIVO.
Existem as mais diversas tentativas de explicar este “fenômeno”, desde a daqueles que dizem que isto é fruto da vontade reprimida do povo diante os vinte anos de bipartidarismo forçado durante a ditadura (a dicotomia artificial ARENA e MBD) até os que advogam que isto está na natureza simplista do DNA político brasileiro, partindo da dualidade entre conservador e liberal que existiu desde os tempos do Império chegando aos grupos dos de quem está no governo e quem está contra, nos dias de hoje, ou melhor dizendo nos dos que estão com o “osso” e não querem largar dos que estão com vontade de pegar o osso.
Alguém já ouviu falar em PHS, PRTB, PRB, PT do B, PMN, PCO, PSC, PSDC, PPS, PRN, dentre muitos e muitos outros? Legendas absolutamente vazias, sem ideologia, sem estatuto definido ou com estatuto vagos, sem posição no espectro político e sem propostas, só servindo de mero “clube partidário”, cabide ou trampolim pra meia dúzia de espertalhões TENTAREM alçar espaço na vida pública e ficar com o osso na boca até não poder mais.
Lógico, claro e evidente, que as medidas em prol da fidelização partidária lançadas pelo próprio Poder Legislativo e lastreadas pela Justiça Eleitoral (Poder Judiciário) buscam parar com esta farra toda, já tendo até algumas vítimas “ilustres” como o fedelho otário Walter Brito Neto que entrou para a história por ser o primeiro deputado a perder o mandado por infidelidade partidária, pois se elegeu pelo DEM da Paraíba e quando chegou ao Congresso, tentou vazar pro PRB.
Isto tinha acontecer mais cedo ou mais tarde, esta moralização partidária tinha que acontecer sob pena do carnaval partidário se aprofundar ainda mais. Contudo, parafraseando o grande poeta paraibano Augusto dos Anjos, “... a mão vil que afaga e a mesma que mão apedreja...”, pois as mesmas regras que buscam a dar seriedade a fidelização partidária no país permitem certas burlas que deixam passar quase o mesmo carnaval de antes, basta achar um bom, competente (e caro) advogado, com trânsito regular no TSE ou nos TRE’s da vida, para que entre uma brecha e outra se permita que se troque de partido como se troque de camisa do mesmo jeito que antes.
Nisso tudo, só quem se confunde (ou se lasque) é o coitado do eleitor, que se acostumou e ver um fulano ou sicrano vestindo as cores de um partido e de uma hora para outra, por um motivo que poucos conseguem alçar, vestir a cor de outro partido totalmente diferente, e pior, fazer isto como se fosse a coisa mais legítima do mundo, quem antes estava lado a lado num palanque, de um momento para o outro passa a se engalfinhar nas ruas, e quem a gente jurava ser inimigo mortal um do outro, num passe de mágica, se tornam aliados e trocam-se afagos em via pública.
O filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) já dizia que “... a política é a arte do possível...”, e no nosso Brasil esta frase assume contornos ainda mais inimagináveis, e inexoravelmente, expandindo as fronteiras do possível.
Não vou julgar se isto ou aquilo é positivo ou negativo, mas que todo carnaval tem limite, principalmente este carnaval político que vivemos, a isso tem que ter, pois só depois da “quarta-feira de cinzas” é que se vem a quaresma, e necessitamos de uma “quaresma política”.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ironic critics for the British pseudo hard life, due to the cruel Brazilian reality

We don't need no education
then we should be all illiterate

We don't need no thought control
then we didn't at least need to think

No dark sarcasm in the classroom
so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing

Teachers leave them kids alone
alone, without hopes and without future perspectives

Hey! Teachers! Leave them kids alone!
alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification

All in all it's just another brick in the wall.
better be just brick thrown thereabout

All in all you're just another brick in the wall.
better be just brick that breaks window-panes and windshields

just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout




then we should be all illiterate
then we didn't at least need to think


so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing
alone, without hopes and without future perspectives


alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification
better be just a brick thrown thereabout
better be just brick that breaks window-panes and windshields

just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout