Estranho perceber
Que este chão que adotei
Outrora tão rico de vida
Vida própria, não importada de alem mar,
Jaz encharcado de sangue.
Gente caçada feito bicho,
Invasores impiedosos,
Holocausto indígena,
Lusitanos proto-nazistas.
A diferença,
Só que ao invés do “final-feliz” hebreu
Com direito a um estado só deles,
Aqui nada restou, nem a mais longínqua lembrança, nem o respeito,
Somente um ‘nome’ roubado
Potiguar.
Rádio CN Agitos - A rádio sem fronteiras!!!
quarta-feira, 31 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
O fim do mundo
No final do ano passado o filme “2012” foi um dos maiores sucessos de bilheteria, multidões em todo mundo fizeram fila para ver justamente o fim do mundo. Efeitos especiais mirabolantes e uma agressiva campanha de marketing viral contribuíram para o sucesso. Mas o filme em si não é bom não, a história tem mais furo que uma tábua de pirulito e o diretor e roteirista Roland Emmerich seguiu a risca a cartilha hollywoodiana, em outras palavras, é um filme besta, tolo, morno, chato e previsível, e como toda produção americana o herói sempre escapa no fim, mesmo depois de ter “morrido” quase todos os coadjuvantes.
Mas suponhamos, apenas suponhamos, que o filme seja um pressagio, e que os maias e Nostradamus estejam certos. O mundo vai realmente acabar em 21 de dezembro de 2012. Para quem tiver predisposição para crer nisto sinais não vão faltar, os recentes terremotos do Chile e do Haiti, as crises globais, epidemias, gripes suína, bovina, aviária, enchentes e esse calor infernal que a gente sofre todo dia parecem mostrar realmente que chegou o fim dos tempos. É o Armageddon, o apocalipse! Oba!!! Oba!!! Nada mais restaria a não ser viver intensamente os últimos momentos da vida como a gente quer ou acha que deve viver, sem amarras e sem limites, sem se preocupar com as conseqüências nem com o dia depois de amanhã.
Mas calma aí, não deixe de pagar suas contas, nem pense em se declarar àquele amor impossível, nem muito menos dar um murro na cara daquela pessoa que não gosta de você, pois não existe nenhuma evidência clara, patente, efetiva e certa que o planeta vai realmente acabar daqui a dois anos.
Um fim do mundo abrupto e repentino, com data e momento certo, seria muito mais como uma bênção do que com um fardo. Seria como uma eutanásia para um paciente terminal, ou o tiro de misericórdia em animal agonizante, e parece que a humanidade não merece tal alívio. É duro, mas estamos condenados a um lento e doloroso epílogo, nada de dia e hora certo para o fim, e sim, um fim lento, devagar e extremamente sofrido.
Não pensem que o ocaso do homem é fruto da modernidade não. O fim do Homo Sapiens é uma coisa que vem sendo plantado lentamente desde quando nos entendemos por espécie. Mesmo no tempo de Nostradamus, quando ele escreveu suas famosas premonições, no século XV, a Europa vivia a peste negra, que dizimou mais da metade da população, aquilo sim parecia um fim de mundo que foi refletido nas suas centúrias. No México do século XVI, quando os maias fixaram a data final do calendário, viam a chegada dos colonizadores espanhóis com um novo modo de vida que acabou com língua, a cultura e modo de vida típico maia, isto para eles foi um fim do mundo, o mundo Maia. Até mesmo São João quando escreveu o Livro do Apocalipse, vivia-se um momento difícil com os romanos perseguindo os cristãos e destruindo o Segundo Templo de Jerusalém e isto aos olhos de uma pessoa do século I parecia o fim do mundo. E no século XX, com a Guerra Fria entre Rússia e EUA, parecia que o mundo ia acabar a cada 24 horas com um holocausto nuclear. E mesmo diante de tudo isso o mundo não se acabou e sempre houve como vai haver sempre um amanhã, com sol ou chuva, mas sempre repleto de esperanças.
A sorte do mundo, ou do Planeta, é que a cada fim que se anuncia ele renasce cada vez melhor e isto sem precisar das enormes arcas que aparecem no fim do filme “2012” e que salvam o que resta da humanidade para a segurança do continente africano sob a luz do amanhecer.
Esse eterno círculo de renascimento do mundo que vivemos todos os dias só me faz lembrar aquela música de Gilberto Gil: ”...Drão/ o nosso amor é como um grão/ uma semente de ilusão/ tem que MORRER para GERMINAR...”
Mas suponhamos, apenas suponhamos, que o filme seja um pressagio, e que os maias e Nostradamus estejam certos. O mundo vai realmente acabar em 21 de dezembro de 2012. Para quem tiver predisposição para crer nisto sinais não vão faltar, os recentes terremotos do Chile e do Haiti, as crises globais, epidemias, gripes suína, bovina, aviária, enchentes e esse calor infernal que a gente sofre todo dia parecem mostrar realmente que chegou o fim dos tempos. É o Armageddon, o apocalipse! Oba!!! Oba!!! Nada mais restaria a não ser viver intensamente os últimos momentos da vida como a gente quer ou acha que deve viver, sem amarras e sem limites, sem se preocupar com as conseqüências nem com o dia depois de amanhã.
Mas calma aí, não deixe de pagar suas contas, nem pense em se declarar àquele amor impossível, nem muito menos dar um murro na cara daquela pessoa que não gosta de você, pois não existe nenhuma evidência clara, patente, efetiva e certa que o planeta vai realmente acabar daqui a dois anos.
Um fim do mundo abrupto e repentino, com data e momento certo, seria muito mais como uma bênção do que com um fardo. Seria como uma eutanásia para um paciente terminal, ou o tiro de misericórdia em animal agonizante, e parece que a humanidade não merece tal alívio. É duro, mas estamos condenados a um lento e doloroso epílogo, nada de dia e hora certo para o fim, e sim, um fim lento, devagar e extremamente sofrido.
Não pensem que o ocaso do homem é fruto da modernidade não. O fim do Homo Sapiens é uma coisa que vem sendo plantado lentamente desde quando nos entendemos por espécie. Mesmo no tempo de Nostradamus, quando ele escreveu suas famosas premonições, no século XV, a Europa vivia a peste negra, que dizimou mais da metade da população, aquilo sim parecia um fim de mundo que foi refletido nas suas centúrias. No México do século XVI, quando os maias fixaram a data final do calendário, viam a chegada dos colonizadores espanhóis com um novo modo de vida que acabou com língua, a cultura e modo de vida típico maia, isto para eles foi um fim do mundo, o mundo Maia. Até mesmo São João quando escreveu o Livro do Apocalipse, vivia-se um momento difícil com os romanos perseguindo os cristãos e destruindo o Segundo Templo de Jerusalém e isto aos olhos de uma pessoa do século I parecia o fim do mundo. E no século XX, com a Guerra Fria entre Rússia e EUA, parecia que o mundo ia acabar a cada 24 horas com um holocausto nuclear. E mesmo diante de tudo isso o mundo não se acabou e sempre houve como vai haver sempre um amanhã, com sol ou chuva, mas sempre repleto de esperanças.
A sorte do mundo, ou do Planeta, é que a cada fim que se anuncia ele renasce cada vez melhor e isto sem precisar das enormes arcas que aparecem no fim do filme “2012” e que salvam o que resta da humanidade para a segurança do continente africano sob a luz do amanhecer.
Esse eterno círculo de renascimento do mundo que vivemos todos os dias só me faz lembrar aquela música de Gilberto Gil: ”...Drão/ o nosso amor é como um grão/ uma semente de ilusão/ tem que MORRER para GERMINAR...”
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Uma Praga Para os Corruptos
Era uma vez uma cidade brasileira qualquer, de porte médio-grande-pequeno num estado qualquer.
Nesta cidade, numa eleição quaisquer se elegeram prefeito e vereadores, ou deputados e governador, que sem escrúpulo algum metem a mão no dinheiro público, seja diretamente, por desvio ou prevaricação, seja indiretamente, com licitações fajutas, seja por nepotismo, empregando todo tipo de parente e aderente, para não fazer absolutamente nada. E estes gatunos, ratos sujos do dinheiro público acumulam vastos patrimônios em detrimento da pobreza do povo. E isto está acontecendo agora, neste exato momento, não aqui ou alhures, mas em qualquer lugar em que aleatoriamente se apontar o dedo no mapa nacional.
A corrupção, em todas as suas formas e em todos os seus jeitos, é o mais hediondo dos crimes, muito embora não conste por lei na lista dos crimes hediondos. É tirar de quem não tem, é furtar de quem tem, e matar aos poucos, é desmanchar esperanças.
É tirar de quem não tem, pois cada centavo desviado de programas sociais é um sofrimento a mais nas costas de uma população já perenemente sofrida, sem falar que isto pode dar vazão pra certos grupos da Direita detonar e denegrir não só um, mas todo e qualquer programa social, em nome de um questionável superávit primário, deixando no desamparo os mais desvalidos, como sempre.
É furtar de quem tem, pois se eu pago meus impostos em dia, e exijo a nota fiscal nas compras que faço, no mínimo espero que o meu dinheiro vá para pagar um bom médico no pronto-socorro, para me atender se for necessário, que sirva para por um asfalto de qualidade nos buracos das estradas ou que ajude a manter uma escola descente com merenda farta e professores bem remunerados, e NÃO pra um “fulaninho” qualquer metido a besta, e que finge ser agente público, desfile de carro novo, compre mansão ou passei no exterior.
É matar aos poucos crianças que abandonam os estudos e as brincadeiras da infância para poder trabalhar e ajudar a família, e precipitar a morte de idosos que não chegam a ter aposentadorias descentes, após dar uma vida inteira de duro labor, é desmanchar esperanças que o nosso país seja mais próspero e desenvolvido do que ele procura ser.
A nossa sorte, ou redenção, é que o dinheiro amealhado por meio da corrupção é um dinheiro amaldiçoado, pois ele não prospera, não rende frutos nem gera dividendo, não vejo, não reconheço, nem me lembro, nesse momento, de nenhuma grande fortuna construída com base no roubo ao erário, e isto é um castigo para aqueles que crêem que podem enricar pelas custas da desgraça alheia.
Só para citar alguns exemplos, Adhemar de Barros, ex-governador do Estado de São Paulo e autor da célebre frase “... eu roubo, mas faço...”, outrora banqueiro e industrial, hoje sua família ostenta dívidas e sufoco. A Eucatex, empresa da família Maluf (que dispensa comentários), acabou de pedir concordata. As famílias Arruda e Gadelha na Paraíba, os Farias em Alagoas e os Godoy no Ceará antes oligárquicas e todas poderosas, atualmente sumidas numa merecida bruma de esquecimento.
Isto é só para lembrar alguns casos e sem contar as centenas de outros que a gente sabe que existe e nem estão tão distantes.
Àqueles que metem a mão no dinheiro do povo, nosso dinheiro, roga-se uma praga: suas riquezas furtadas e seus status de mentira não são eternos, talvez acabem mais cedo que se imagina, pois foram feitos sobre as lágrimas e o sofrimento de muitos, e não há nada melhor do que um dia após o outro, e o dia, em que vocês serão julgados, se não for pelo voto, vai pela cármica providência divina, chegará.
Nesta cidade, numa eleição quaisquer se elegeram prefeito e vereadores, ou deputados e governador, que sem escrúpulo algum metem a mão no dinheiro público, seja diretamente, por desvio ou prevaricação, seja indiretamente, com licitações fajutas, seja por nepotismo, empregando todo tipo de parente e aderente, para não fazer absolutamente nada. E estes gatunos, ratos sujos do dinheiro público acumulam vastos patrimônios em detrimento da pobreza do povo. E isto está acontecendo agora, neste exato momento, não aqui ou alhures, mas em qualquer lugar em que aleatoriamente se apontar o dedo no mapa nacional.
A corrupção, em todas as suas formas e em todos os seus jeitos, é o mais hediondo dos crimes, muito embora não conste por lei na lista dos crimes hediondos. É tirar de quem não tem, é furtar de quem tem, e matar aos poucos, é desmanchar esperanças.
É tirar de quem não tem, pois cada centavo desviado de programas sociais é um sofrimento a mais nas costas de uma população já perenemente sofrida, sem falar que isto pode dar vazão pra certos grupos da Direita detonar e denegrir não só um, mas todo e qualquer programa social, em nome de um questionável superávit primário, deixando no desamparo os mais desvalidos, como sempre.
É furtar de quem tem, pois se eu pago meus impostos em dia, e exijo a nota fiscal nas compras que faço, no mínimo espero que o meu dinheiro vá para pagar um bom médico no pronto-socorro, para me atender se for necessário, que sirva para por um asfalto de qualidade nos buracos das estradas ou que ajude a manter uma escola descente com merenda farta e professores bem remunerados, e NÃO pra um “fulaninho” qualquer metido a besta, e que finge ser agente público, desfile de carro novo, compre mansão ou passei no exterior.
É matar aos poucos crianças que abandonam os estudos e as brincadeiras da infância para poder trabalhar e ajudar a família, e precipitar a morte de idosos que não chegam a ter aposentadorias descentes, após dar uma vida inteira de duro labor, é desmanchar esperanças que o nosso país seja mais próspero e desenvolvido do que ele procura ser.
A nossa sorte, ou redenção, é que o dinheiro amealhado por meio da corrupção é um dinheiro amaldiçoado, pois ele não prospera, não rende frutos nem gera dividendo, não vejo, não reconheço, nem me lembro, nesse momento, de nenhuma grande fortuna construída com base no roubo ao erário, e isto é um castigo para aqueles que crêem que podem enricar pelas custas da desgraça alheia.
Só para citar alguns exemplos, Adhemar de Barros, ex-governador do Estado de São Paulo e autor da célebre frase “... eu roubo, mas faço...”, outrora banqueiro e industrial, hoje sua família ostenta dívidas e sufoco. A Eucatex, empresa da família Maluf (que dispensa comentários), acabou de pedir concordata. As famílias Arruda e Gadelha na Paraíba, os Farias em Alagoas e os Godoy no Ceará antes oligárquicas e todas poderosas, atualmente sumidas numa merecida bruma de esquecimento.
Isto é só para lembrar alguns casos e sem contar as centenas de outros que a gente sabe que existe e nem estão tão distantes.
Àqueles que metem a mão no dinheiro do povo, nosso dinheiro, roga-se uma praga: suas riquezas furtadas e seus status de mentira não são eternos, talvez acabem mais cedo que se imagina, pois foram feitos sobre as lágrimas e o sofrimento de muitos, e não há nada melhor do que um dia após o outro, e o dia, em que vocês serão julgados, se não for pelo voto, vai pela cármica providência divina, chegará.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Então... Natal (o amor, o perdão e a tolerância)
Sempre gostei muito de Rock’n’Roll, e já hoje, estando na casa dos 30 indo pros 40 anos, sempre procuro ficar por dentro das bandas atuais e que estilos e vertentes desta música estão sendo ouvidas mundo a fora. Mas quando eu era adolescente não me contentava só em ouvir Rock, mas sim adotá-lo quase como “estilo” de vida. Mas mesmo na adolescência, a atitude a postura de certas bandas e grupos me causava sempre estranheza e até um pouco de repulsa.
A banda mineira Sepultura sempre teve uma colocação violentamente anticristã, seja nas capas dos seus discos, seja nas letras de suas músicas. Apologias satânicas, e expressões agressivas a imagem de Jesus são uma constante em suas obras. Mas eles não são os únicos, nem os “head-bangers” são os únicos anticristãos que existem e abundam na mídia mundial. Além da música de Metallica, Slayer, Ozzy Osbourne, tem os livros de Gore Vidal, os filmes de David Frondizi, dentre várias outras manifestações artísticas que têm por mote atacar a imagem, memória e legado de Jesus Cristo, isto só dentre os que no momento estou conseguindo lembrar, sem falar nos que não estou me lembrando.
Mas daí vem a questão. Porque a ideologia cristã, que prega o amor, o perdão e a tolerância, suscita tanta rejeição e até ira no seio de alguns? Tirando o aspecto teológico, e o daqueles que declaradamente optam por louvar outras deidades; se tira a questão do porquê de alguns rejeitarem veementemente uma doutrina religiosa que se lastreia no amor, o perdão e a tolerância, se o que todo mundo deseja e quer pra suas vidas é justamente o amor, o perdão e a tolerância?
O que faz com que multidões ao redor do globo se desencantem com o bem e se encaminhem para o outro lado?
Seria a hipocrisia do Vaticano ou o mau-caratismo de certos grupos evangélicos e pentecostais? Seria a pedofilia sodomita de certos padres? Seria a roubalheira descarada de certos pastores?
Seria o cinismo de pregar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Pois se este for o motivo, então eu não os critico, pelo contrário, eu os apoio.
Mas lembremos que a doutrina cristã e os ensinamentos de Jesus de Nazaré são maiores do que a atitude de alguns dos seus sacerdotes. Jesus em momento algum pregou a hipocrisia, suas palavras sempre foram de amor, o perdão e tolerância.
O que se percebe é que o ensinamento de Jesus foi prescindido pelos milagres, ao longo dos séculos. O que Jesus ensinou (o amor, o perdão e a tolerância) é o que nos faz seres humanos melhores. Darwin nos diz que só os mais aptos e fortes é que sobrevivem na escala evolutiva. Jesus diz os fracos é que terão o reino dos céus. E no mundo tem muito mais fracos bancando o forte, do que fortes que têm ciência da própria fraqueza.
A hipocrisia turba a visão da essência cristã. É muito mais fácil se extasiar diante do milagre da transformação da água em vinho do que dar ouvido a simples frase “se alguém bater na tua face oferece a outra”. A pregação de Jesus é muito mais importante para nós do que o relato dos milagres. A pregação é o que pode fazer com que nós, humanidade, baixemos as armas e abandonemos a guerra, ela é que faz com que sejamos seres melhores na escala evolutiva darwiniana, não o fato de sermos mais fortes e mais aptos, e não o relato de “simples” milagres.
O Natal para muitos é uma celebração triste, pois se comemora o nascimento de um homem que sabe que vai morrer, e morrer de uma forma trágica, porém com a mais nobre das intenções, a salvação da humanidade.
Então é Natal, celebremos o amor, o perdão e a tolerância, não só no dia 25 de Dezembro, mas em cada dia do ano novo que vem ai!
A banda mineira Sepultura sempre teve uma colocação violentamente anticristã, seja nas capas dos seus discos, seja nas letras de suas músicas. Apologias satânicas, e expressões agressivas a imagem de Jesus são uma constante em suas obras. Mas eles não são os únicos, nem os “head-bangers” são os únicos anticristãos que existem e abundam na mídia mundial. Além da música de Metallica, Slayer, Ozzy Osbourne, tem os livros de Gore Vidal, os filmes de David Frondizi, dentre várias outras manifestações artísticas que têm por mote atacar a imagem, memória e legado de Jesus Cristo, isto só dentre os que no momento estou conseguindo lembrar, sem falar nos que não estou me lembrando.
Mas daí vem a questão. Porque a ideologia cristã, que prega o amor, o perdão e a tolerância, suscita tanta rejeição e até ira no seio de alguns? Tirando o aspecto teológico, e o daqueles que declaradamente optam por louvar outras deidades; se tira a questão do porquê de alguns rejeitarem veementemente uma doutrina religiosa que se lastreia no amor, o perdão e a tolerância, se o que todo mundo deseja e quer pra suas vidas é justamente o amor, o perdão e a tolerância?
O que faz com que multidões ao redor do globo se desencantem com o bem e se encaminhem para o outro lado?
Seria a hipocrisia do Vaticano ou o mau-caratismo de certos grupos evangélicos e pentecostais? Seria a pedofilia sodomita de certos padres? Seria a roubalheira descarada de certos pastores?
Seria o cinismo de pregar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Pois se este for o motivo, então eu não os critico, pelo contrário, eu os apoio.
Mas lembremos que a doutrina cristã e os ensinamentos de Jesus de Nazaré são maiores do que a atitude de alguns dos seus sacerdotes. Jesus em momento algum pregou a hipocrisia, suas palavras sempre foram de amor, o perdão e tolerância.
O que se percebe é que o ensinamento de Jesus foi prescindido pelos milagres, ao longo dos séculos. O que Jesus ensinou (o amor, o perdão e a tolerância) é o que nos faz seres humanos melhores. Darwin nos diz que só os mais aptos e fortes é que sobrevivem na escala evolutiva. Jesus diz os fracos é que terão o reino dos céus. E no mundo tem muito mais fracos bancando o forte, do que fortes que têm ciência da própria fraqueza.
A hipocrisia turba a visão da essência cristã. É muito mais fácil se extasiar diante do milagre da transformação da água em vinho do que dar ouvido a simples frase “se alguém bater na tua face oferece a outra”. A pregação de Jesus é muito mais importante para nós do que o relato dos milagres. A pregação é o que pode fazer com que nós, humanidade, baixemos as armas e abandonemos a guerra, ela é que faz com que sejamos seres melhores na escala evolutiva darwiniana, não o fato de sermos mais fortes e mais aptos, e não o relato de “simples” milagres.
O Natal para muitos é uma celebração triste, pois se comemora o nascimento de um homem que sabe que vai morrer, e morrer de uma forma trágica, porém com a mais nobre das intenções, a salvação da humanidade.
Então é Natal, celebremos o amor, o perdão e a tolerância, não só no dia 25 de Dezembro, mas em cada dia do ano novo que vem ai!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Um Poder Refem
A realidade atual da informática e o uso constante dos computadores no dia-a-dia nos põem diante de dilemas que seriam inimagináveis há vinte ou trinta anos atrás.
Hoje os computadores, que antes eram peças restritas no âmbito científico e nas universidades, estão presentes nos lares como eletrodomésticos, no comércio, na indústria e, sobretudo nas repartições públicas.
Dentre os poderes constituídos do estado, o que mais se beneficiou com a informática foi o Poder Judiciário, tanto em nível de agilidade como de prestação jurisdicional ao povo. Agora se pode processar uma ação judicial sem que seja necessário imprimir uma única folha sequer, poupando árvores para a feitura de papel. As facilidades do processo eletrônico facilitam o acesso à justiça aproximando o cidadão comum da Justiça.
Mas para funcionar um computador não se precisa só de energia, precisa-se de algo chamado SOFTWARE, um programa de computador, que é justamente o meio com que se interage com os comandos do computador e como o computador responde adequadamente. O software é o que faz o computador “pensar”.
Existe hoje em dia uma indústria relativamente nova, a indústria do software, que não é uma indústria “clássica” com linha de montagem e tudo o mais, é sim uma indústria especializada, geralmente com pouquíssimos funcionários, voltada para desenvolver os programas que se usa para dar comando aos computadores.
A indústria do software não é uma indústria convencional, como o software não é um produto convencional. Não se pode tratar o software como um automóvel, uma cadeira, como uma resma de papel, uma lâmpada ou qualquer outro bem, dado o seu caráter subjetivo e não tangível. Não se pode tocar um software, porém pode-se vê-lo, e nele depositamos todo aquilo que nos é caro e que colocamos nas memórias dos computadores, desde as fotos das pessoas que se ama até o texto que ora se escreve.
A humanidade criou uma dependência epidêmica aos computadores e se acostumou nas facilidades que estas máquinas trazem, mas pouca gente parece está preocupada no COMO estas máquinas agem, e no que ou de que jeito os softwares fazem-nas “pensar”.
Uma determinada empresa privada catarinense desenvolveu um programa de computador para ser usado pela justiça. Não sei por que critérios, ou se houve ou não licitação, ou de que jeito foi, mas este software é usado pelos Tribunais de Justiça de sete estados, incluindo o Estado do RN.
E agora vem a pergunta que não quer calar, em se supondo uma ação judicial em que um cidadão qualquer litigasse contra esta empresa catarinense, que garantias de isenção se teria ante o fato de que TODAS as máquinas da justiça do Estado pensam do jeito que a empresa, agora uma das partes, determinou? Lembrando que esta não é uma indagação simplória, pois nem os juízes, nem os desembargadores têm acesso a certos dados do software e que o servidor (=computador central) e backups (=cópia de segurança) da nossa justiça não estão nem aqui, conosco no Estado, e sim na sede desta empresa lá em Santa Catarina?
Ressaltando, mais uma vez, que o software não é um produto qualquer. Tome-se, por exemplo, um produto ordinário qualquer, o papel higiênico. Nada impede que qualquer um de nós litigue na justiça contra o fornecedor de papel higiênico do Tribunal de Justiça. Em eventualidade de represália, ou insatisfação pela decisão judicial que não lhe seja favorável, o dono da fábrica do papel pode torná-lo mais áspero ou mais caro. Se o papel higiênico ficar mais áspero não se usa mais, se ficar mais caro, se faz uma nova licitação e se troca de fornecedor. Mas com o software isto não é possível, não se pode deixar de usar, pois absolutamente todos os dados de TODOS os processos estão dentro dele, da mais complexa decisão do Juiz ao mais corriqueiro trabalho do Servidor, e trocar de software como se troca de marca de papel higiênico, também não é possível, pois implicaria em perda de tempo, desgaste da memória dos computadores e necessidade de treinamento específico dos usuários, Servidores e Juízes.
Alguém poderia argumentar que os dados estariam inseguros tanto se estivessem guardados pelo próprio estado ou se estivessem com uma empresa particular devido a ação dos Hackers. Mas cabe dizer que os hackers agem em surdina, quebrando códigos e usando da ilegalidade.
E se a “chave do cofre” onde estão as informações está nas mãos de uma das partes e longe dos olhos dos Juízes e Desembargadores, que garantia se tem de “sob o manto de uma aparente legalidade” estas informações não seriam modificadas?
A pergunta permanece: que segurança se tem em se ter informações e dados públicos nas mãos de um ente privado?
O ideal é que software para os entes públicos sejam desenvolvidos pelo próprio ente público e que este também detenha todas as informações pertinentes e não vire refém de uma empresa privada.
Hoje os computadores, que antes eram peças restritas no âmbito científico e nas universidades, estão presentes nos lares como eletrodomésticos, no comércio, na indústria e, sobretudo nas repartições públicas.
Dentre os poderes constituídos do estado, o que mais se beneficiou com a informática foi o Poder Judiciário, tanto em nível de agilidade como de prestação jurisdicional ao povo. Agora se pode processar uma ação judicial sem que seja necessário imprimir uma única folha sequer, poupando árvores para a feitura de papel. As facilidades do processo eletrônico facilitam o acesso à justiça aproximando o cidadão comum da Justiça.
Mas para funcionar um computador não se precisa só de energia, precisa-se de algo chamado SOFTWARE, um programa de computador, que é justamente o meio com que se interage com os comandos do computador e como o computador responde adequadamente. O software é o que faz o computador “pensar”.
Existe hoje em dia uma indústria relativamente nova, a indústria do software, que não é uma indústria “clássica” com linha de montagem e tudo o mais, é sim uma indústria especializada, geralmente com pouquíssimos funcionários, voltada para desenvolver os programas que se usa para dar comando aos computadores.
A indústria do software não é uma indústria convencional, como o software não é um produto convencional. Não se pode tratar o software como um automóvel, uma cadeira, como uma resma de papel, uma lâmpada ou qualquer outro bem, dado o seu caráter subjetivo e não tangível. Não se pode tocar um software, porém pode-se vê-lo, e nele depositamos todo aquilo que nos é caro e que colocamos nas memórias dos computadores, desde as fotos das pessoas que se ama até o texto que ora se escreve.
A humanidade criou uma dependência epidêmica aos computadores e se acostumou nas facilidades que estas máquinas trazem, mas pouca gente parece está preocupada no COMO estas máquinas agem, e no que ou de que jeito os softwares fazem-nas “pensar”.
Uma determinada empresa privada catarinense desenvolveu um programa de computador para ser usado pela justiça. Não sei por que critérios, ou se houve ou não licitação, ou de que jeito foi, mas este software é usado pelos Tribunais de Justiça de sete estados, incluindo o Estado do RN.
E agora vem a pergunta que não quer calar, em se supondo uma ação judicial em que um cidadão qualquer litigasse contra esta empresa catarinense, que garantias de isenção se teria ante o fato de que TODAS as máquinas da justiça do Estado pensam do jeito que a empresa, agora uma das partes, determinou? Lembrando que esta não é uma indagação simplória, pois nem os juízes, nem os desembargadores têm acesso a certos dados do software e que o servidor (=computador central) e backups (=cópia de segurança) da nossa justiça não estão nem aqui, conosco no Estado, e sim na sede desta empresa lá em Santa Catarina?
Ressaltando, mais uma vez, que o software não é um produto qualquer. Tome-se, por exemplo, um produto ordinário qualquer, o papel higiênico. Nada impede que qualquer um de nós litigue na justiça contra o fornecedor de papel higiênico do Tribunal de Justiça. Em eventualidade de represália, ou insatisfação pela decisão judicial que não lhe seja favorável, o dono da fábrica do papel pode torná-lo mais áspero ou mais caro. Se o papel higiênico ficar mais áspero não se usa mais, se ficar mais caro, se faz uma nova licitação e se troca de fornecedor. Mas com o software isto não é possível, não se pode deixar de usar, pois absolutamente todos os dados de TODOS os processos estão dentro dele, da mais complexa decisão do Juiz ao mais corriqueiro trabalho do Servidor, e trocar de software como se troca de marca de papel higiênico, também não é possível, pois implicaria em perda de tempo, desgaste da memória dos computadores e necessidade de treinamento específico dos usuários, Servidores e Juízes.
Alguém poderia argumentar que os dados estariam inseguros tanto se estivessem guardados pelo próprio estado ou se estivessem com uma empresa particular devido a ação dos Hackers. Mas cabe dizer que os hackers agem em surdina, quebrando códigos e usando da ilegalidade.
E se a “chave do cofre” onde estão as informações está nas mãos de uma das partes e longe dos olhos dos Juízes e Desembargadores, que garantia se tem de “sob o manto de uma aparente legalidade” estas informações não seriam modificadas?
A pergunta permanece: que segurança se tem em se ter informações e dados públicos nas mãos de um ente privado?
O ideal é que software para os entes públicos sejam desenvolvidos pelo próprio ente público e que este também detenha todas as informações pertinentes e não vire refém de uma empresa privada.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Olimpiadas no Rio?
Surpresa! Uma boa surpresa! O Rio de Janeiro foi escolhido para ser a sede das Olimpíadas de 2016! Confesso que, não obstante minha brasilidade radical, estava cético quanto a escolha da capital fluminense, tanto que não fazia nem questão de torcer. Principalmente tendo rivais de peso como Madrid, Tóquio (que já sediou Olimpíada antes) e Chicago (com todo o “marketing” de Barack Obama).
Mas a vitória foi anunciada e a cidade maravilhosa vai ser mesmo a capital dos esportes de verão daqui a sete anos. A primeira cidade na América do Sul (... morra de inveja, Buenos Aires...), a segunda da América Latina, e a quarta no hemisfério sul a ter a graça de ter no seu seio atletas de todo o mundo numa celebração da paz e dos esportes. Esta é uma honraria para pouquíssimos, e uma chance única de mostrar ao Planeta Terra uma nova face do Brasil, como um país estável, desenvolvido, democrático associado a já nossas tradicionais características da tropicalidade, jeito espontâneo de viver.
Mas aí vem o grande desafio. Não devemos cantar vitória constantemente, nem deitar nos “louros” da vitória. Por ser a chance única de mostrar ao globo uma nova e decente face brasileira, não podemos decepcionar.
Por mais que se seja nacionalista intransigente e de gostar de ver o Brasil ter alcançado esta importante vitória, há certos fatos que não se pode negar. O Rio de Janeiro é uma cidade empobrecida, falida, com gravíssimos problemas sociais, e sem importância econômica ou política. As favelas são uma mancha na paisagem aérea da cidade e um problema ancestral de difícil solução, que nem um muro, a descriminação e a indiferença dos “do asfalto” podem solucionar. Alias, a gravidade dos problemas sociais da Cidade Maravilhosa, não pode mais ser ocultada com tanques do Exército nas ruas (como fizeram na Eco’92) nem com a remoção compulsória dos moradores de rua (quando dos Jogos Pan-americanos de 2007). Maquiar a cidade para o evento e depois jogar tudo como era antes não é justo nem correto para com seus habitantes, nem com os turistas que saem com uma visão ilusória.
Existem lugares no Rio de Janeiro, principalmente nos morros, onde o estado simplesmente não consegue entrar. Anos de negligência dos governos anteriores, fizeram com que o tráfico organizado de drogas tomasse conta de comunidades inteiras e, que por meio da intimidação ou de um assistencialismo barato, a atividade criminosa conta com o “apoio” da população destes locais.
Hoje, o Estado busca entrar e retomar estas comunidades, e não só pela força policial, mas com políticas sociais de inclusão efetivas, mas está sendo muito difícil. É quase impossível mudar em pouco tempo o que foi sedimentado em décadas e gerações. Os noticiários não cansam de mostrar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal paralisadas por “determinação” dos traficantes, ao lado de imagens de truculência policial (a ação dos BOPE’s da vida), pobreza generalizada, favelas feitas de papelão com esgoto em céu aberto e pessoas sujeitas às mais terríveis privações em quadros que não nos fazem ver distinção entre o que se tem no Rio e o que se pode ver nos mais pobres países africanos.
Como é que uma cidade dessas quer sediar uma Olimpíada?
Não adianta maquiar o Rio para o evento e deixar seu povo na situação em que se encontra. Não adianta utilizar os milhões que serão investidos em urbanização na área nobre, Tijuca ou Zona Sul, e esquecer os morros e as populações lá esquecidas e reféns (em todos os sentidos) da marginalidade.
Maquiar a cidade e ocultar os seus problemas sociais, sem resolvê-los, já foi feito antes, e quando o evento vai embora, quem sofre são os que ficam, pois as mazelas voltam com a força reprimida do período em que esteve oculta, justamente por não ter opção.
E este é o meu receio. Que tudo isto aconteça novamente em 2016.
Mas a vitória foi anunciada e a cidade maravilhosa vai ser mesmo a capital dos esportes de verão daqui a sete anos. A primeira cidade na América do Sul (... morra de inveja, Buenos Aires...), a segunda da América Latina, e a quarta no hemisfério sul a ter a graça de ter no seu seio atletas de todo o mundo numa celebração da paz e dos esportes. Esta é uma honraria para pouquíssimos, e uma chance única de mostrar ao Planeta Terra uma nova face do Brasil, como um país estável, desenvolvido, democrático associado a já nossas tradicionais características da tropicalidade, jeito espontâneo de viver.
Mas aí vem o grande desafio. Não devemos cantar vitória constantemente, nem deitar nos “louros” da vitória. Por ser a chance única de mostrar ao globo uma nova e decente face brasileira, não podemos decepcionar.
Por mais que se seja nacionalista intransigente e de gostar de ver o Brasil ter alcançado esta importante vitória, há certos fatos que não se pode negar. O Rio de Janeiro é uma cidade empobrecida, falida, com gravíssimos problemas sociais, e sem importância econômica ou política. As favelas são uma mancha na paisagem aérea da cidade e um problema ancestral de difícil solução, que nem um muro, a descriminação e a indiferença dos “do asfalto” podem solucionar. Alias, a gravidade dos problemas sociais da Cidade Maravilhosa, não pode mais ser ocultada com tanques do Exército nas ruas (como fizeram na Eco’92) nem com a remoção compulsória dos moradores de rua (quando dos Jogos Pan-americanos de 2007). Maquiar a cidade para o evento e depois jogar tudo como era antes não é justo nem correto para com seus habitantes, nem com os turistas que saem com uma visão ilusória.
Existem lugares no Rio de Janeiro, principalmente nos morros, onde o estado simplesmente não consegue entrar. Anos de negligência dos governos anteriores, fizeram com que o tráfico organizado de drogas tomasse conta de comunidades inteiras e, que por meio da intimidação ou de um assistencialismo barato, a atividade criminosa conta com o “apoio” da população destes locais.
Hoje, o Estado busca entrar e retomar estas comunidades, e não só pela força policial, mas com políticas sociais de inclusão efetivas, mas está sendo muito difícil. É quase impossível mudar em pouco tempo o que foi sedimentado em décadas e gerações. Os noticiários não cansam de mostrar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal paralisadas por “determinação” dos traficantes, ao lado de imagens de truculência policial (a ação dos BOPE’s da vida), pobreza generalizada, favelas feitas de papelão com esgoto em céu aberto e pessoas sujeitas às mais terríveis privações em quadros que não nos fazem ver distinção entre o que se tem no Rio e o que se pode ver nos mais pobres países africanos.
Como é que uma cidade dessas quer sediar uma Olimpíada?
Não adianta maquiar o Rio para o evento e deixar seu povo na situação em que se encontra. Não adianta utilizar os milhões que serão investidos em urbanização na área nobre, Tijuca ou Zona Sul, e esquecer os morros e as populações lá esquecidas e reféns (em todos os sentidos) da marginalidade.
Maquiar a cidade e ocultar os seus problemas sociais, sem resolvê-los, já foi feito antes, e quando o evento vai embora, quem sofre são os que ficam, pois as mazelas voltam com a força reprimida do período em que esteve oculta, justamente por não ter opção.
E este é o meu receio. Que tudo isto aconteça novamente em 2016.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O Embate Político (I)
A política partidária brasileira tem características muito próprias que a diferem da política partidária de qualquer outro canto do Mundo.
Aqui, os partidos políticos não têm ideologias, nem representam correntes de pensamentos, muito menos carregam bandeiras de minorias, nem tampouco falam por grupos étnicos.
Os partidos políticos no Brasil, salvo honrosas e pontuais exceções, tanto na direita como na esquerda, assemelham-se mais a clubes, em que os filiados podem se filiar e se “desfiliar”, com a mesma facilidade com que se troca de carteirinha de clube de natação ou de futebol (... aliás, se ver mais fidelidade a certos times de futebol do que a ideologias de partido).
Os próprios partidos não se levam a sério, eles mesmos se assumiram mais na condição de agremiação efêmera do que agrupamento de posição política. Eles incorporaram este espírito carnavalescos pouco sério, e se tornaram mera “sopa de letrinhas” para defender este ou aquele interesse INDIVIDUAL e nunca o COLETIVO.
Existem as mais diversas tentativas de explicar este “fenômeno”, desde a daqueles que dizem que isto é fruto da vontade reprimida do povo diante os vinte anos de bipartidarismo forçado durante a ditadura (a dicotomia artificial ARENA e MBD) até os que advogam que isto está na natureza simplista do DNA político brasileiro, partindo da dualidade entre conservador e liberal que existiu desde os tempos do Império chegando aos grupos dos de quem está no governo e quem está contra, nos dias de hoje, ou melhor dizendo nos dos que estão com o “osso” e não querem largar dos que estão com vontade de pegar o osso.
Alguém já ouviu falar em PHS, PRTB, PRB, PT do B, PMN, PCO, PSC, PSDC, PPS, PRN, dentre muitos e muitos outros? Legendas absolutamente vazias, sem ideologia, sem estatuto definido ou com estatuto vagos, sem posição no espectro político e sem propostas, só servindo de mero “clube partidário”, cabide ou trampolim pra meia dúzia de espertalhões TENTAREM alçar espaço na vida pública e ficar com o osso na boca até não poder mais.
Lógico, claro e evidente, que as medidas em prol da fidelização partidária lançadas pelo próprio Poder Legislativo e lastreadas pela Justiça Eleitoral (Poder Judiciário) buscam parar com esta farra toda, já tendo até algumas vítimas “ilustres” como o fedelho otário Walter Brito Neto que entrou para a história por ser o primeiro deputado a perder o mandado por infidelidade partidária, pois se elegeu pelo DEM da Paraíba e quando chegou ao Congresso, tentou vazar pro PRB.
Isto tinha acontecer mais cedo ou mais tarde, esta moralização partidária tinha que acontecer sob pena do carnaval partidário se aprofundar ainda mais. Contudo, parafraseando o grande poeta paraibano Augusto dos Anjos, “... a mão vil que afaga e a mesma que mão apedreja...”, pois as mesmas regras que buscam a dar seriedade a fidelização partidária no país permitem certas burlas que deixam passar quase o mesmo carnaval de antes, basta achar um bom, competente (e caro) advogado, com trânsito regular no TSE ou nos TRE’s da vida, para que entre uma brecha e outra se permita que se troque de partido como se troque de camisa do mesmo jeito que antes.
Nisso tudo, só quem se confunde (ou se lasque) é o coitado do eleitor, que se acostumou e ver um fulano ou sicrano vestindo as cores de um partido e de uma hora para outra, por um motivo que poucos conseguem alçar, vestir a cor de outro partido totalmente diferente, e pior, fazer isto como se fosse a coisa mais legítima do mundo, quem antes estava lado a lado num palanque, de um momento para o outro passa a se engalfinhar nas ruas, e quem a gente jurava ser inimigo mortal um do outro, num passe de mágica, se tornam aliados e trocam-se afagos em via pública.
O filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) já dizia que “... a política é a arte do possível...”, e no nosso Brasil esta frase assume contornos ainda mais inimagináveis, e inexoravelmente, expandindo as fronteiras do possível.
Não vou julgar se isto ou aquilo é positivo ou negativo, mas que todo carnaval tem limite, principalmente este carnaval político que vivemos, a isso tem que ter, pois só depois da “quarta-feira de cinzas” é que se vem a quaresma, e necessitamos de uma “quaresma política”.
Aqui, os partidos políticos não têm ideologias, nem representam correntes de pensamentos, muito menos carregam bandeiras de minorias, nem tampouco falam por grupos étnicos.
Os partidos políticos no Brasil, salvo honrosas e pontuais exceções, tanto na direita como na esquerda, assemelham-se mais a clubes, em que os filiados podem se filiar e se “desfiliar”, com a mesma facilidade com que se troca de carteirinha de clube de natação ou de futebol (... aliás, se ver mais fidelidade a certos times de futebol do que a ideologias de partido).
Os próprios partidos não se levam a sério, eles mesmos se assumiram mais na condição de agremiação efêmera do que agrupamento de posição política. Eles incorporaram este espírito carnavalescos pouco sério, e se tornaram mera “sopa de letrinhas” para defender este ou aquele interesse INDIVIDUAL e nunca o COLETIVO.
Existem as mais diversas tentativas de explicar este “fenômeno”, desde a daqueles que dizem que isto é fruto da vontade reprimida do povo diante os vinte anos de bipartidarismo forçado durante a ditadura (a dicotomia artificial ARENA e MBD) até os que advogam que isto está na natureza simplista do DNA político brasileiro, partindo da dualidade entre conservador e liberal que existiu desde os tempos do Império chegando aos grupos dos de quem está no governo e quem está contra, nos dias de hoje, ou melhor dizendo nos dos que estão com o “osso” e não querem largar dos que estão com vontade de pegar o osso.
Alguém já ouviu falar em PHS, PRTB, PRB, PT do B, PMN, PCO, PSC, PSDC, PPS, PRN, dentre muitos e muitos outros? Legendas absolutamente vazias, sem ideologia, sem estatuto definido ou com estatuto vagos, sem posição no espectro político e sem propostas, só servindo de mero “clube partidário”, cabide ou trampolim pra meia dúzia de espertalhões TENTAREM alçar espaço na vida pública e ficar com o osso na boca até não poder mais.
Lógico, claro e evidente, que as medidas em prol da fidelização partidária lançadas pelo próprio Poder Legislativo e lastreadas pela Justiça Eleitoral (Poder Judiciário) buscam parar com esta farra toda, já tendo até algumas vítimas “ilustres” como o fedelho otário Walter Brito Neto que entrou para a história por ser o primeiro deputado a perder o mandado por infidelidade partidária, pois se elegeu pelo DEM da Paraíba e quando chegou ao Congresso, tentou vazar pro PRB.
Isto tinha acontecer mais cedo ou mais tarde, esta moralização partidária tinha que acontecer sob pena do carnaval partidário se aprofundar ainda mais. Contudo, parafraseando o grande poeta paraibano Augusto dos Anjos, “... a mão vil que afaga e a mesma que mão apedreja...”, pois as mesmas regras que buscam a dar seriedade a fidelização partidária no país permitem certas burlas que deixam passar quase o mesmo carnaval de antes, basta achar um bom, competente (e caro) advogado, com trânsito regular no TSE ou nos TRE’s da vida, para que entre uma brecha e outra se permita que se troque de partido como se troque de camisa do mesmo jeito que antes.
Nisso tudo, só quem se confunde (ou se lasque) é o coitado do eleitor, que se acostumou e ver um fulano ou sicrano vestindo as cores de um partido e de uma hora para outra, por um motivo que poucos conseguem alçar, vestir a cor de outro partido totalmente diferente, e pior, fazer isto como se fosse a coisa mais legítima do mundo, quem antes estava lado a lado num palanque, de um momento para o outro passa a se engalfinhar nas ruas, e quem a gente jurava ser inimigo mortal um do outro, num passe de mágica, se tornam aliados e trocam-se afagos em via pública.
O filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) já dizia que “... a política é a arte do possível...”, e no nosso Brasil esta frase assume contornos ainda mais inimagináveis, e inexoravelmente, expandindo as fronteiras do possível.
Não vou julgar se isto ou aquilo é positivo ou negativo, mas que todo carnaval tem limite, principalmente este carnaval político que vivemos, a isso tem que ter, pois só depois da “quarta-feira de cinzas” é que se vem a quaresma, e necessitamos de uma “quaresma política”.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Ironic critics for the British pseudo hard life, due to the cruel Brazilian reality
We don't need no education
then we should be all illiterate
We don't need no thought control
then we didn't at least need to think
No dark sarcasm in the classroom
so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing
Teachers leave them kids alone
alone, without hopes and without future perspectives
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification
All in all it's just another brick in the wall.
better be just brick thrown thereabout
All in all you're just another brick in the wall.
better be just brick that breaks window-panes and windshields
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
then we should be all illiterate
then we didn't at least need to think
so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing
alone, without hopes and without future perspectives
alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification
better be just a brick thrown thereabout
better be just brick that breaks window-panes and windshields
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
then we should be all illiterate
We don't need no thought control
then we didn't at least need to think
No dark sarcasm in the classroom
so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing
Teachers leave them kids alone
alone, without hopes and without future perspectives
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification
All in all it's just another brick in the wall.
better be just brick thrown thereabout
All in all you're just another brick in the wall.
better be just brick that breaks window-panes and windshields
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
then we should be all illiterate
then we didn't at least need to think
so here comes the fake luminous freedom from being absolutely nothing
alone, without hopes and without future perspectives
alone, drunk, alcoholic adict, ignorant and without any professional qualification
better be just a brick thrown thereabout
better be just brick that breaks window-panes and windshields
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
just brick thrown thereabout
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Santana dos Usurpadores (2ª Parte)
Roma, Século II antes de Cristo, a colheita da uva sempre foi uma das mais esperadas, e desejadas, pois com a uva se produzia o vinho e com ele toda a alegria, que pode vir, da sensação de embriaguez. Com o vinho afogavam-se as mágoas e curtiam-se as coisas boas da vida. E como em toda colheita, isto nada mais era do que a celebração da vida, pois da terra árida, pedregosa e mediterrânea da Península Itálica, vinha algo tão doce e bom como a uva, e da uva se originava a bebida mais maravilhosa que até então existia, o vinho. E para celebrar esse evento tão único nada melhor do uma festa, e os romanos organizavam grandes celebrações para Baco, o deus do Vinho, com muita comida e bebida, e todo mundo se embriagava a vontade (com vinho, lógico), e o sexo corria solto (nada melhor do que sexo para se celebrar a vida), e verdadeiras orgias se davam nas praças e coliseus bem como no interior das casas e palácios, tanto que até hoje o termo “Bacanal” (literalmente “festa de Baco”) virou sinônimo de sexo grupal.
Currais Novos, Brasil, Século XXI, Festa de Santana 2009, se teve de tudo, comida e bebida a vontade, turistas, gente vindo de todo lugar, pobres e coitados artistas esquecidos, e desempregados, resgatados do ostracismo em nome de uma mera e questionável economia de cachê, casais ficando, casais transando pelos cantos, gente embriagada, gente drogada, garrafada na cabeça, uma morte, brigas, cabra safado vindo da capital só pra se dar bem com as meninas do interior (e conseguindo), gente arrumando confusão (e conseguindo), bêbado vomitando e urinando nas calçadas, roubo e furto, a banda Inalla levando gente pra o palco simulando o coito, dançarinos seminus, safadeza, prostituição e velhinhos boquiabertos e velhinhas simplesmente chocadas. Saldo: uma festa como outra qualquer.
Cadê o sentido litúrgico que deveria permear uma festa para uma santa, cadê os valores cristãos que deveriam está presentes numa comemoração e celebração essencialmente que é uma festa cristã? Perderam-se na renda do leilão e na venda de senhas para as festas?
Tem que se ter uma definição de uma vez por todas, ou a festa é religiosa, com a exaltação do sentido espiritual, ou a festa é profana, que nem uma micareta da vida, esquecendo-se de vez o caráter transcendente e elevado que se deveria ter. O que não dá pé é misturar as duas coisas, como água e óleo, e achar que é normal.
Entenda-se que aqui não me ponho a criticar especificamente esta festa ou esta padroeira, pois aqui apenas tomei como exemplo. Critico sim, e com veemência, toda e qualquer festa que se diz ter um lado religioso e um lado profano, e se dizer isso na maior cara lisa de pau, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ou pior, com o único fim de arrecadar dinheiro para o que quer que seja. A festa deve ser ou uma coisa ou outra, ou então, vamos deixar a hipocrisia de lado e voltarmos aos velhos tempos das bacanais romanas.
Como me lembro uma vez, há alguns anos atrás, em que fui à cidade de Frei Martinho, na Paraíba, para uma festa de Nossa Senhora da Guia, quando o palco ficou instalado bem na frente da igrejinha e o cantor da banda de forró qualquer começou o show cantando a todo pulmão “chegou o Chico Rola na casa de Zé Priquito”.
E quem não gostou do que eu disse que vá reclamar com o Bispo.
Currais Novos, Brasil, Século XXI, Festa de Santana 2009, se teve de tudo, comida e bebida a vontade, turistas, gente vindo de todo lugar, pobres e coitados artistas esquecidos, e desempregados, resgatados do ostracismo em nome de uma mera e questionável economia de cachê, casais ficando, casais transando pelos cantos, gente embriagada, gente drogada, garrafada na cabeça, uma morte, brigas, cabra safado vindo da capital só pra se dar bem com as meninas do interior (e conseguindo), gente arrumando confusão (e conseguindo), bêbado vomitando e urinando nas calçadas, roubo e furto, a banda Inalla levando gente pra o palco simulando o coito, dançarinos seminus, safadeza, prostituição e velhinhos boquiabertos e velhinhas simplesmente chocadas. Saldo: uma festa como outra qualquer.
Cadê o sentido litúrgico que deveria permear uma festa para uma santa, cadê os valores cristãos que deveriam está presentes numa comemoração e celebração essencialmente que é uma festa cristã? Perderam-se na renda do leilão e na venda de senhas para as festas?
Tem que se ter uma definição de uma vez por todas, ou a festa é religiosa, com a exaltação do sentido espiritual, ou a festa é profana, que nem uma micareta da vida, esquecendo-se de vez o caráter transcendente e elevado que se deveria ter. O que não dá pé é misturar as duas coisas, como água e óleo, e achar que é normal.
Entenda-se que aqui não me ponho a criticar especificamente esta festa ou esta padroeira, pois aqui apenas tomei como exemplo. Critico sim, e com veemência, toda e qualquer festa que se diz ter um lado religioso e um lado profano, e se dizer isso na maior cara lisa de pau, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ou pior, com o único fim de arrecadar dinheiro para o que quer que seja. A festa deve ser ou uma coisa ou outra, ou então, vamos deixar a hipocrisia de lado e voltarmos aos velhos tempos das bacanais romanas.
Como me lembro uma vez, há alguns anos atrás, em que fui à cidade de Frei Martinho, na Paraíba, para uma festa de Nossa Senhora da Guia, quando o palco ficou instalado bem na frente da igrejinha e o cantor da banda de forró qualquer começou o show cantando a todo pulmão “chegou o Chico Rola na casa de Zé Priquito”.
E quem não gostou do que eu disse que vá reclamar com o Bispo.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Santana dos Usurpadores
Dos clássicos filmes de John Ford ao mais fuleiro do Spaghetti Westerns existe um tipo de personagem, sempre ligado ao lado negativo, ao que atrapalha, ao que causa incomodo e merece ser exterminado: o índio. Sempre pior que o bandido, o bandido é o inimigo preferencial de 10 entre 10 moçinhos hollywoodianos.
Aqui no Brasil, a expressão “índio”, está sempre ligada à coisa ruim ou bagunça “programa de índio” programa chato, “fulano é que nem índio” igual a fulano é desagradável, “isso aqui é taboca de índio” para dizer que uma casa está suja ou desarrumada.
Mas a verdade é que o Índio sempre foi injustamente associado a aspectos ruins ou negativos. Basta dar uma olhadela imparcial ao longo da Historia do Novo Mundo e se poderá ver que eles foram as grandes vítimas do processo civilizatório europeu que nos foi imposto de goela abaixo. Há até quem compare a chegada de Colombo ao início de um dos maiores holocaustos da de todos os tempos. Povos, nações, idiomas, culturas inteiras (e em alguns casos culturas como a asteca, maia e inca, superiores a cultura européia) destruídas deliberadamente ou não, causando uma perda inestimável a riqueza humana, cuja reparação é impossível e dá trabalho para arqueólogos e historiadores recuperar em pequenas porcentagens.
Aqui no nosso país, as doenças trazidas pelos portugueses foram responsáveis pelo extermínio de populações inteiras de tupis. Não fosse isso suficiente, além de tirar-lhes a dignidade e tomar a força e quase sem nenhuma resistência, a terra a que lhes pertencia por séculos, foi imposto pelo lusitano ao indígena uma escravidão abjeta da qual os livros de história pouco fazem menção. Povos outrora livres, altivos e felizes passaram a viver o pior dos cativeiros, trabalhando para os outros numa terra a que antes era deles, sendo chicoteado, espoliado e roubado continuamente, no que o antropólogo Darcy Ribeiro chamou de “moinhos de gastar gente”, ou fornalhas de consumir pessoas. Às índias foram impostos castigos ainda piores, além de vítimas da escravidão e do roubo, elas foram vítimas de estupros sistemáticos e cruéis. Os portugueses, após meses de viagem em fétidas caravelas, fedendo a podre, cheios de lepra, de feridas e escorbutos viam na pele lisa, limpa e saudável das indiazinhas algo que podiam devorar sem dó nem piedade arrancando-as do paraíso que viviam e jogando-as no pior dos infernos. O historiador Gilberto Freyre dizia que os marinheiros de Portugal “afundavam o pé na carne” sem pena.
Quando se fala na colonização européia das Américas em relação aos índios tenha-se em mente a seguinte visão exemplificadora bem simples. Um sujeito vem de longe, você o recebe em sua casa, só que este sujeito rouba sua casa, se apropria da sua casa, mata seu filho, estupra sua mulher e sua filha, tira sua dignidade e ainda lhe obriga a trabalhar para ele como escravo e sob chicotada no lombo. Pois foi isto que os ingleses fizeram na América do Norte, os franceses no Canadá, os espanhóis na América Latina e os portugueses aqui no Brasil.
O espetáculo do Auto de Santana deste ano passou de todos os limites ao mostrar os índios como seres a ser combatidos e um patético Tupã, como uma entidade malévola a ser vencido pelo “poder” de Sant’Ana. Para quem não sabe Tupã não tem nada de malévolo nem satânico, é sim parte de uma mitologia altamente rica e complexa e infelizmente pouco conhecida, e que os Jesuítas no Século XVI associavam a figura de Jesus para facilitar na catequese dos índios.
Isto só significa que para certas pessoas roubar, matar e estuprar não foi suficiente e deve-se acrescentar difamar a memória e tiranizar aqueles que originalmente foram e são as verdadeiras vítimas, os índios.
Ofender a imagem dos índios e desdenhar do que foi sua crença demonstra um ato cruel e de nenhuma caridade cristã e com certeza a Sant’ana desenhada como a misericordiosa avó do Messias não gostaria de ver associada sua imagem como a de padroeira dos ladrões e usurpadores.
Aqui no Brasil, a expressão “índio”, está sempre ligada à coisa ruim ou bagunça “programa de índio” programa chato, “fulano é que nem índio” igual a fulano é desagradável, “isso aqui é taboca de índio” para dizer que uma casa está suja ou desarrumada.
Mas a verdade é que o Índio sempre foi injustamente associado a aspectos ruins ou negativos. Basta dar uma olhadela imparcial ao longo da Historia do Novo Mundo e se poderá ver que eles foram as grandes vítimas do processo civilizatório europeu que nos foi imposto de goela abaixo. Há até quem compare a chegada de Colombo ao início de um dos maiores holocaustos da de todos os tempos. Povos, nações, idiomas, culturas inteiras (e em alguns casos culturas como a asteca, maia e inca, superiores a cultura européia) destruídas deliberadamente ou não, causando uma perda inestimável a riqueza humana, cuja reparação é impossível e dá trabalho para arqueólogos e historiadores recuperar em pequenas porcentagens.
Aqui no nosso país, as doenças trazidas pelos portugueses foram responsáveis pelo extermínio de populações inteiras de tupis. Não fosse isso suficiente, além de tirar-lhes a dignidade e tomar a força e quase sem nenhuma resistência, a terra a que lhes pertencia por séculos, foi imposto pelo lusitano ao indígena uma escravidão abjeta da qual os livros de história pouco fazem menção. Povos outrora livres, altivos e felizes passaram a viver o pior dos cativeiros, trabalhando para os outros numa terra a que antes era deles, sendo chicoteado, espoliado e roubado continuamente, no que o antropólogo Darcy Ribeiro chamou de “moinhos de gastar gente”, ou fornalhas de consumir pessoas. Às índias foram impostos castigos ainda piores, além de vítimas da escravidão e do roubo, elas foram vítimas de estupros sistemáticos e cruéis. Os portugueses, após meses de viagem em fétidas caravelas, fedendo a podre, cheios de lepra, de feridas e escorbutos viam na pele lisa, limpa e saudável das indiazinhas algo que podiam devorar sem dó nem piedade arrancando-as do paraíso que viviam e jogando-as no pior dos infernos. O historiador Gilberto Freyre dizia que os marinheiros de Portugal “afundavam o pé na carne” sem pena.
Quando se fala na colonização européia das Américas em relação aos índios tenha-se em mente a seguinte visão exemplificadora bem simples. Um sujeito vem de longe, você o recebe em sua casa, só que este sujeito rouba sua casa, se apropria da sua casa, mata seu filho, estupra sua mulher e sua filha, tira sua dignidade e ainda lhe obriga a trabalhar para ele como escravo e sob chicotada no lombo. Pois foi isto que os ingleses fizeram na América do Norte, os franceses no Canadá, os espanhóis na América Latina e os portugueses aqui no Brasil.
O espetáculo do Auto de Santana deste ano passou de todos os limites ao mostrar os índios como seres a ser combatidos e um patético Tupã, como uma entidade malévola a ser vencido pelo “poder” de Sant’Ana. Para quem não sabe Tupã não tem nada de malévolo nem satânico, é sim parte de uma mitologia altamente rica e complexa e infelizmente pouco conhecida, e que os Jesuítas no Século XVI associavam a figura de Jesus para facilitar na catequese dos índios.
Isto só significa que para certas pessoas roubar, matar e estuprar não foi suficiente e deve-se acrescentar difamar a memória e tiranizar aqueles que originalmente foram e são as verdadeiras vítimas, os índios.
Ofender a imagem dos índios e desdenhar do que foi sua crença demonstra um ato cruel e de nenhuma caridade cristã e com certeza a Sant’ana desenhada como a misericordiosa avó do Messias não gostaria de ver associada sua imagem como a de padroeira dos ladrões e usurpadores.
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