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sábado, 21 de maio de 2011

hoje é dia 21 de Maio de 2011

Hoje é dia 21 de Maio de 2011, e tem um louco acolá, lá nos U.S.A. (sempre famigerados) que disse que essa é a data do fim do mundo, o dia da seguda vinda de Jesus, o dia tão temido julgamento...
Só que nada disso ocorreu ainda...ainda...
bem que poderia, afinal de contas as nuvens estão especialmente negras e o clima anda meio soturno bem característico de fim...mas nada...
a hoora marcada para o fim foi às 18:00, e cá estou a ver o Jornal Nacional...e nada...
a verdade é que todo dia é o dia do fim do mundo...para alguém
todo dia gente morre...todo dia um mundo se acaba...seja de maneira plácida ou violenta...o fim é sempre o mesmo...triste...
Vejo vocês amanhã...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Uma Saga Humana Contada nas Estrelas

Faz tempo que eu queria escrever alguma coisa sobre Star Wars (Guerra nas Estrelas), mas sempre tive receio, afinal de cintas George Lucas não criou só um mundo, criou uma Galáxia inteira (...uma galáxia, muito, muito distante).

A história desenvolvida em duas trilogias separadas por cerca de 20 anos somados de produção, gerou não só um universo fascinante de entretenimento, como também uma das maiores e mais lucrativas franquias do cinema, também pudera, depois dos filmes vieram os livros, os jogos, roupas, brinquedos, tudo dentro de espírito fantásticos de encher os olhos.

Ao contrário de outras franquias famosas do cinema, tais como Narnia, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, ou mesmo 007 James Bond, as duas trilogias que compõem a saga Star Wars não vieram da literatura, foi geridas, gestadas e voltadas exclusivamente para a Sétima Arte, o que de certo modo garante que ela explore todos os campos possíveis e todas as técnicas aplicáveis à película.
Para assistir a Star Wars (Guerra nas Estrelas), em primeiro lugar é imprescindível se desconectar da realidade, esqueça as leis da física, esqueça os conceitos de democracia e tirania, explorados à exaustão nos filmes, esqueça as continuidades lógicas, liberte-se de tudo e só “viaje” pela ‘República Galáctica’ e sua luta contra o lado Negro da Força, se você for racionalizar cada aspecto do roteiro, você certamente irá travar e não sentir o prazer de mergulhar naquele espiral endiabrado de sonhos e vertigem, naves explodindo, de seres encantadores, outros assustadores, mundos e de incríveis e sobretudo os surpreendentes, e por vezes arrepiantes duelos com os sabres de luz.

Muito embora a história de Guerra nas Estrelas se passe nessa tal Galáxia distante, todos os seus referenciais são extremamente terráqueos, e não poderia deixar de ser diferente. O próprio George Lucas já admitiu que o duelo Luke Skywalker versus Darth Vader nada mais é do que uma releitura da milenar tragédia grega de Édipo Rei, só que agora com final feliz, pois no fim pai e filho fazem as pazes.

Eu particularmente prefiro a segunda trilogia ao invés da primeira, não só pelos efeitos especiais mais elaborados, mas também pelo fantástico coquetel de referências culturais e cinematográficas que George Lucas usou para construir o cotidiano da sua galáxia imaginária. Quem não vê referências de Blade Runner de Ridley Scott na distopia urbana caótica em Coruscant? Ou acordes subliminares das músicas de Jean-Michel Jarre em Utapu, ou mesmo ecos distante de Apocalypse Now de Francis Ford Coppola em laces e closes da câmera trêmula e “documentarial” nas cenas de batalha de no Episódio II, Ataque dos Clones? Ou resquícios dos “Thanderbolts” no design de certas naves? Poderia escrever laudas e mais laudas pormenorizando cada influência empregada por Lucas na construção da sua Galáxia distante.

Poderia até discutir se ela poderia ter fato existido, ou não, nalguma esquina cósmica do espaço/tempo, e tudo mais. Mas quem se importa, quando se tem imagens fantásticas quanto o pôr dos dois sois do sistema binário de Tatooine, quem não se arrepiou com sorriso no canto do rosto com a inebriante corrida de Pod Racers? E a cinematografia que é tão bem feita que parecesse até que se estava lá presente quando Palpatine/Darth Sidious ludibria e convence Anakin Skywalker das falsas vantagens de passar para o lado negro da força.

Star Wars, as duas trilogias, concretiza a máxima essência da arte, desligar o indivíduo de sua realidade e projetá-lo num mundo diferente, estando neste mundo diferente todos os elementos da sua realidade. E nesse sofisma realidade/ilusão se projeto o ser humano muito além da sua percepção, não numa Galáxia velha e distante do Planeta Terra, mas aqui mesmo.

Star Wars, enfim, é isso, uma bela saga terrena contada de forma sublime nas estrelas.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Joana e Ronaldo

Nestes dias em que a regra é sempre o “primeiro eu, o resto que se exploda”, onde o egoísmo e a ganância imperam e o cruel jogo da sobrevivência nos impele a passar por cima uns dos outros em nome do êxito e riqueza pessoal, é difícil crer que ainda possa existir um altruísmo autêntico e verdadeiro.

Também pudera, tantos e tantos casos de pseudo-filantropos que se aproveitam da generosidade alheia e até de fundos governamentais para locupletar os próprios bolsos nos fazem ficar “cabreiro” ante qualquer demonstração do que será algo verdadeiramente pensado para o próximo.

Mas não podemos perder a esperança e SIM o verdadeiro trabalho altruísta, pensado, gerido e voltado para o próximo, para os menos validos na vida, em detrimento do enriquecimento pessoal, existe e pode ser encontrado bem perto da gente.

Dois estados tão distintos e tão distantes um do outro neste nosso continental país. Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, o Brasil se encontra na solidariedade, através da ação de um jovem casal, ele, um gaucho, Ronaldo Henzel, ela uma potiguar, currais-novense por sinal, Joana Darc, a primeira vista um casal como outro qualquer, gente de classe média, poderia se passar por um casal de profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos etc., mas não, eles exercem um dos mais nobres trabalhos filantrópicos, através da ONG (Organização Não-Governamental) Pão é Vida.

Quem não conhece o trabalho da ONG (Organização Não-Governamental) Pão é Vida, deveria conhecer. Eles escolheram como meio de vida desenvolver uma ação de inclusão social, fundado no trabalho voluntário e sem qualquer vinculação com órgãos públicos instituições ou igrejas, dentro de um velho ônibus Marcopolo II, eles peregrinam entre cidades do alto sertão de Pernambuco e Alagoas, uma das regiões mais sensíveis, para não dizer miseráveis, do país, levando muito além de um assistencialismo barato, mas sim profissionalização, capacitação profissional, oficina de leitura, assistência médica, tudo isto sem custo algum às comunidades.
Atualmente eles estão baseados na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, Pernambuco, cidade conhecida não só pelas suas confecções, mas também pela sua incomum violência urbana.
É fácil criticar o estado por não estar presente nas comunidades mais desvalidas do país o difícil é arregaçar as mangas e buscar preencher os espaços vazios deixados por este estado ausente. E isto Ronaldo e Joana fazem.

Nesse mundo em que a ascensão social e o enriquecimento, ou tentativa de enriquecimento, a todo custo são uma regra, uma maldita regra que se impele passar uns por cima dos outros, lagar tudo, todas as regras deste jogo infame chega a beirar as fronteiras do absurdo. Absurdo?! Absurdo seria não pensar no próximo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O psicopata perto de nós

É difícil escrever sobre um assunto que está em evidência e que todo mundo comenta, principalmente quando o assunto é uma tragédia sem precedentes nesse país, como o infeliz Massacre no Realengo, fica sempre a sensação de que o que a gente disser já foi dito anteriormente, considerando que a grande mídia brasileira, sedenta por sangue e coberturas “jornalísticas” sanguinolentas, cobriu, cobre e com certeza cobrirá por vários meses à frente, todos os ângulos possíveis e imagináveis desta página lamentável da crônica brasileira.

Por outro lado, esta é a realidade que nos cerca, além do que uma desgraça dessas deve ser o principiador de análises racionais e, porque não dizer, frias, para evitar que se repita novamente gerando mais vítimas inocentes.

Faz um tempo que ando lendo um livro bem interessante chamado “Mentes perigosas, O Psicopata Mora ao Lado” de autoria da psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva. Neste livro, de linguagem rápida, direta e agradável e voltada ao público leigo, a autora expõe os diversos tipos de psicopatas e sua relação com o próximo. Fica patente, ainda de acordo com o contido na referida obra, que há uma gradação, um escala de psicopatia, além de existir os mais diversos tipos. Em outras palavras, um sujeito que nem o que invadiu a escola de Realengo e causou essa tragédia toda, seria só mais um dentro de uma vasta gama de tipos de psicopatas, seria o do tipo recluso, introspectivo, provavelmente vítima de bullying quando menor, que durante toda a vida nunca fez mal a ninguém só a si mesmo, mas que é capaz de “explodir” de um instante para outro, ou planejar uma “vingança” meticulosamente. Mas isto não o exime de culpa, pois ainda de acordo com o livro, o que difere um psicopata de um louco de verdade é que o psicopata sabe distinguir o bem do mal, sabe que o mal agride e ofende os outros e mesmo assim deliberadamente escolhe fazê-lo.

O livro de Ana Beatriz Barbosa Silva também deixa transparecer que o tipo de psicopatas que nem o assassino de Realengo é minoria, a grande maioria dos psicopatas são pessoas comunicativas, envolventes, extrovertidas, contudo não menos más, e que para se ter um quadro de psicopatia não é necessário matar, pode também perseguir, caluniar, roubar agredir física ou moralmente, matar seria apenas o último degrau numa escada aonde pode alcançar o psicopata.

A única coisa que liga todos os tipos de psicopatas, além da escolha deliberada de fazer o mal e da ausência de pena pelo que faz às suas vítimas, é total falta de motivos, ou pelo menos motivos plausíveis, para fazer o que faz. Um ou uma psicopata pode chegar para você e simplesmente dizer que não gosta de você, que não vai com tua cara, que o “santo não bate” e simplesmente acabar com a tua vida, não necessariamente matando, mas ofendendo, denegrindo, roubando, enfim praticando qualquer ato delitivo ou amoral, e todo isso sem motivo aparente algum, e pior de tudo, sem pena ou remorso. Não importa o que a vítima faça, ou seja, se é boa ou má, se tenha hábitos louváveis ou não, a vítima será a vítima simplesmente por existir.

Esta evidência é aterradora, pois só mostra que qualquer um pode ser vítima da psicopatia e que os psicopatas podem estar mais perto do pensamos, e qualquer um deles podem subir os degraus da maldade.

domingo, 20 de março de 2011

Apocalipse nosso Apocalipse

Há um tempo escrevi um texto sobre a derrubada de algarobas na entrada da cidade de Acari. Usei isto como um “starter” para mostrar minha indignação de anos com o descaso geral do ser humano ante o meio ambiente. Falei de florestas derrubadas, mares poluídos, findando com o lixo espacial produzido pelas grandes potências que findará por cair em nossas cabeças tais quais meteoritos.

Pois é, anos se passaram e nade de fato parece mudar. E como diria o escritor bengalês Chandrok Barauoang “não há nada mais triste a um escritor do que a certeza de não poder mudar a realidade”, e mais uma vez venho com a velha cantilena que devemos proteger o meio ambiente e parar imediatamente de agredi-lo.

Desta vez não vou tão longe não, pois algarobeiras que foram estupidamente derribadas estavam (digo estavam, pois não estão mais lá) na entrada da Mina Brejui. Não sei quem foi o “gênio” iluminado que teve a idéia “brilhante” de amputar aquelas árvores, nem sei e nem quero saber o motivo (se é que tem ou teve algum), só lamento perder a vista daquele verde logo na entrada da cidade, que trazia consigo a tênue paisagem de esperança e beleza para o se poderia encontrar em Currais Novos.

Não me conformo com essa estúpida sanha seridoense de não gostar de ver nada verde, qualquer coisinha já logo abatendo, cortando, mutilando, e depois reclamar que a chuva não vem ou que o clima está quente, ora só chove se houver umidade no ar, para haver umidade é necessária a transformação do carbono em oxigênio produzido pela reação da fotossíntese. A ‘aritmética’ é simples sem árvores não há melhoria do clima.

Dois exemplos mostrados a exaustão pela mídia A desgraceira que aconteceu no Japão, com seus terremotos, maremotos e tsunamis, muito além de “previsíveis” movimentos de placas tectônicas, ou as catástrofes no interior do Estado do Rio de Janeiro e no Estado do Paraná, com terríveis enchentes, só mostram o quão pequeno somos ante a fúria da natureza, e se continuarmos agredindo desta forma destemperada, sonsa, ambiciosa, raivosa e contínua, mais cedo ou mais tarde ela, natureza, dá o seu troco pela agressão que nós humanos a levamos, pois ela (a natureza) se deixa agredir placidamente por muito tempo, mas quando estoura, não tem pra ninguém, absolutamente ninguém.

Poderia muito bem fazer um “copiar-colar” naquele texto sobre as alfarrobeiras de Acari, afinal de contas as coisas pouco mudaram desde então, mas temo sofrer do mesmo ressentimento de Chandrok Barauoang.

Temo também que o vaticínio preconizado pelos Astecas e popularizado no filme “2012” de Roland Emmerich, e que prevê o fim do mundo com tanta precisão , seja enfim verdade, e principalmente que o mundo possa mesmo se acabar não necessariamente em 2012, mas em 2013, ou mesmo, quem sabe, amanhã de manhã, e o pior de tudo, o grande causador desse fim trágico do nosso mundo seja nós, seres humanos.

Nós, e somente nós, auto-proclamados racionais Homo Sapiens estamos causando o apocalipse pelo nosso uso predatório e irresponsável dos recursos naturais e, de fato o fim do mundo seja mais um fruto indigesto da raça humana. Os desastres naturais acontecem por nossa causa ... por nossa causa.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O VENTO ÁRABE DA MUDANÇA E NÓS

Tal qual rastilho de pólvora, ventos libertários sopraram no mundo árabe. Uma após outra ditaduras sedentárias caem sob o clamor da população que foi ( e ainda está indo) às ruas pedir a saída de tiranos ou partidos que se amojaram no poderes e de lá parecia que não sairiam mais.
O parágrafo acima, repleto de clichês, é a tônica de como a imprensa mundial está fazendo a cobertura dos protestos que estão acontecendo em vários países árabes. Tudo começou na Tunísia, país pequeno, mais ou menos do tamanho do Estado de Alagoas, ex-colônia francesa, o povo foi às ruas para protestar contra a truculência policial que havia vitimado um feirante em Tunis (a capital) daí aos protestos se encaminharem às condições de vida e a corrupção generalizada, foi um pulo.
Dali foi para o Egito, cujo partido Pan-Arabe estava no poder desde os anos 1950, e dos quais os últimos 20 estavam com ditador Mubarak, que foi destituído do poder de forma quase vexatória.
Na Líbia é que a coisa pode ser um pouco diferente, Muammar Khadafi antes de ser um déspota sanguinário, é um político habilidoso. Nos anos 1970-1980, ele apoiou fortemente e declaradamente vários movimentos terroristas, dentro da ideologia do movimento Pan-Arabe, que culminou no atentado ao avião da Pam-Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, os terroristas exploram esta avião em pleno vôo, matando todos os duzentos passageiros, o avião em chamas caiu sobre a cidade,matando mais um tanto número de pessoas, em suma, algo tão terrível quanto um “11 de Setembro”. Os EUA e as demais potências ocidentais impuseram um severo embargo comercial a Líbia. Nos anos 1990 Khadafi se distanciou do movimento Pan-Arabe e decidiu se aproximar do Ocidente, para isto assumiu a culpa sobre o atentado de Lockerbie, entregou à justiça americana-europeia os seus agentes que arquitetaram a explosão do avião (que estão presos até hoje), indenizou as famílias das vítimas com verdadeiras fortunas. Resultado, até bem pouco tempo Barack Obama fazia pose para fotos junto com Khadafi, e Hilary Clinton cumprimentava seus filhos. Em outras palavras, se Khadafi fez o que fez ainda conseguiu se reaproximar do ocidente, ele pode muito bem se safar dessa crise do momento. Aguardemos os próximos capítulos dessa novela líbia.
Essa história toda só nos faz lembrar que não devemos tomar partido neste conflito. Ditaduras nunca são defensáveis, mas nem todas as oposições são louváveis. Neste caldeirão onde estão os protestos no mundo árabe, tem gente de do tipo, de fundamentalistas teocráticos a grupos pró-americanos. A estabilidade frágil, porém previsível de certos governos despóticos dará lugar a incógnitas democráticas.
A impressão que se tem é que o Ocidente está meio perdido nisso tudo, não sabe se louva ou se teme esta mudança toda.
Então vamos esperar pra ver se o vento árabe da mudança é bom ou ruim pra todos nós e ao conceito ocidental de democracia.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

1972

Vira e mexe, meia volta, volta e meia, falo sobre música, e não qualquer música, mas sim o bom e já velho rock ‘n ‘ roll.
Se os últimos tempos desde os anos 1960, no século passado até os dias cibernéticos de hoje tem uma trilha sonora, esta é em ritmo de rock.
O rock é um mundo, tem de tudo e cabe de tudo. Quer romantismo? Que tal Coldplay. Quer catarse? Que tal Van Halen. Quer classicismo? Que tal Yes (dos anos 70). Quer maracatu? Que tal Nação Zumbi; e para aqueles que acreditam que rock é música americana e para alienados, eu digo que ela é muito mais que isso, pois se hoje posso me dizer de esquerda, muito contribuiu as letras politizadas das canções do The Clash.
Em nasci em 1972, presenciei ao longo desses quase 40 últimos anos a ‘evolução’ do rock de música contestadora e de minoria para sua total popularização. Hoje com rock se faz de propaganda de iogurte à hino evangélico ou católico, cantado e berrado por padres e pastores, em nome da evangelização.
Curioso é que não existem grandes roqueiros nascidos em 1972, a maioria dos caras que fazem essa música vigorosa e pulsante ou nasceram antes ou depois deste ano. E olha que 1972 não foi um ano qualquer, os Rolling Stones Lançaram “Exile on Main Street”, o Moody Blues lançavam “A Question of Balance”, Bowie lançava Ziggy Stardust, ou seja álbuns históricos que ajudaram a definir os rumos da música e influenciaram as gerações seguintes.

Aqui no Brasil não ficava atrás não, enquanto Médici governava e desmandava com mão de ferro, as pessoas usavam calças boca de sino e as ruas estavam cheias de Puma GTE, Rita Lee e Raul Seixas lançavam seus primeiros discos solo, Ney Matogrosso rebolava à frente dos Secos & Molhados e os Pholhas cantavam num inglês impecável hits que não deixavam a desejar qualquer banda estrangeira.
Mas se 1972 foi um ano tão icônico para história do rock, por que então não há roqueiros de nome nascidos neste ano? De que eu me lembre só os caras do Green Day e Liam Gallegher nasceram nesse período. Será que todo mundo que veio ao mundo em 1972 optou por profissões prosaicas tais como médico, advogado, engenheiro, funcionário público ou arquiteto entre outras e deixaram o puro som do rock para os vieram antes ou depois? E por que isso me incomoda tanto?
Quem nasceu em 1972 teve sua adolescência nos apáticos anos 1980 quando se deu a já mencionada ‘evolução’ do rock de música contestadora e “proibida” em somente mais um ritmo, ou pior mais um instrumento de marketing que se vende de quase tudo de alimentos aos credos cristãos
Como se pode ser jovem e contestador hoje em dia, se a música jovem e contestadora por excelência já está velha e Pete Townshend e Roger Daltrey tem 65 e 66 anos respectivamente?
Não sei se quando escuto coisas novas (e frescas) como o Restart, por exemplo, se encaro como uma renovação ou uma coisa completamente nova que não o bom e velho rock ‘ n’ roll ao qual me acostumei a gostar. Não sei se fico feliz ou triste.
Só espero que a música da minha adolescência nunca morra, vire o clássico que merece ser e se perpetue... Eternamente.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ano Novo, desgraça velha

Chegou Janeiro. É pleno verão, o calor intenso dos nossos trópicos incide sobre a terra, em princípio é tudo alegria, para alguns a melhor época do ano. Mas o calor também evapora água, muita água, estas se elevam, se condensam e depois com a umidade se precipitam nas monções, e mais uma vez se tem a crônica de uma tragédia anunciada.
Ano após ano os noticiários explodem em más notícias, ano passado, Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) foram arrasadas pelas cheias e deslizamentos. E nem adianta os catastrofistas de plantão atribuir tais eventos a uma eventual proximidade do fim do mundo, se voltar, mais e mais no tempo veremos que região após região, este flagelo de início de ano vem irremediavelmente se repetindo. Em São Paulo (a capital) isto nem é mais novidade, é quase rotina.
Ano retrasado foi a vez de Santa Catarina ser atingida pelas monções. Sem falar nas enchentes em Pernambuco e Alagoas, no mesmo período.
Em 2006, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (eleito novamente ano passado) anunciou o final das enchentes no Rio Tietê. Semana passada, o Tietê - e seus afluentes Pinheiros, Aricanduva, Tamanduateí e Pirajussara - transbordaram.
Desde que me entendo por gente e que acompanho os noticiários, percebo que o início do ano é tempo de falar de enchente em algum lugar desse país. Ficou tão indecentemente comum este tipo de notícia, que a gente chega a ficar indiferente com a desgraça alheia que é noticiada, e por vezes os apresentadores dos telejornais mal mudam o tom de voz quando sai do noticiário das enchentes e passa para a seção de esportes e fala da contratação de Ronaldinho Gaucho pelo Flamengo.
Mas devemos lutar contra o demônio da indiferença com mais vontade do que contra qualquer outro demônio, e um cataclismo deste não pode passar em branco.
Este ano as torrentes atingiram o interior do Estado do Rio de Janeiro, castigando a sua bela região serrana. Uma das maiores catástrofes da história recente, mais de 500 mortos, inúmeros desaparecidos e enormes prejuízos materiais.
Mas afinal, de quem é a culpa? Do governo? Do povo que constrói em áreas de risco? Falta de planejamento? Não é só de um, mas de todos, guardadas as devidas proporções. Dos governos sim, pois permitem seguidamente a construção em áreas declaradamente de risco, seja por motivos politiqueiros, pra ganhar votos de uns, seja por inoperância e incompetência para fiscalizar. O povo também tem culpa uma vez que constrói mesmo sabendo dos riscos. Os mais pobres teriam a sua culpa meio abrandada, pois às vezes constrói em áreas de risco por pura falta de opção melhor. A falta de planejamento também tem sua parcela de culpa. Hoje a meteorologia consegue prognosticar a possibilidade de fortes moções com até 4 dias de antecedência e 90% de acerto, e se tava previsto que haveria chuva forte naquela região o que custava evacuar as pessoas, ficaria o dano material, mas pelo menos se salvaria as vidas.
Além do mais todo mundo sabe, e até eu que não sei de nada, sei que janeiro-fevereiro é o tempo das moções de verão, o que custa prevenir?
A gente tem que aprender com a desgraça, não se comover com ela.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Triste cidade

No último dia 07 de novembro de 2010, aconteceu um incêndio numa casa no bairro Santa Maria Gorete, aqui em Currais Novos. Foi numa casa simples em que seu proprietário complementava sua renda fazendo consertos em estofados. O fogo começou por volta das 18:30, chamaram a Polícia Militar, mas esta pouco pode fazer além de acionar a Secretaria de Obras do município por um carro pipa. Meia hora depois se consegue o carro-pipa, mas “surpresa”, este não tinha água. Então lá vai o carro pipa lá para o Açude Dourado para enchê-lo d’água. Do açude ao local do incêndio, se somado o tempo para encher o reservatório do caminhão, tome-se mais uma hora e pouco. Resultado, quando o caminhão chegou pronto para debelar o foco de incêndio, quase nada havia sobrado, as chamas tinham consumido tudo. Por sorte não houve vítimas fatais, eu disse por sorte, por que na área tinha muitas crianças e o bairro é quase todo residencial. Só restou o prejuízo pra o coitado do morador, que além de perder as coisas que estavam em seu imóvel, também perdeu uma fonte de renda.
Sempre achei um absurdo, uma cidade do porte de Currais Novos, que polariza uma área geográfica relativamente grande, do Seridó oriental às margens do Trairi, não ter sequer uma “mísera” guarnição do Corpo de Bombeiros. Além dos incêndios, afogamentos em açude e emergências das mais diversas, estou cansado de ter notícias de acidentes automobilísticos gravíssimos ocorridos nesta região em que suas vítimas morrem a míngua entre as ferragens ou no chão áspero das estradas, enquanto se espera o socorro vindo da distante Caicó, cerca de 100 km.
E eu, enquanto forasteiro paraibano, quando pergunto aos nativos o porquê dessa situação, na maioria das vezes escuto como resposta algo como um evasivo “... é por que não se tem político forte pra trazer as coisas pra cá...”
Ora, mas o que diabos é um político forte? Por um acaso um deputado halterofilista? Claro que não! Talvez seja um mito criado, tal qual um duende, um unicórnio ou qualquer outro ser mitológico cuja existência é difícil de confirmar, ou é uma mera inoperância dos próprios cidadãos locais em exigir, organizadamente, os mais basilares serviços que uma cidade que almeja ser desenvolvida (e toda cidade sonha em ser grande e desenvolvida) deveria ter.
Este ano teve eleição, e muito embora não se tenha havido uma renovação substanciosa nos mandatários locais, principalmente no legislativo, não me lembro de ter concorrido nenhum “halterofilista” que tenha prometido ou se comprometido a trazer o quer que seja. O que ouvi foi só uma disputa para ver quem fazia o maior “pancadão”, ou quem tinha o “jingle” mais nauseante.
Triste da cidade que dependa de um político super-homem ou “halterofilista” para ter ambulância, saúde, segurança pública ou educação. Aliás, esperar de braços cruzados passivamente que as coisas venham graciosamente que as coisas venham é de uma passividade interiorana que chega a beirar as margens do irritante!
Enquanto isso, outras casas podem pegar fogo com danos materiais e possíveis perdas de vidas, mais gente vai continuar morrendo nas curvas da Sussuarana e da Maniçoba e nada do Corpo de Bombeiros chegar!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Boa Sorte, Presidente

Não é a primeira vez que digo aqui que nós, homens, temos uma dívida impagável com as mulheres. Os séculos de opressão e repressão às mulheres são tantos e tamanhos, que nem os mais cândidos cavalheirismos não são suficientes para sanar.
Os homens roubaram, e ainda roubam a dignidade e a capacidade feminina. Só nos últimos 60 anos, através dos movimentos feministas, a mulher teve a chance de se impor, pois antes eram consideradas meras rês, sem voz e sem voto, sem, nem mesmo direito a propriedade, ao estudo a gerir o próprio nariz.
As mulheres, não obstante terem prazos diferenciados para se aposentar, geralmente trabalha igual ou até mais que os homens e muitas vezes até recebem menos, pelas mesmas funções exercidas pelos homens. Além de todos os inerentes prejuízos impingidos pelo ainda presente chauvinismo machista, também sempre foram sub-representadas politicamente, e especialmente num país como o Brasil, em que estatisticamente existem duas mulheres pra cada homem, o Congresso Nacional apenas 6% é composto por mulheres, e esta distorção fica ainda mais dramática se compararmos com a vizinha Argentina, onde 40% do parlamento nacional deles é formado por mulheres. E se considerarmos a democracia como a forma política governativa em que a maioria deve mandar, enquanto a minoria deve se submeter ao que aquela determinar, isto pelo menos em tese, percebe-se que esta balança, aqui no Brasil, está bem desigual.
Contudo, no último dia 31 de Outubro de 2010, o Brasil deu uma mostra de maturidade política, engoliu um bocado de preconceitos e elegeu a primeira mulher presidente do Brasil, a Sra. Dilma Vana Rousseff. É lógico que eu não sou cego para ver a vitória de Dilma foi muito menos uma vitória pessoal dela e muito mais um forte aval do Presidente Lula de que ela continuará com as mesmas medidas da avanço social que ajudou a mudar a cara deste país nos últimos 8 anos. Mesmo com esse “porém”, a sua eleição não deixa de ser uma guinada de 180 graus na mentalidade política do brasileiro comum, tão afeito aos “masculinismos” na política, e em especial no Nordeste em que o coronelismo patriarcal com ecos ditatoriais é tão presente.
O que me chamou a atenção também foi a grande rejeição de Dilma junto ao próprio eleitorado feminino. Cansei de ouvir de muitas mulheres coisas do tipo: “não confio nesta mulher não” ou “mulher não nasceu pra mandar, nem pra ser presidente, ela ta pensando que é o que...”. Certamente, ainda existem mulheres mais machistas que muito macho, que acham que lugar de fêmea é em casa, esquentando a barriga no fogão e cuidando de criança. Com certeza elas perderão o bonde da história que está por passar.
Tudo isso mostra que se quisermos mudar radicalmente a mentalidade machista do povo brasileiro e corrigir democraticamente anos de injustiça política e social para com as mulheres, deveremos torcer desesperadamente por sucessos no governo da Presidente Dilma, pois só isso mostrará que uma mulher é tão ou mais capaz de gerir os destinos de um país inteiro. O sucesso de Dilma será o golpe mortal no que ainda resta de mentalidade machista ainda reinante, além do que elevará o Brasil à vanguarda dos seletos países que tiveram a sua frente mulheres, mudando estereótipos, revertendo paradigmas, construindo a plena democracia.
Por isso e por muito mais e que devemos todos, num imenso coro, dizer: Boa sorte, Presidente!