Existe uma época, que se dar de tempos em tempos, em que as pessoas se irmanam, todos se congraçam. Inimigos fazem as pazes, famílias se reúnem. O comércio e a indústria liberam seus funcionários, funcionam a meia-voltagem, repartições públicas dão ponto facultativo. Parentes que moram longe voltam para as suas casas, se reúnem na sala, todos comem, bebem, ficam felizes. Errou quem pensou que essa época fosse o Natal ou a Semana-Santa, pois estamos falando da Copa do Mundo de Futebol, mais precisamente os jogos da Seleção Brasileira de Futebol.
Nenhum campeonato esportivo mexe tanto com um povo quanto a Copa do Mundo de Futebol mexe com o povo brasileiro, as pessoas vibram, param o que fazem, sabem detalhes da nossa seleção e os detalhes menores, como a escalação das seleções de países que mal se consegue localizar no mapa.
As campanhas publicitárias deitam e rolam e quase todo produto busca se relacionar com futebol ou a seleção, quando não muito os próprios jogadores ou até o técnico se tornam “astros” de propagandas.
Nada contra esse amor todo pelo futebol da seleção, muito pelo contrário, é até bonito de ver as ruas todas decorado de verde e amarelo, esse nacionalismo exacerbado, quem dera que esse “patriotismo” todo fosse não só para o futebol da seleção canarinho, mas para todos os níveis e em todos os sentidos, pois se o brasileiro comum devotasse toda essa energia, todos os anos não só para seleção, mas para tudo que é brasileiro, certamente teríamos um povo mais consciente da grandeza real que o Brasil tem.
Aliás, a única coisa que me incomoda é essa vinculação umbilical de uma mera seleção de futebol ao sentido intrínseco de nacionalidade, sem olhar ou se perceber de tudo o mais que existe ou pode existir além do futebol e que é bom, e, sobretudo, bem brasileiro, e não aproveitado. Ou seja, se a seleção vai bem, tudo no Brasil vai bem também, mesmo que não esteja, se a seleção vai mal, tudo vai mal, contudo não se sabe do que vai realmente mal. Essa vinculação da brasilidade com o futebol da seleção é perigosa só nesse sentido, pois ser cidadão de um país não é só torcer por um time ou selecionado.
Mas não quero ser estraga prazer, nem tampouco o pseudo-intelectual que não gosta de futebol, pois eu vou continuar torcendo pela seleção com a mesma intensidade e alienação como qualquer outro brasileiro, afinal somos o único penta campeão de futebol.
E como diz o grande escritor uruguaio Recaro Siambretta: “...haverá o dia em que todas as nações do mundo baixarão suas armas, abolirão seus exércitos, e decidirão todas as pendengas internacionais dentro das quatro linhas de um campo de futebol...”.
E quando esse dia chegar o Brasil será a superpotência que merecemos ser, pois somos os únicos penta...
...e rumo ao hexa.
Rádio CN Agitos - A rádio sem fronteiras!!!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Deixa Estar
No último dia 08 de maio de 2010, comemoraram-se os 40 anos de lançamento de “Let it be” o último disco (ou álbum, como preferem alguns) dos Beatles. Sei que não é comum se estar comemorando um lançamento de uma obra de arte, muito menos um disco de um conjunto musical, mas há de se convir, que Beatles não é exatamente só um grupo de sujeitos que toca música, ou uma simples banda de rock, e muito menos ainda “Let it be” não é um disco qualquer.
Costumo ouvir Beatles com a mesma reverência com que escuto Bach ou Beethoven, para mim eles estão no mesmo patamar eterno que se confere à música clássica. Aqui caberia uma breve definição do que seria música clássica, pois seria aquele tipo de música que jamais se deixa de ouvir, aquela música que está no imaginário e no inconsciente coletivo de todo o mundo, aquela que se ao se assoviar, qualquer um pode identificar, mesmo que não a conheça inteiramente. Música clássica, não é aquele som de violino chato, música clássica é música eterna, seja ela uma guitarra elétrica ou um oboé.
Beatles, Bach e Beethoven conseguem estender suas melodias pelo tempo/espaço. Até hoje, em pleno século XXI, os acordes iniciais do primeiro da 5ª Sinfonia de Beethoven é associado a suspense. “Jesus, alegria dos Homens” de Bach é padrão de música sacra. E Beatles mesmo sendo bem mais recente são candidatos certos a música eterna, pois quem nesse Planeta Terra não sabe solfejar uma cançãozinha sequer do FabFour. Uma das primeiras músicas que meu moleque de 13 anos cantou na vida foi “Ticket to Ride”, e isso sem qualquer intervenção minha.
Não é todo dia que a gente ver um clássico nascendo, muito menos ainda não é qualquer dia que se ver o ocaso de clássico ou a sua entrada perene nas brumas da eternidade. Como não tive a chance de estar na Viena do Século XIX e ver um Beethoven surdo regendo intuitivamente, e entre lágrimas, sua “Nona”, me resta o Século XX com os quatro caras de Liverpool.
“Let it be” é um disco melancólico, não uma melancolia explícita, e sim uma subliminar, se tem a todo o momento, da primeira a última música a sensação de adeus. A capa escura, mostra fotos de John, Paul, George e Ringo envelhecidos, meio cansados.
“Let it be” fechou uma década, uma década revolucionária que ajudou a humanidade a libertar-se do passado opressor e abrir as portas (da percepção) para um futuro cheio de possibilidades, ou como diria Lulu Santos, com a “habilidade pra dizer mais sim do que não...”. Os anos 1960, dos movimentos libertários, das ditaduras sangrentas e guerrilhas sonhadoras, de Paris e de Praga, da Tropicália e de Woodstock, das revoluções possíveis e das utopias alcançáveis, tudo isso ao som dos Beatles.
Os Beatles e os anos 1960 mudaram o mundo e ambos foram fechados com chave de ouro por “Let it be”, melancolicamente, contudo, inexoravelmente.
Costumo ouvir Beatles com a mesma reverência com que escuto Bach ou Beethoven, para mim eles estão no mesmo patamar eterno que se confere à música clássica. Aqui caberia uma breve definição do que seria música clássica, pois seria aquele tipo de música que jamais se deixa de ouvir, aquela música que está no imaginário e no inconsciente coletivo de todo o mundo, aquela que se ao se assoviar, qualquer um pode identificar, mesmo que não a conheça inteiramente. Música clássica, não é aquele som de violino chato, música clássica é música eterna, seja ela uma guitarra elétrica ou um oboé.
Beatles, Bach e Beethoven conseguem estender suas melodias pelo tempo/espaço. Até hoje, em pleno século XXI, os acordes iniciais do primeiro da 5ª Sinfonia de Beethoven é associado a suspense. “Jesus, alegria dos Homens” de Bach é padrão de música sacra. E Beatles mesmo sendo bem mais recente são candidatos certos a música eterna, pois quem nesse Planeta Terra não sabe solfejar uma cançãozinha sequer do FabFour. Uma das primeiras músicas que meu moleque de 13 anos cantou na vida foi “Ticket to Ride”, e isso sem qualquer intervenção minha.
Não é todo dia que a gente ver um clássico nascendo, muito menos ainda não é qualquer dia que se ver o ocaso de clássico ou a sua entrada perene nas brumas da eternidade. Como não tive a chance de estar na Viena do Século XIX e ver um Beethoven surdo regendo intuitivamente, e entre lágrimas, sua “Nona”, me resta o Século XX com os quatro caras de Liverpool.
“Let it be” é um disco melancólico, não uma melancolia explícita, e sim uma subliminar, se tem a todo o momento, da primeira a última música a sensação de adeus. A capa escura, mostra fotos de John, Paul, George e Ringo envelhecidos, meio cansados.
“Let it be” fechou uma década, uma década revolucionária que ajudou a humanidade a libertar-se do passado opressor e abrir as portas (da percepção) para um futuro cheio de possibilidades, ou como diria Lulu Santos, com a “habilidade pra dizer mais sim do que não...”. Os anos 1960, dos movimentos libertários, das ditaduras sangrentas e guerrilhas sonhadoras, de Paris e de Praga, da Tropicália e de Woodstock, das revoluções possíveis e das utopias alcançáveis, tudo isso ao som dos Beatles.
Os Beatles e os anos 1960 mudaram o mundo e ambos foram fechados com chave de ouro por “Let it be”, melancolicamente, contudo, inexoravelmente.
retificação
atendendo a pedido da família de Taninha veio aqui dizer que durante sua cruzada contra o terrível carcinoma que lhe abateu, ela teve um susbtancial apoio da prefeitura Municipal de Currais Novos e da liga Norte-riograndense de Cobate ao Câncer
terça-feira, 11 de maio de 2010
...inquietação...
Eu também escrevo sobre o que me incomoda, pois o que me irrita, o que me aborrece, também geralmente me inspira. Mesmo que desagrade a muitos e agrade a poucos, mesmo que ninguém leia, mesmo que estas palavras se percam no tempo e sirvam para enrolar o peixe na feira, ou ainda vá para o lixo ou sirva de proteção para o chão nas pinturas de imóveis. Mesmo que me cassem a palavra ou me tirem a tribuna, tão logo encontraria novas palavras ou uma nova tribuna para exorcizar a indignação nossa de cada dia.
Existe algo que me incomoda profundamente, e creio que não só a mim, mas a boa parte da humanidade também: a morte. Não a morte em si, mas tudo que nefastamente gira em torno dela, e, sobretudo suas causas e conseqüências.
Há alguns dias perdemos uma grande pessoa, uma grande mulher, em todos os sentidos, Tânia Maria Dantas Alves, a quem tive a sorte de conhecer. Sim, sorte, pois conhecer uma personalidade forte e ativa como a de Tânia é uma fortuna. Ela era uma mulher íntegra, mas extremamente brincalhona, alegre, contagiava a todos com sua espiritualidade e espontaneidade. Uma mulher linda, por dentro e por fora. Lamento profundamente não só sua partida, mas, sobretudo lamento não ter tido mais tempo para partilhar de sua amizade.
Tânia padeceu de um terrível carcinoma a que ela bravamente lutou por quase três anos, e pasmem, boa parte do seu tratamento foi custeado por ela própria. Isto é absurdo, inquietante e indignante. Como é que se permite que uma pessoa tire do seu bolso ou contraia dívidas para poder cuidar da própria saúde? Já não bastam o terrível desgaste e o impacto emocional de ter uma doença como esta, ainda ter que se preocupar em arcar com os custos do seu tratamento?
Temos que nos indignar e com razão, e mais que isso, por em nossas cabeças de forma definitiva que é obrigação do Estado prover saúde e tratamento médico de qualidade para todos os seus cidadãos de forma indistinta e para/contra toda e qualquer doença, inclusive carcinomas, sem que estes mesmos cidadãos tenham que tirar um único centavo do bolso. Temos que por em mente que o Estado (digo: município, estado-membro, União) existe, dentre outras coisas, e principalmente, para isto, e temos que berrar, gritar e exigir isto, sem concessões.
É absurdo, mas temos que exigir que o Estado cumpra com sua obrigação, nada mais nada menos, enquanto esse mesmo Estado nos enche de obrigações de impostos, essa equação definitivamente não é justa.
O que nos conforta, por assim dizer, é que pessoas queridas, honradas e dignas como Tânia jamais morrem, muito pelo contrário, estão e estarão sempre presentes, seja nos corações daqueles que, mesmo minimamente, tiveram a oportunidade de se encontrar com ela, como também na presença de seu forte espírito zelando pelos destinos do seu amado filhinho Gustavo.
E se a morte em si não é nada, sendo só um breve interregno para uma existência muito maior; não devemos dar adeus à Tânia, e sim um até-logo.
Até mais, Taninha, a gente se vê por aí...
Existe algo que me incomoda profundamente, e creio que não só a mim, mas a boa parte da humanidade também: a morte. Não a morte em si, mas tudo que nefastamente gira em torno dela, e, sobretudo suas causas e conseqüências.
Há alguns dias perdemos uma grande pessoa, uma grande mulher, em todos os sentidos, Tânia Maria Dantas Alves, a quem tive a sorte de conhecer. Sim, sorte, pois conhecer uma personalidade forte e ativa como a de Tânia é uma fortuna. Ela era uma mulher íntegra, mas extremamente brincalhona, alegre, contagiava a todos com sua espiritualidade e espontaneidade. Uma mulher linda, por dentro e por fora. Lamento profundamente não só sua partida, mas, sobretudo lamento não ter tido mais tempo para partilhar de sua amizade.
Tânia padeceu de um terrível carcinoma a que ela bravamente lutou por quase três anos, e pasmem, boa parte do seu tratamento foi custeado por ela própria. Isto é absurdo, inquietante e indignante. Como é que se permite que uma pessoa tire do seu bolso ou contraia dívidas para poder cuidar da própria saúde? Já não bastam o terrível desgaste e o impacto emocional de ter uma doença como esta, ainda ter que se preocupar em arcar com os custos do seu tratamento?
Temos que nos indignar e com razão, e mais que isso, por em nossas cabeças de forma definitiva que é obrigação do Estado prover saúde e tratamento médico de qualidade para todos os seus cidadãos de forma indistinta e para/contra toda e qualquer doença, inclusive carcinomas, sem que estes mesmos cidadãos tenham que tirar um único centavo do bolso. Temos que por em mente que o Estado (digo: município, estado-membro, União) existe, dentre outras coisas, e principalmente, para isto, e temos que berrar, gritar e exigir isto, sem concessões.
É absurdo, mas temos que exigir que o Estado cumpra com sua obrigação, nada mais nada menos, enquanto esse mesmo Estado nos enche de obrigações de impostos, essa equação definitivamente não é justa.
O que nos conforta, por assim dizer, é que pessoas queridas, honradas e dignas como Tânia jamais morrem, muito pelo contrário, estão e estarão sempre presentes, seja nos corações daqueles que, mesmo minimamente, tiveram a oportunidade de se encontrar com ela, como também na presença de seu forte espírito zelando pelos destinos do seu amado filhinho Gustavo.
E se a morte em si não é nada, sendo só um breve interregno para uma existência muito maior; não devemos dar adeus à Tânia, e sim um até-logo.
Até mais, Taninha, a gente se vê por aí...
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Ryoki Inoue, um brasileiro ilustre
O Brasil de fato não conhece o Brasil, e isto nos faz de presa fácil ao interesse imperialista alheio. Temos aqui conosco potencial humano e talentos que nos deixam em pé de igualdade com as nações dita desenvolvidas mundo a fora, e mais, temos um diferencial que só o misto de latinidade, lusitanidade, sangue negro e índio podem dar.
Em suma, temos o que eles têm e, além disto, temos o “algo” mais que a pele morena é capaz de dar.
E mesmo até mesmo o mais “estrangeirófilo” é forçado a crer que nós brasileiro somos, parafraseando aquela música da Pitty, um povo “foda”!
Por exemplo, pouca gente sabe que a pessoa que mais escreveu livros no mundo todo, é um brasileiro.
Escrever um livro, não é uma empreitada fácil, envolve o uso de conhecimento fluente da língua e das formas subjetivas que propiciam a criação de mundos completos para quem ler, envolve uma cultura vasta e, sobretudo, inteligência, perspicácia, sensibilidade e observação da vida e do universo humano. Conheço muita gente de alto gabarito que com muito esforço consegue escrever um, dois ou três livros, e eu que o diga também, pois ainda não consegui sair do primeiro capítulo do meu próprio livro há mais de ano.
Mas José Carlos Ryoki Alpoim Inoue, um brasileiro, escreveu nada mais, nada menos que 1079 livros. Sabe-se lá o que é isso, a dimensão dessa marca. São mil e tantos livros, mil e tantas histórias completas com começo, meio e fim, mil e tantos universos para leitores viajar.
Uma pessoa como Ryoki Inoue, só poderia nascer no Brasil, pois só aqui pode se dar de forma tão harmônica o encontro de dois extremos, o lirismo português com a produtividade japonesa, resultado: o escritor mais prolífero do Planeta Terra.
Os críticos geralmente tentam diminuir esta marca. Alguns dizem que pulp fiction ( o estilo de boa parte deste milhar de livros escrito por Ryoki, com cerca de 39 pseudônimos) é previsível, literatura “inferior”, dentre outras bobagens. Mas daí que se ver que boa parte destes mesmos críticos sequer tem um único livrozinho que seja, nem mesmo um simplório e previsível livro de culinária, só isto já seria suficiente para tirar-lhes a razão.
Outros críticos dizem que quantidade não é qualidade, Marcel Pruost escreveu um único livro em vida, o mesmo se diz de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. Ariano Suassuna , tem uns cinco ou seis, e por aí vai. Mesmo sem retirar o mérito devido a grandeza e intensidade de um Proust, Fernando Pessoa e seus heterônimos, e, sobretudo Ariano Suassuna. A marca de Ryoki não é desprezível de modo algum, além disto, seus livros são ricos de imagens, força literária, e guardada as devidas proporções, nada deixa a dever a qualquer marco literário nem daqui, nem de alhures.
Deveríamos todos nós brasileiros está plenos de orgulho por dividirmos uma nacionalidade com uma pessoa da dimensão de Ryoki Inoue. E que seus livros sejam mais e mais comprados, lidos, estudados e apreciados, e quiçá num futuro dos meus netos, que ainda nem sonham em nascer, seja, enfim o seu trabalho devidamente reconhecido e tenhamos o seu rosto como uma efígie duma cédula ou moeda, tal Câmara Cascudo, Cecília Meireles ou Drummond já tiveram. Não consigo imaginar homenagem melhor
Em suma, temos o que eles têm e, além disto, temos o “algo” mais que a pele morena é capaz de dar.
E mesmo até mesmo o mais “estrangeirófilo” é forçado a crer que nós brasileiro somos, parafraseando aquela música da Pitty, um povo “foda”!
Por exemplo, pouca gente sabe que a pessoa que mais escreveu livros no mundo todo, é um brasileiro.
Escrever um livro, não é uma empreitada fácil, envolve o uso de conhecimento fluente da língua e das formas subjetivas que propiciam a criação de mundos completos para quem ler, envolve uma cultura vasta e, sobretudo, inteligência, perspicácia, sensibilidade e observação da vida e do universo humano. Conheço muita gente de alto gabarito que com muito esforço consegue escrever um, dois ou três livros, e eu que o diga também, pois ainda não consegui sair do primeiro capítulo do meu próprio livro há mais de ano.
Mas José Carlos Ryoki Alpoim Inoue, um brasileiro, escreveu nada mais, nada menos que 1079 livros. Sabe-se lá o que é isso, a dimensão dessa marca. São mil e tantos livros, mil e tantas histórias completas com começo, meio e fim, mil e tantos universos para leitores viajar.
Uma pessoa como Ryoki Inoue, só poderia nascer no Brasil, pois só aqui pode se dar de forma tão harmônica o encontro de dois extremos, o lirismo português com a produtividade japonesa, resultado: o escritor mais prolífero do Planeta Terra.
Os críticos geralmente tentam diminuir esta marca. Alguns dizem que pulp fiction ( o estilo de boa parte deste milhar de livros escrito por Ryoki, com cerca de 39 pseudônimos) é previsível, literatura “inferior”, dentre outras bobagens. Mas daí que se ver que boa parte destes mesmos críticos sequer tem um único livrozinho que seja, nem mesmo um simplório e previsível livro de culinária, só isto já seria suficiente para tirar-lhes a razão.
Outros críticos dizem que quantidade não é qualidade, Marcel Pruost escreveu um único livro em vida, o mesmo se diz de Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. Ariano Suassuna , tem uns cinco ou seis, e por aí vai. Mesmo sem retirar o mérito devido a grandeza e intensidade de um Proust, Fernando Pessoa e seus heterônimos, e, sobretudo Ariano Suassuna. A marca de Ryoki não é desprezível de modo algum, além disto, seus livros são ricos de imagens, força literária, e guardada as devidas proporções, nada deixa a dever a qualquer marco literário nem daqui, nem de alhures.
Deveríamos todos nós brasileiros está plenos de orgulho por dividirmos uma nacionalidade com uma pessoa da dimensão de Ryoki Inoue. E que seus livros sejam mais e mais comprados, lidos, estudados e apreciados, e quiçá num futuro dos meus netos, que ainda nem sonham em nascer, seja, enfim o seu trabalho devidamente reconhecido e tenhamos o seu rosto como uma efígie duma cédula ou moeda, tal Câmara Cascudo, Cecília Meireles ou Drummond já tiveram. Não consigo imaginar homenagem melhor
quarta-feira, 31 de março de 2010
Pot'y'war
Estranho perceber
Que este chão que adotei
Outrora tão rico de vida
Vida própria, não importada de alem mar,
Jaz encharcado de sangue.
Gente caçada feito bicho,
Invasores impiedosos,
Holocausto indígena,
Lusitanos proto-nazistas.
A diferença,
Só que ao invés do “final-feliz” hebreu
Com direito a um estado só deles,
Aqui nada restou, nem a mais longínqua lembrança, nem o respeito,
Somente um ‘nome’ roubado
Potiguar.
Que este chão que adotei
Outrora tão rico de vida
Vida própria, não importada de alem mar,
Jaz encharcado de sangue.
Gente caçada feito bicho,
Invasores impiedosos,
Holocausto indígena,
Lusitanos proto-nazistas.
A diferença,
Só que ao invés do “final-feliz” hebreu
Com direito a um estado só deles,
Aqui nada restou, nem a mais longínqua lembrança, nem o respeito,
Somente um ‘nome’ roubado
Potiguar.
sexta-feira, 5 de março de 2010
O fim do mundo
No final do ano passado o filme “2012” foi um dos maiores sucessos de bilheteria, multidões em todo mundo fizeram fila para ver justamente o fim do mundo. Efeitos especiais mirabolantes e uma agressiva campanha de marketing viral contribuíram para o sucesso. Mas o filme em si não é bom não, a história tem mais furo que uma tábua de pirulito e o diretor e roteirista Roland Emmerich seguiu a risca a cartilha hollywoodiana, em outras palavras, é um filme besta, tolo, morno, chato e previsível, e como toda produção americana o herói sempre escapa no fim, mesmo depois de ter “morrido” quase todos os coadjuvantes.
Mas suponhamos, apenas suponhamos, que o filme seja um pressagio, e que os maias e Nostradamus estejam certos. O mundo vai realmente acabar em 21 de dezembro de 2012. Para quem tiver predisposição para crer nisto sinais não vão faltar, os recentes terremotos do Chile e do Haiti, as crises globais, epidemias, gripes suína, bovina, aviária, enchentes e esse calor infernal que a gente sofre todo dia parecem mostrar realmente que chegou o fim dos tempos. É o Armageddon, o apocalipse! Oba!!! Oba!!! Nada mais restaria a não ser viver intensamente os últimos momentos da vida como a gente quer ou acha que deve viver, sem amarras e sem limites, sem se preocupar com as conseqüências nem com o dia depois de amanhã.
Mas calma aí, não deixe de pagar suas contas, nem pense em se declarar àquele amor impossível, nem muito menos dar um murro na cara daquela pessoa que não gosta de você, pois não existe nenhuma evidência clara, patente, efetiva e certa que o planeta vai realmente acabar daqui a dois anos.
Um fim do mundo abrupto e repentino, com data e momento certo, seria muito mais como uma bênção do que com um fardo. Seria como uma eutanásia para um paciente terminal, ou o tiro de misericórdia em animal agonizante, e parece que a humanidade não merece tal alívio. É duro, mas estamos condenados a um lento e doloroso epílogo, nada de dia e hora certo para o fim, e sim, um fim lento, devagar e extremamente sofrido.
Não pensem que o ocaso do homem é fruto da modernidade não. O fim do Homo Sapiens é uma coisa que vem sendo plantado lentamente desde quando nos entendemos por espécie. Mesmo no tempo de Nostradamus, quando ele escreveu suas famosas premonições, no século XV, a Europa vivia a peste negra, que dizimou mais da metade da população, aquilo sim parecia um fim de mundo que foi refletido nas suas centúrias. No México do século XVI, quando os maias fixaram a data final do calendário, viam a chegada dos colonizadores espanhóis com um novo modo de vida que acabou com língua, a cultura e modo de vida típico maia, isto para eles foi um fim do mundo, o mundo Maia. Até mesmo São João quando escreveu o Livro do Apocalipse, vivia-se um momento difícil com os romanos perseguindo os cristãos e destruindo o Segundo Templo de Jerusalém e isto aos olhos de uma pessoa do século I parecia o fim do mundo. E no século XX, com a Guerra Fria entre Rússia e EUA, parecia que o mundo ia acabar a cada 24 horas com um holocausto nuclear. E mesmo diante de tudo isso o mundo não se acabou e sempre houve como vai haver sempre um amanhã, com sol ou chuva, mas sempre repleto de esperanças.
A sorte do mundo, ou do Planeta, é que a cada fim que se anuncia ele renasce cada vez melhor e isto sem precisar das enormes arcas que aparecem no fim do filme “2012” e que salvam o que resta da humanidade para a segurança do continente africano sob a luz do amanhecer.
Esse eterno círculo de renascimento do mundo que vivemos todos os dias só me faz lembrar aquela música de Gilberto Gil: ”...Drão/ o nosso amor é como um grão/ uma semente de ilusão/ tem que MORRER para GERMINAR...”
Mas suponhamos, apenas suponhamos, que o filme seja um pressagio, e que os maias e Nostradamus estejam certos. O mundo vai realmente acabar em 21 de dezembro de 2012. Para quem tiver predisposição para crer nisto sinais não vão faltar, os recentes terremotos do Chile e do Haiti, as crises globais, epidemias, gripes suína, bovina, aviária, enchentes e esse calor infernal que a gente sofre todo dia parecem mostrar realmente que chegou o fim dos tempos. É o Armageddon, o apocalipse! Oba!!! Oba!!! Nada mais restaria a não ser viver intensamente os últimos momentos da vida como a gente quer ou acha que deve viver, sem amarras e sem limites, sem se preocupar com as conseqüências nem com o dia depois de amanhã.
Mas calma aí, não deixe de pagar suas contas, nem pense em se declarar àquele amor impossível, nem muito menos dar um murro na cara daquela pessoa que não gosta de você, pois não existe nenhuma evidência clara, patente, efetiva e certa que o planeta vai realmente acabar daqui a dois anos.
Um fim do mundo abrupto e repentino, com data e momento certo, seria muito mais como uma bênção do que com um fardo. Seria como uma eutanásia para um paciente terminal, ou o tiro de misericórdia em animal agonizante, e parece que a humanidade não merece tal alívio. É duro, mas estamos condenados a um lento e doloroso epílogo, nada de dia e hora certo para o fim, e sim, um fim lento, devagar e extremamente sofrido.
Não pensem que o ocaso do homem é fruto da modernidade não. O fim do Homo Sapiens é uma coisa que vem sendo plantado lentamente desde quando nos entendemos por espécie. Mesmo no tempo de Nostradamus, quando ele escreveu suas famosas premonições, no século XV, a Europa vivia a peste negra, que dizimou mais da metade da população, aquilo sim parecia um fim de mundo que foi refletido nas suas centúrias. No México do século XVI, quando os maias fixaram a data final do calendário, viam a chegada dos colonizadores espanhóis com um novo modo de vida que acabou com língua, a cultura e modo de vida típico maia, isto para eles foi um fim do mundo, o mundo Maia. Até mesmo São João quando escreveu o Livro do Apocalipse, vivia-se um momento difícil com os romanos perseguindo os cristãos e destruindo o Segundo Templo de Jerusalém e isto aos olhos de uma pessoa do século I parecia o fim do mundo. E no século XX, com a Guerra Fria entre Rússia e EUA, parecia que o mundo ia acabar a cada 24 horas com um holocausto nuclear. E mesmo diante de tudo isso o mundo não se acabou e sempre houve como vai haver sempre um amanhã, com sol ou chuva, mas sempre repleto de esperanças.
A sorte do mundo, ou do Planeta, é que a cada fim que se anuncia ele renasce cada vez melhor e isto sem precisar das enormes arcas que aparecem no fim do filme “2012” e que salvam o que resta da humanidade para a segurança do continente africano sob a luz do amanhecer.
Esse eterno círculo de renascimento do mundo que vivemos todos os dias só me faz lembrar aquela música de Gilberto Gil: ”...Drão/ o nosso amor é como um grão/ uma semente de ilusão/ tem que MORRER para GERMINAR...”
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Uma Praga Para os Corruptos
Era uma vez uma cidade brasileira qualquer, de porte médio-grande-pequeno num estado qualquer.
Nesta cidade, numa eleição quaisquer se elegeram prefeito e vereadores, ou deputados e governador, que sem escrúpulo algum metem a mão no dinheiro público, seja diretamente, por desvio ou prevaricação, seja indiretamente, com licitações fajutas, seja por nepotismo, empregando todo tipo de parente e aderente, para não fazer absolutamente nada. E estes gatunos, ratos sujos do dinheiro público acumulam vastos patrimônios em detrimento da pobreza do povo. E isto está acontecendo agora, neste exato momento, não aqui ou alhures, mas em qualquer lugar em que aleatoriamente se apontar o dedo no mapa nacional.
A corrupção, em todas as suas formas e em todos os seus jeitos, é o mais hediondo dos crimes, muito embora não conste por lei na lista dos crimes hediondos. É tirar de quem não tem, é furtar de quem tem, e matar aos poucos, é desmanchar esperanças.
É tirar de quem não tem, pois cada centavo desviado de programas sociais é um sofrimento a mais nas costas de uma população já perenemente sofrida, sem falar que isto pode dar vazão pra certos grupos da Direita detonar e denegrir não só um, mas todo e qualquer programa social, em nome de um questionável superávit primário, deixando no desamparo os mais desvalidos, como sempre.
É furtar de quem tem, pois se eu pago meus impostos em dia, e exijo a nota fiscal nas compras que faço, no mínimo espero que o meu dinheiro vá para pagar um bom médico no pronto-socorro, para me atender se for necessário, que sirva para por um asfalto de qualidade nos buracos das estradas ou que ajude a manter uma escola descente com merenda farta e professores bem remunerados, e NÃO pra um “fulaninho” qualquer metido a besta, e que finge ser agente público, desfile de carro novo, compre mansão ou passei no exterior.
É matar aos poucos crianças que abandonam os estudos e as brincadeiras da infância para poder trabalhar e ajudar a família, e precipitar a morte de idosos que não chegam a ter aposentadorias descentes, após dar uma vida inteira de duro labor, é desmanchar esperanças que o nosso país seja mais próspero e desenvolvido do que ele procura ser.
A nossa sorte, ou redenção, é que o dinheiro amealhado por meio da corrupção é um dinheiro amaldiçoado, pois ele não prospera, não rende frutos nem gera dividendo, não vejo, não reconheço, nem me lembro, nesse momento, de nenhuma grande fortuna construída com base no roubo ao erário, e isto é um castigo para aqueles que crêem que podem enricar pelas custas da desgraça alheia.
Só para citar alguns exemplos, Adhemar de Barros, ex-governador do Estado de São Paulo e autor da célebre frase “... eu roubo, mas faço...”, outrora banqueiro e industrial, hoje sua família ostenta dívidas e sufoco. A Eucatex, empresa da família Maluf (que dispensa comentários), acabou de pedir concordata. As famílias Arruda e Gadelha na Paraíba, os Farias em Alagoas e os Godoy no Ceará antes oligárquicas e todas poderosas, atualmente sumidas numa merecida bruma de esquecimento.
Isto é só para lembrar alguns casos e sem contar as centenas de outros que a gente sabe que existe e nem estão tão distantes.
Àqueles que metem a mão no dinheiro do povo, nosso dinheiro, roga-se uma praga: suas riquezas furtadas e seus status de mentira não são eternos, talvez acabem mais cedo que se imagina, pois foram feitos sobre as lágrimas e o sofrimento de muitos, e não há nada melhor do que um dia após o outro, e o dia, em que vocês serão julgados, se não for pelo voto, vai pela cármica providência divina, chegará.
Nesta cidade, numa eleição quaisquer se elegeram prefeito e vereadores, ou deputados e governador, que sem escrúpulo algum metem a mão no dinheiro público, seja diretamente, por desvio ou prevaricação, seja indiretamente, com licitações fajutas, seja por nepotismo, empregando todo tipo de parente e aderente, para não fazer absolutamente nada. E estes gatunos, ratos sujos do dinheiro público acumulam vastos patrimônios em detrimento da pobreza do povo. E isto está acontecendo agora, neste exato momento, não aqui ou alhures, mas em qualquer lugar em que aleatoriamente se apontar o dedo no mapa nacional.
A corrupção, em todas as suas formas e em todos os seus jeitos, é o mais hediondo dos crimes, muito embora não conste por lei na lista dos crimes hediondos. É tirar de quem não tem, é furtar de quem tem, e matar aos poucos, é desmanchar esperanças.
É tirar de quem não tem, pois cada centavo desviado de programas sociais é um sofrimento a mais nas costas de uma população já perenemente sofrida, sem falar que isto pode dar vazão pra certos grupos da Direita detonar e denegrir não só um, mas todo e qualquer programa social, em nome de um questionável superávit primário, deixando no desamparo os mais desvalidos, como sempre.
É furtar de quem tem, pois se eu pago meus impostos em dia, e exijo a nota fiscal nas compras que faço, no mínimo espero que o meu dinheiro vá para pagar um bom médico no pronto-socorro, para me atender se for necessário, que sirva para por um asfalto de qualidade nos buracos das estradas ou que ajude a manter uma escola descente com merenda farta e professores bem remunerados, e NÃO pra um “fulaninho” qualquer metido a besta, e que finge ser agente público, desfile de carro novo, compre mansão ou passei no exterior.
É matar aos poucos crianças que abandonam os estudos e as brincadeiras da infância para poder trabalhar e ajudar a família, e precipitar a morte de idosos que não chegam a ter aposentadorias descentes, após dar uma vida inteira de duro labor, é desmanchar esperanças que o nosso país seja mais próspero e desenvolvido do que ele procura ser.
A nossa sorte, ou redenção, é que o dinheiro amealhado por meio da corrupção é um dinheiro amaldiçoado, pois ele não prospera, não rende frutos nem gera dividendo, não vejo, não reconheço, nem me lembro, nesse momento, de nenhuma grande fortuna construída com base no roubo ao erário, e isto é um castigo para aqueles que crêem que podem enricar pelas custas da desgraça alheia.
Só para citar alguns exemplos, Adhemar de Barros, ex-governador do Estado de São Paulo e autor da célebre frase “... eu roubo, mas faço...”, outrora banqueiro e industrial, hoje sua família ostenta dívidas e sufoco. A Eucatex, empresa da família Maluf (que dispensa comentários), acabou de pedir concordata. As famílias Arruda e Gadelha na Paraíba, os Farias em Alagoas e os Godoy no Ceará antes oligárquicas e todas poderosas, atualmente sumidas numa merecida bruma de esquecimento.
Isto é só para lembrar alguns casos e sem contar as centenas de outros que a gente sabe que existe e nem estão tão distantes.
Àqueles que metem a mão no dinheiro do povo, nosso dinheiro, roga-se uma praga: suas riquezas furtadas e seus status de mentira não são eternos, talvez acabem mais cedo que se imagina, pois foram feitos sobre as lágrimas e o sofrimento de muitos, e não há nada melhor do que um dia após o outro, e o dia, em que vocês serão julgados, se não for pelo voto, vai pela cármica providência divina, chegará.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Então... Natal (o amor, o perdão e a tolerância)
Sempre gostei muito de Rock’n’Roll, e já hoje, estando na casa dos 30 indo pros 40 anos, sempre procuro ficar por dentro das bandas atuais e que estilos e vertentes desta música estão sendo ouvidas mundo a fora. Mas quando eu era adolescente não me contentava só em ouvir Rock, mas sim adotá-lo quase como “estilo” de vida. Mas mesmo na adolescência, a atitude a postura de certas bandas e grupos me causava sempre estranheza e até um pouco de repulsa.
A banda mineira Sepultura sempre teve uma colocação violentamente anticristã, seja nas capas dos seus discos, seja nas letras de suas músicas. Apologias satânicas, e expressões agressivas a imagem de Jesus são uma constante em suas obras. Mas eles não são os únicos, nem os “head-bangers” são os únicos anticristãos que existem e abundam na mídia mundial. Além da música de Metallica, Slayer, Ozzy Osbourne, tem os livros de Gore Vidal, os filmes de David Frondizi, dentre várias outras manifestações artísticas que têm por mote atacar a imagem, memória e legado de Jesus Cristo, isto só dentre os que no momento estou conseguindo lembrar, sem falar nos que não estou me lembrando.
Mas daí vem a questão. Porque a ideologia cristã, que prega o amor, o perdão e a tolerância, suscita tanta rejeição e até ira no seio de alguns? Tirando o aspecto teológico, e o daqueles que declaradamente optam por louvar outras deidades; se tira a questão do porquê de alguns rejeitarem veementemente uma doutrina religiosa que se lastreia no amor, o perdão e a tolerância, se o que todo mundo deseja e quer pra suas vidas é justamente o amor, o perdão e a tolerância?
O que faz com que multidões ao redor do globo se desencantem com o bem e se encaminhem para o outro lado?
Seria a hipocrisia do Vaticano ou o mau-caratismo de certos grupos evangélicos e pentecostais? Seria a pedofilia sodomita de certos padres? Seria a roubalheira descarada de certos pastores?
Seria o cinismo de pregar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Pois se este for o motivo, então eu não os critico, pelo contrário, eu os apoio.
Mas lembremos que a doutrina cristã e os ensinamentos de Jesus de Nazaré são maiores do que a atitude de alguns dos seus sacerdotes. Jesus em momento algum pregou a hipocrisia, suas palavras sempre foram de amor, o perdão e tolerância.
O que se percebe é que o ensinamento de Jesus foi prescindido pelos milagres, ao longo dos séculos. O que Jesus ensinou (o amor, o perdão e a tolerância) é o que nos faz seres humanos melhores. Darwin nos diz que só os mais aptos e fortes é que sobrevivem na escala evolutiva. Jesus diz os fracos é que terão o reino dos céus. E no mundo tem muito mais fracos bancando o forte, do que fortes que têm ciência da própria fraqueza.
A hipocrisia turba a visão da essência cristã. É muito mais fácil se extasiar diante do milagre da transformação da água em vinho do que dar ouvido a simples frase “se alguém bater na tua face oferece a outra”. A pregação de Jesus é muito mais importante para nós do que o relato dos milagres. A pregação é o que pode fazer com que nós, humanidade, baixemos as armas e abandonemos a guerra, ela é que faz com que sejamos seres melhores na escala evolutiva darwiniana, não o fato de sermos mais fortes e mais aptos, e não o relato de “simples” milagres.
O Natal para muitos é uma celebração triste, pois se comemora o nascimento de um homem que sabe que vai morrer, e morrer de uma forma trágica, porém com a mais nobre das intenções, a salvação da humanidade.
Então é Natal, celebremos o amor, o perdão e a tolerância, não só no dia 25 de Dezembro, mas em cada dia do ano novo que vem ai!
A banda mineira Sepultura sempre teve uma colocação violentamente anticristã, seja nas capas dos seus discos, seja nas letras de suas músicas. Apologias satânicas, e expressões agressivas a imagem de Jesus são uma constante em suas obras. Mas eles não são os únicos, nem os “head-bangers” são os únicos anticristãos que existem e abundam na mídia mundial. Além da música de Metallica, Slayer, Ozzy Osbourne, tem os livros de Gore Vidal, os filmes de David Frondizi, dentre várias outras manifestações artísticas que têm por mote atacar a imagem, memória e legado de Jesus Cristo, isto só dentre os que no momento estou conseguindo lembrar, sem falar nos que não estou me lembrando.
Mas daí vem a questão. Porque a ideologia cristã, que prega o amor, o perdão e a tolerância, suscita tanta rejeição e até ira no seio de alguns? Tirando o aspecto teológico, e o daqueles que declaradamente optam por louvar outras deidades; se tira a questão do porquê de alguns rejeitarem veementemente uma doutrina religiosa que se lastreia no amor, o perdão e a tolerância, se o que todo mundo deseja e quer pra suas vidas é justamente o amor, o perdão e a tolerância?
O que faz com que multidões ao redor do globo se desencantem com o bem e se encaminhem para o outro lado?
Seria a hipocrisia do Vaticano ou o mau-caratismo de certos grupos evangélicos e pentecostais? Seria a pedofilia sodomita de certos padres? Seria a roubalheira descarada de certos pastores?
Seria o cinismo de pregar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Pois se este for o motivo, então eu não os critico, pelo contrário, eu os apoio.
Mas lembremos que a doutrina cristã e os ensinamentos de Jesus de Nazaré são maiores do que a atitude de alguns dos seus sacerdotes. Jesus em momento algum pregou a hipocrisia, suas palavras sempre foram de amor, o perdão e tolerância.
O que se percebe é que o ensinamento de Jesus foi prescindido pelos milagres, ao longo dos séculos. O que Jesus ensinou (o amor, o perdão e a tolerância) é o que nos faz seres humanos melhores. Darwin nos diz que só os mais aptos e fortes é que sobrevivem na escala evolutiva. Jesus diz os fracos é que terão o reino dos céus. E no mundo tem muito mais fracos bancando o forte, do que fortes que têm ciência da própria fraqueza.
A hipocrisia turba a visão da essência cristã. É muito mais fácil se extasiar diante do milagre da transformação da água em vinho do que dar ouvido a simples frase “se alguém bater na tua face oferece a outra”. A pregação de Jesus é muito mais importante para nós do que o relato dos milagres. A pregação é o que pode fazer com que nós, humanidade, baixemos as armas e abandonemos a guerra, ela é que faz com que sejamos seres melhores na escala evolutiva darwiniana, não o fato de sermos mais fortes e mais aptos, e não o relato de “simples” milagres.
O Natal para muitos é uma celebração triste, pois se comemora o nascimento de um homem que sabe que vai morrer, e morrer de uma forma trágica, porém com a mais nobre das intenções, a salvação da humanidade.
Então é Natal, celebremos o amor, o perdão e a tolerância, não só no dia 25 de Dezembro, mas em cada dia do ano novo que vem ai!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Um Poder Refem
A realidade atual da informática e o uso constante dos computadores no dia-a-dia nos põem diante de dilemas que seriam inimagináveis há vinte ou trinta anos atrás.
Hoje os computadores, que antes eram peças restritas no âmbito científico e nas universidades, estão presentes nos lares como eletrodomésticos, no comércio, na indústria e, sobretudo nas repartições públicas.
Dentre os poderes constituídos do estado, o que mais se beneficiou com a informática foi o Poder Judiciário, tanto em nível de agilidade como de prestação jurisdicional ao povo. Agora se pode processar uma ação judicial sem que seja necessário imprimir uma única folha sequer, poupando árvores para a feitura de papel. As facilidades do processo eletrônico facilitam o acesso à justiça aproximando o cidadão comum da Justiça.
Mas para funcionar um computador não se precisa só de energia, precisa-se de algo chamado SOFTWARE, um programa de computador, que é justamente o meio com que se interage com os comandos do computador e como o computador responde adequadamente. O software é o que faz o computador “pensar”.
Existe hoje em dia uma indústria relativamente nova, a indústria do software, que não é uma indústria “clássica” com linha de montagem e tudo o mais, é sim uma indústria especializada, geralmente com pouquíssimos funcionários, voltada para desenvolver os programas que se usa para dar comando aos computadores.
A indústria do software não é uma indústria convencional, como o software não é um produto convencional. Não se pode tratar o software como um automóvel, uma cadeira, como uma resma de papel, uma lâmpada ou qualquer outro bem, dado o seu caráter subjetivo e não tangível. Não se pode tocar um software, porém pode-se vê-lo, e nele depositamos todo aquilo que nos é caro e que colocamos nas memórias dos computadores, desde as fotos das pessoas que se ama até o texto que ora se escreve.
A humanidade criou uma dependência epidêmica aos computadores e se acostumou nas facilidades que estas máquinas trazem, mas pouca gente parece está preocupada no COMO estas máquinas agem, e no que ou de que jeito os softwares fazem-nas “pensar”.
Uma determinada empresa privada catarinense desenvolveu um programa de computador para ser usado pela justiça. Não sei por que critérios, ou se houve ou não licitação, ou de que jeito foi, mas este software é usado pelos Tribunais de Justiça de sete estados, incluindo o Estado do RN.
E agora vem a pergunta que não quer calar, em se supondo uma ação judicial em que um cidadão qualquer litigasse contra esta empresa catarinense, que garantias de isenção se teria ante o fato de que TODAS as máquinas da justiça do Estado pensam do jeito que a empresa, agora uma das partes, determinou? Lembrando que esta não é uma indagação simplória, pois nem os juízes, nem os desembargadores têm acesso a certos dados do software e que o servidor (=computador central) e backups (=cópia de segurança) da nossa justiça não estão nem aqui, conosco no Estado, e sim na sede desta empresa lá em Santa Catarina?
Ressaltando, mais uma vez, que o software não é um produto qualquer. Tome-se, por exemplo, um produto ordinário qualquer, o papel higiênico. Nada impede que qualquer um de nós litigue na justiça contra o fornecedor de papel higiênico do Tribunal de Justiça. Em eventualidade de represália, ou insatisfação pela decisão judicial que não lhe seja favorável, o dono da fábrica do papel pode torná-lo mais áspero ou mais caro. Se o papel higiênico ficar mais áspero não se usa mais, se ficar mais caro, se faz uma nova licitação e se troca de fornecedor. Mas com o software isto não é possível, não se pode deixar de usar, pois absolutamente todos os dados de TODOS os processos estão dentro dele, da mais complexa decisão do Juiz ao mais corriqueiro trabalho do Servidor, e trocar de software como se troca de marca de papel higiênico, também não é possível, pois implicaria em perda de tempo, desgaste da memória dos computadores e necessidade de treinamento específico dos usuários, Servidores e Juízes.
Alguém poderia argumentar que os dados estariam inseguros tanto se estivessem guardados pelo próprio estado ou se estivessem com uma empresa particular devido a ação dos Hackers. Mas cabe dizer que os hackers agem em surdina, quebrando códigos e usando da ilegalidade.
E se a “chave do cofre” onde estão as informações está nas mãos de uma das partes e longe dos olhos dos Juízes e Desembargadores, que garantia se tem de “sob o manto de uma aparente legalidade” estas informações não seriam modificadas?
A pergunta permanece: que segurança se tem em se ter informações e dados públicos nas mãos de um ente privado?
O ideal é que software para os entes públicos sejam desenvolvidos pelo próprio ente público e que este também detenha todas as informações pertinentes e não vire refém de uma empresa privada.
Hoje os computadores, que antes eram peças restritas no âmbito científico e nas universidades, estão presentes nos lares como eletrodomésticos, no comércio, na indústria e, sobretudo nas repartições públicas.
Dentre os poderes constituídos do estado, o que mais se beneficiou com a informática foi o Poder Judiciário, tanto em nível de agilidade como de prestação jurisdicional ao povo. Agora se pode processar uma ação judicial sem que seja necessário imprimir uma única folha sequer, poupando árvores para a feitura de papel. As facilidades do processo eletrônico facilitam o acesso à justiça aproximando o cidadão comum da Justiça.
Mas para funcionar um computador não se precisa só de energia, precisa-se de algo chamado SOFTWARE, um programa de computador, que é justamente o meio com que se interage com os comandos do computador e como o computador responde adequadamente. O software é o que faz o computador “pensar”.
Existe hoje em dia uma indústria relativamente nova, a indústria do software, que não é uma indústria “clássica” com linha de montagem e tudo o mais, é sim uma indústria especializada, geralmente com pouquíssimos funcionários, voltada para desenvolver os programas que se usa para dar comando aos computadores.
A indústria do software não é uma indústria convencional, como o software não é um produto convencional. Não se pode tratar o software como um automóvel, uma cadeira, como uma resma de papel, uma lâmpada ou qualquer outro bem, dado o seu caráter subjetivo e não tangível. Não se pode tocar um software, porém pode-se vê-lo, e nele depositamos todo aquilo que nos é caro e que colocamos nas memórias dos computadores, desde as fotos das pessoas que se ama até o texto que ora se escreve.
A humanidade criou uma dependência epidêmica aos computadores e se acostumou nas facilidades que estas máquinas trazem, mas pouca gente parece está preocupada no COMO estas máquinas agem, e no que ou de que jeito os softwares fazem-nas “pensar”.
Uma determinada empresa privada catarinense desenvolveu um programa de computador para ser usado pela justiça. Não sei por que critérios, ou se houve ou não licitação, ou de que jeito foi, mas este software é usado pelos Tribunais de Justiça de sete estados, incluindo o Estado do RN.
E agora vem a pergunta que não quer calar, em se supondo uma ação judicial em que um cidadão qualquer litigasse contra esta empresa catarinense, que garantias de isenção se teria ante o fato de que TODAS as máquinas da justiça do Estado pensam do jeito que a empresa, agora uma das partes, determinou? Lembrando que esta não é uma indagação simplória, pois nem os juízes, nem os desembargadores têm acesso a certos dados do software e que o servidor (=computador central) e backups (=cópia de segurança) da nossa justiça não estão nem aqui, conosco no Estado, e sim na sede desta empresa lá em Santa Catarina?
Ressaltando, mais uma vez, que o software não é um produto qualquer. Tome-se, por exemplo, um produto ordinário qualquer, o papel higiênico. Nada impede que qualquer um de nós litigue na justiça contra o fornecedor de papel higiênico do Tribunal de Justiça. Em eventualidade de represália, ou insatisfação pela decisão judicial que não lhe seja favorável, o dono da fábrica do papel pode torná-lo mais áspero ou mais caro. Se o papel higiênico ficar mais áspero não se usa mais, se ficar mais caro, se faz uma nova licitação e se troca de fornecedor. Mas com o software isto não é possível, não se pode deixar de usar, pois absolutamente todos os dados de TODOS os processos estão dentro dele, da mais complexa decisão do Juiz ao mais corriqueiro trabalho do Servidor, e trocar de software como se troca de marca de papel higiênico, também não é possível, pois implicaria em perda de tempo, desgaste da memória dos computadores e necessidade de treinamento específico dos usuários, Servidores e Juízes.
Alguém poderia argumentar que os dados estariam inseguros tanto se estivessem guardados pelo próprio estado ou se estivessem com uma empresa particular devido a ação dos Hackers. Mas cabe dizer que os hackers agem em surdina, quebrando códigos e usando da ilegalidade.
E se a “chave do cofre” onde estão as informações está nas mãos de uma das partes e longe dos olhos dos Juízes e Desembargadores, que garantia se tem de “sob o manto de uma aparente legalidade” estas informações não seriam modificadas?
A pergunta permanece: que segurança se tem em se ter informações e dados públicos nas mãos de um ente privado?
O ideal é que software para os entes públicos sejam desenvolvidos pelo próprio ente público e que este também detenha todas as informações pertinentes e não vire refém de uma empresa privada.
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